Director: Júlio Manjate

Quando Nelma Mapanga, 32 anos, apercebeu-se que o filho estava com problemas de qualidade do sono, respiração bucal e apneia (bloqueio da respiração), buscou ajuda médica, tendo recebido a indicação de que a cura passava pela cirurgia para a remoção das adenóides e amígdalas.

Encontramos Nelma nas instalações do bloco operatório do Hospital Central de Maputo onde decorreu, na passada quarta-feira, uma campanha de cirurgia de otorrinolaringologia, envolvendo 80 crianças, cujo quadro era preocupante. 

Pedro Machava, médico otorrinolaringologista explica que as adenóidescrescem com o uma massa junto ao nariz. As amígdalas, por sua vez, são glândulas que nos dois lados da garganta ajudam na defesa do organismo dos agentes infecciosos, como bactérias e fungos.

Depois de um crescimento nos primeiros anos de vida, estes tecidos diminuem naturalmente a partir dos cinco anos. Todavia, em alguns petizes, as adenóides crescem de forma exagerada, bloqueando a respiração pelas narinas, tornando a boca como uma forma compensatória para o efeito. Do mesmo modo, as amígdalas podem infectar-se por bactérias ou vírus, causando mau hálito, febres altas e convulsões.

Devido a situação, os pacientes apresentam dificuldades de concentração, irritabilidade, sonolência diurna ou hiperactividade, falhas no crescimento, transtornos auditivos e alterações craniofaciais significativas.

Nelma descreve, por exemplo, que o filho, de 4 anos de idade, passou mal devido a amigdalites e adenoidites.

“Tinha muitas febres, ressonava e mal dormia. Não passava uma semana sem ir ao hospital. Da última vez, foi internado cerca de um mês”, indicou.

O médico esclarece que estas são infecções respiratórias de vias respiratórias superiores e ocorrem mais em zonas, como a cidade de Maputo, onde há muita humidade.

O especialista aponta que as estatísticas estimam que cerca de 90 por cento da população da cidade de Maputo tenha alguma infecção respiratória de via alta, sendo as crianças as mais afectadas.

Há forma de aliviar

Pais de crianças com este tipo de problemas experimentam episódios de noites mal dormidas, para dar assistência à criança, havendo casos em que faltam ao trabalho e/ou escola para levar os filhos à unidade sanitária.

Fátima António conta que o filho, de um ano e sete meses, tem problemas respiratórios desde a nascença. Depois de idas frequentes ao centro de saúde, acabou sendo transferida para o Hospital Central de Maputo (HCM).

“Há dias que ele (filho) não conseguia dormir, pior nos dias quentes e húmidos. Chorava e tinha dificuldades de respirar porque as narinas ficavam bloqueadas”, disse.

Nalgumas vezes se trata de um problema herdado. Contudo, segundo Machava, é possível adoptar comportamentos que podem minimizar situações que levem a crises.

“É fundamental agasalhar bem a criança para não apanhar resfriamentos. Evitar varrer o chão da casa, usando um pano húmido para limpar. Onde a criança dorme não deve haver poeira e recomenda-se mudar a roupa da cama duas vezes por semana”, indicou Machava, que também é director dos Serviços de Otorrinolaringologia do HCM.

Outras medidas passam por acautelar o contacto com cães e gatos ou mesmo de alcatifas e evitar o uso de ventoinhas no quarto da criança. Dispondo de ar-condicionado, os filtros devem ser limpos de dois em dois meses.

Para aliviar os sintomas destas patologias recorre-se a medicação, contudo, nem todos os pacientes respondem positivamente ao tratamento, exigindo assim a realização de cirurgia para a remoção parcial das amígdalas e adenóides, em situações específicas.

Machava esclareceu que casos comuns ocorrem na amigdalite de repetição, que afecte o dia-a-dia do paciente ou quando as amígdalas estão bastante desenvolvidas e atrapalham a passagem de ar, ocasionando problemas como ronqueira e apneia no sono, o mesmo acontecendo com as

Adenoides.

Mais de 600 tratados por ano

O Hospital Central de Maputo realiza, anualmente, acima de 600 cirurgias electivas e não oncológicas de patologias relacionadas com infecções respiratórias de vias respiratórias superiores, liderando a remoção das amígdalas e adenóides. As infecções deste tipo, segundo Machava, são as mais comuns em todo o mundo.

O chefe do Departamento de Otorrinolaringologia explicou-nos enquanto operava que se adoptou uma tecnologia de ponta que permite a cicatrização primária do local da operação, sendo que as fases subsequentes podem levar até sete dias para completar, enquanto na técnica anterior havia a obrigatoriedade de suturar e a ferida levava mais de 15 dias para curar, dependendo da alimentação do paciente após a cirurgia.

O procedimento na situação actual leva cerca de 30 minutos e o médico explicou que o futuro das crianças fica comprometido quando estas complicações não forem tratadas de forma adequada.

“As adenoidites bloqueiam as narinas e a criança passa a respirar pela boca - um órgão auxiliador. Ao dormir, ela pode esquecer e ao fechar a boca gera uma maior concentração de dióxido de carbono no cérebro, levando à morte de neurónios – células que dão a intelectualidade”, disse.

Aclarou que devido a esta situação, algumas crianças com este tipo de complicações apresentam problemas de desenvolvimento psicomotor e baixo rendimento escolar.

“Se não resolvermos o problema ainda cedo, prejudicamos o futuro da criança. Sem ar não há vida”, concluiu Machava.

À espera de dias melhores

Após a cirurgia, as mães que acompanhavam os pacientes mostraram-se optimistas em relação saúde dos filhos, embora cientes de que a cirurgia não cura a 100 por cento, considerando a permanência dos factores de risco como a humidade. 

“Espero que ele fique bem”, animou-se Nelma Mapanga, que esperou mais de seis meses para a cirurgia.

Em Moçambique, há muitos pacientes na fila de espera, daí a realização de campanhas, que permitem reduzir o tempo e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida das crianças.

“Depois de reduzir as adenóides e as amígdalas, a qualidade de vida deste menor melhora, pois passa a respirar da melhor maneira”, anotou Machava.

A fonte revelou que, ainda este ano, vai decorrer uma outra campanha para cobrir a demanda.

O nosso país conta com nove especialistas na área de otorrinolaringologia, estando actualmente a decorrer a formação de mais quatro, ao mesmo tempo que conta com apoio de médicos da cooperação cubana e coreana.

Otorrinolaringologia é uma especialidade que lida com problemas das vias respiratórias como o nariz, a garganta e o pescoço.(EVELINA MUCHANGA

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