A 7 de Maio corrente, a viatura do “Notícias” imobilizou-se perto da entrada para Matola-Gare, a partir da Estrada Circular de Maputo. A uns 200 metros, uma brigada de fiscalização estava em mais uma missão. Eram quatro agentes da Polícia de Trânsito e uma da Polícia de Protecção.

Durante pouco mais de uma hora (10:10 – 11:25 minutos), cerca de 40 camiões, parte significativa sem lonas, chapas de matrículas e iluminação, incluindo faróis frontais, foram interpelados, contudo nem uma multa foi passada, muito menos algum apreendido. 

Em todos os camiões abordados, a PT recebeu documentos que, depois de verificá-los, devolveu-os ao condutor, a quem ordenava depois a continuação da viagem. Entretanto, depois de cada interpelação, o agente metia mão nos dos bolsos.

Cerca de 20 minutos depois de a viatura do Jornal parar, a brigada juntou-se e a agente da Polícia de Protecção veio saudar a equipa de Reportagem, perguntando-lhe, se havia algum problema. Esta respondeu que estava tudo bem.

A agente atravessou a estrada até junto de uma viatura Toyota IST, cor cinza, estacionada na margem contrária, donde pegou duas garrafas de água mineral. Voltou e conferenciou com os colegas.

Inconformados e provavelmente incomodados com a presença de uma viatura de órgão de comunicação social, cujos ocupantes se mantinham sentados no interior, a agente da PP fez uma segunda visita por volta das 11 horas, para fazer as mesmas perguntas da ocasião anterior. A resposta foi a mesma e até se perguntou à agente se seria proibida a permanência naquele ponto.

Voltou ao ponto de fiscalização e conferenciou, novamente, com os quatro PT.

Às 11.25 h, os cinco agentes apertaram-se na viatura Hyundai com a placa de inscrição PRM -02-2-19 e ensaiaram uma mudança do posto, saindo do sentido Matola/Zimpeto.

Como se não tivessem chegado todos na mesma viatura, os agentes tiveram que retirar alguns objectos do interior do carro e meter na bagageira.

O “Notícias” seguiu na mesma direcção e quando passou para frente, a viatura da Polícia inverteu o sentido de marcha, aproveitando-se de uma abertura feita no separador central da “Circular”, para passagem de deficientes, que se fazem transportar em cadeiras de rodas.

Cumplicidade que poderá causar acidentes de viação

CAMIÕES de transporte de inertes, principalmente areia e pedra para construção civil, circulam pelas estradas da província e cidade de Maputo sem as mínimas condições de segurança, numa cumplicidade com a Polícia.

Entre os atropelos às regras, que põem em risco os outros utentes das vias. Destaque vai para a falta de iluminação e de lonas de cobertura para evitar a queda de pedras sobre peões e/ou viaturas.

Se a falta de iluminação pode ser vista como problema menor de dia, nas noites e/ou madrugadas propicia acidentes de viação, na medida em que o camião se torna invisível para os demais automobilistas. Às vezes, os camiões são imobilizados na estrada, agudizando ainda mais o perigo.

A prática já resultou em acidentes de viação que ceifaram dezenas de vidas e mutilaram tantas outras.

Num sinal de cumplicidade, os camionistas circulam, diariamente, naqueles moldes, diante da Polícia de Trânsito e Municipal sem que sejam, devidamente, sancionados, o que podia contribuir para a melhoria da situação.

As estradas Nacional Número Quatro (EN4), do cruzamento da Moamba até Matola, a Circular de Maputo em quase toda a sua extensão e as rodovias que atravessam zonas de expansão como Mozal, Matola-Gare, Guava e outros, constituem pontos críticos do fenómeno.

O episódio da Matola-Gare, em que durante pouco mais de uma hora dezenas de camionistas problemáticos desfilaram diante da Polícia, sem que uma multa sequer fosse passada ou alguma viatura ordenada a parquear, é apenas um exemplo do compadrio que se assiste pelo país e que, às vezes, resulta em acidentes de viação mortíferos, danificação de pontes devido ao excesso de carga, entre outros males.

Camionistas culpam patrões pelo cenário  

CONDUTORES interpelados pelo “Notícias” responsabilizam os patrões pelo estado no qual as viaturas circulam na via pública.

Alegam nada poderem fazer para, por exemplo, evitar circular com um camião sem lona ou iluminação, pois, são elementos que devem ser regularizados pelo proprietário da viatura, embora tenham que subornar a Polícia para evitar multas.

Um dos entrevistados, que se identificou pelo único nome de Beto, com cerca de 30 anos de idade, acrescentou que mesmo com carro em boas condições e devidamente documentado a Polícia sempre identifica uma fragilidade.

O Tata com o qual opera não tinha iluminação traseira, nem mesmo chapa de matrícula. Alegou que a iluminação é destruída pelas pedras das vias pelas quais circulam.

Por sua vez, Alfredo Djedje, também transportador de areia, diz que os motoristas acabam circulando sem iluminação e lonas por desleixo dos patrões, que alegam não fazer sentido perder um dia de trabalho só por falta daqueles elementos.

Face à situação, os condutores acabam subornando a Polícia sob pena de serem averbadas multas, que em casos extremos concorrem para perder emprego.

Polícia garante penalizar infractores

CONTRARIAMENTE ao que assistimos na Matola-Gare, onde durante uma hora passaram dezenas de camiões problemáticos sem que nenhum fosse multado, o porta-voz da Polícia na província de Maputo assegura que as autoridades são implacáveis.

“Estamos a fiscalizar e aplicamos as multas”, assegurou Fernando Manhiça, mesmo quando confrontado com o episódio da “Circular”.

Alegou que falhas de iluminação carecem de uma outra abordagem, em que a Polícia mande acender as luzes para verificar a sua funcionalidade, tendo-se mostrado surpreso com o facto de os carros estarem a passar pela Polícia sem faróis e luzes traseiras.

Quanto às lonas, Manhiça disse serem assunto da Polícia Municipal.

A fonte disse ser complicado controlar a circulação de camiões nas noites, pois, alegadamente, nessa hora a Polícia não fiscaliza, o que contraria a realidade nacional e da província de Maputo, em particular.

 

José Chissano

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