ACENTO TÓNICO: É tão bom ver a malta dançar!  ( Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

“ (…) é tão bom ver esta malta a dançar, é tão bom ver esta malta…”.  

Veio-me à memória este refrão de uma das criações do músico moçambicano André Cabaço, quando decidi dedicar umas linhas a um evento realizado no último sábado, na Matola. E porque a circunstância juntava uma mão cheia de matolenses, gente que partilha memórias da infância, da adolescência e de parte da sua juventude, o ambiente acabou sendo um autêntico “remembering Matola”.

O Paulo e o Lilito assumiram o ónus da organização, tendo que pensar sobretudo na logística e mobilização do pessoal, já que a intenção era juntar velhos amigos e companheiros de várias batalhas, num “get together” que permitisse a cada um revisitar o passado, até mesmo para (re) buscar inspiração para continuar a fazer da Matola o seu porto seguro.

Aquilo foi como que sair de casa e, chegado ao portão do Paulo, entrar para o interior do passado, e reencontrar gente de quem guardamos recordações, umas doces e outras nem tanto assim, e viver emoções!

Vieram memórias da velha “secundária da Matola”; do Bagamoio e do Ngungunhana; do “Clube”; das animadas festas nas casas de nossos pais, ou das noitadas do “Sucupira”! Dos Funks que nos faziam o sangue ferver, em suma, de uma infância e adolescência vividas intensamente, apesar dos difíceis momentos que o país foi atravessando ao longo dos anos…

Evento de absoluta referência, o “remembering Matola” teve o mérito de ser como que uma demonstração do quanto a vida é viável, desde que seja assumida com responsabilidade e foco. Fiquei feliz de rever gente de quem não sabia havia vários anos. Alegrou-me saber que muitos estão bem, que têm famílias constituídas e as vidas encaminhadas no espírito e letra daquilo que nossos pais sempre nos inculcaram, à custa de muito esforço e sacrifício.

Para nós, um puxão de orelha a um, doía na cabeça de todos!

Não restam dúvidas que há muitos que “ficaram pelo caminho”, no sentido de que desistiram de lutar e acostaram seus barcos no primeiro porto, de onde nunca mais saíram e, eventualmente, não mais sairão. Mas mesmo desses nos lembramos naquele sábado, porque fomos descobrindo que todos tínhamos mais ou menos as mesmas oportunidades, pelo menos de ir à escola, que naquela altura era a nossa principal missão.

Mas foi bom perceber que muitos assumiram o compromisso, foram atrás das coisas e hoje têm à sua volta, uma mão cheia de gente que neles se inspira; se não pela barriguinha que teima em fugir da bitola, pelo menos pela barba ou cabelo grisalho, ou pela jovialidade e boa disposição que amortece e disfarça qualquer peso de ser mãe…

E foi um pouco isso que deu para ler em cada um daqueles matolinhas que, na verdade, eram apenas uma amostra de uma Matola enorme, que se orgulha de ser a fábrica que construiu muitos ídolos para o desporto, para as artes, para a política, enfim, para a vida.

E quando o Xico pegou o microfone emprestado das mãos do MC, nada fazia esperar que fosse para cantar Louis Armstrong e levar a malta a um delírio “Made in” Kuxuga, uma banda que marcou o seu tempo e abriu caminho para alguns dos artistas matolenses que, ainda hoje, volvidos mais de 30 anos, continuam abraçados à música.

“What a wonderful world” digo eu, oh Xico, depois de ter vivido tantas emoções numa só tarde.

Entre comes e bebes, destilou-se muita conversa, trocaram-se recados, sorrisos e experiências; esboçaram-se agendas, e até deu para um momento de abraços cruzados, um interessante exercício de team building que Maelito fez questão de ensinar à malta. Foi bonito!

Enquanto escrevia estas linhas ia pensando no quanto os mais novos, os nossos filhos, podem aprender de eventos como aquele, convocado, preparado e amadurecido via … WhatsApp!

A dado momento, o Viriato aproximou-se de mim e disse:

- Sabes, hoje é dos dias em que a minha tensão se manteve controlada, sem ter precisado de ingerir algum antidepressivo… Confesso que este encontro me fez muito bem!

Os meus indicadores de satisfação não eram exactamente os mesmos, mas assinei por baixo.

Voltando ao André Cabaço, foi mesmo bom (re) ver o pessoal. Foi muito bom ver aquela malta a dançar! E certamente que a próxima será melhor!

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