O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento da economia nacional caia de 3,8%, previstos para este ano, para 1,8%, devido aos ciclones, antevendo um ressalto para uma taxa de 6% em 2020, segundo uma análise divulgada semana passada.

"Espera-se que o crescimento recupere e a inflação desacelere em 2020, graças aos esforços de reconstrução e condições de normalização dos sectores económicos mais afectados pelo ciclone", nomeadamente a agricultura, refere um relatório do Fundo, em linha com as previsões das autoridades do país.
O relatório surge a propósito da concessão de um financiamento de 118 milhões de dólares a Moçambique, livre de juros, anunciado em Abril, para permitir ao país enfrentar os efeitos do ciclone Idai, que atingiu o Centro do país em Março, matou 603 pessoas e afectou 1,5 milhão de habitantes.
O FMI antevê depois taxas de crescimento de 4% em 2021 e 2022, previsões que sobem para 9,2% em 2023 e 11,5% em 2024, graças à exploração de gás natural.
Ou seja, a riqueza produzida por Moçambique deverá chegar este ano a 15.100 milhões de dólares, mas daqui por cinco anos prevê-se que seja dois terços maiores: 24.200 milhões de dólares.
O FMI prevê ainda que a inflação seja mais alta que o previsto este ano (8,5%, em vez de 5,5%), devido ao "choque provocado pelo ciclone Idai na disponibilidade de alimentos na região Centro, que representa cerca de um quinto do Índice de Preços do Consumidor".
Nos anos seguintes deverá estabilizar em 5,5%, acrescenta.
A equipa do FMI que visitou Moçambique em Março e as autoridades do país "concordaram em apontar para um limite do défice fiscal primário, após doações de 2,5% do PIB em 2019" e que deverá "ser eliminado a médio prazo, após um aumento inicial durante o topo dos gastos com assistência e reconstrução".
Prevê-se ainda que o défice da conta corrente, excluindo os gastos com megaprojectos, "diminua a média prazo, apoiado por esforços de consolidação orçamental".
"Os riscos permanecem amplamente equilibrados", resume o FMI.
O Fundo reitera algumas recomendações: "abordar as vulnerabilidades de governação e corrupção de Moçambique terá potencialmente um impacto positivo sobre as perspectivas de crescimento inclusivo".
Medidas legislativas e institucionais "foram adoptadas e estão em andamento para fortalecer a boa governação, transparência e prestação de contas, mas é necessário mais trabalho".
Uma análise de sustentabilidade incluída nos documentos hoje divulgados nota que a dívida pública moçambicana continua no nível de ‘distress', ou seja, acima dos valores máximos prudenciais, mas com uma perspectiva "sustentável".
Estima-se que a dívida do sector público no final de 2018 tenha chegado a 110,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mais 0,1 que em 2017, evoluindo para 117% em 2019 e 111,4% em 2020, sobretudo devido aos encargos do Estado ao entrar como sócio nos consórcios de petrolíferas internacionais que vão explorar o gás natural.

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