Director: Júlio Manjate

Um antigo banqueiro do Credit Suisse implicado no escândalo das dívidas ocultas em Moçambique admitiu, pela primeira vez, em tribunal, que um administrador do banco russo VTB terá recebido 2 milhões em subornos da Privinvest.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, no testemunho de quinta-feira à noite, Andrew Pearse revelou que o intermediário da Privinvest, Jean Boustani, lhe disse que pagou 2 milhões de dólares a Makram Abboud, membro do conselho de administração do VTB e presidente da área para o Médio Oriente e África no banco russo.

O banco russo já reagiu, assegurando que "não há qualquer prova que Abboud ou qualquer outro empregado do banco tenha recebido pagamentos impróprios de qualquer natureza relativamente a esses projectos".

Em comunicado, o VTB acrescenta que Andrew Pearse é "um condenado por fraudes" e salienta que nenhum funcionário do banco foi acusado de qualquer má prática.

Na audição do banqueiro, que decorre no tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, Pearse admitiu também que a sua participação no esquema fraudulento no valor de cerca de 2 mil milhões de euros foi, em parte, motivada pela relação amorosa que mantinha com Detelina Subeva, também implicada no caso.

"Éramos ambos casados na altura e era difícil encontrarmo-nos, a não ser que estivéssemos a viajar", disse Pearse, quando perguntado pelo advogado de acusação se a sua relação teve algo a ver com a decisão de aceitar os pagamentos ilícitos propostos por Jean Boustani.

"Eu queria que a relação continuasse, queria sair do Credit Suisse e queria ter uma relação mais profunda" com a sua subordinada da altura, Detelina Subeva, que deverá começar a testemunhar em tribunal na próxima semana, e com a qual Pearse terá partilhado 2 milhões de dólares.

Nas declarações em tribunal, Pearse disse ainda que estava à beira de uma piscina em Maputo quando foi abordado pela primeira vez por Boustani, que lhe terá oferecido, em 2013, um suborno se o Credit Suisse baixasse as taxas que cobrava pela organização dos empréstimos às empresas públicas Proinvest e Mozambique Assett Management (MAM).

"Lembro-me perfeitamente disso porque foi a primeira vez que alguém se ofereceu para me subornar", disse o antigo banqueiro aos jurados, depois de já na quinta-feira ter admitido ter recebido 45 milhões de dólares em subornos.

Nas declarações, o antigo banqueiro que já se deu como culpado e que fez um acordo com a Justiça norte-americana, disse ainda que, além de Jean Boustani, também negociou os termos do suborno com o director executivo da Privinvest, Iskander Safa, num encontro que tiveram na casa de Safa, na Riviera francesa, em Março de 2013.

"Foi aí que os termos do meu pagamento foram acordados e combinámos que eu receberia uma taxa por quaisquer negócios entre a Privinvest e o Credit Suisse", disse.

As declarações em julgamento são o mais recente capítulo do processo das dívidas ocultas de três empresas públicas moçambicanas, que já levou à detenção do antigo ministro das Finanças Manuel Chang e de um dos filhos do antigo Presidente Armando Guebuza, além de três banqueiros do Credit Suisse e vários responsáveis governamentais moçambicanos.

Na investigação, a Justiça norte-americana acusa membros do anterior Governo de Moçambique, a Privinvest e três ex-banqueiros do Credit Suisse de terem criado um falso projecto de defesa marítima para receberem mais de 200 milhões de dólares em subornos para si próprios em acordos assinados em 2013 e 2014, apontando Jean Boustani como o principal operacional do esquema de corrupção no valor de 2,2 mil milhões de dólares

A descoberta de empréstimos contraídos com aval do Estado mas sem registo nas contas públicas e sem divulgação aos parceiros internacionais levou os doadores a cortarem a assistência internacional e as agências de rating a descerem a opinião sobre o crédito soberano.

Em consequência, aumentou o rácio da dívida pública sobre o PIB, o que arredou o país do financiamento internacional, atirando Moçambique para 'default' e para uma crise económica e financeira que ainda persiste.

 

 

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A companhia mineira australiana Syrah Resources anunciou que tenciona reduzir quase um terço da sua mão-de-obra na mina de grafite no distrito de Balama, localizada na província de Cabo Delgado, escreve a AIM.
Refira-se que a mina, que emprega cerca de 200 trabalhadores, foi inaugurada oficialmente pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, em Abril do ano passado.
No entanto, um comunicado emitido pela Syrah Resources refere que como resultado de uma revisão operacional haverá uma redução significativa da produção neste trimestre e em 2020, com o objectivo de economizar 22 milhões de dólares ao longo de um ano em Balama.
Para alcançar essa poupança, a força de trabalho será reduzida em trinta por cento, o que a Syrah Resources chama de 'redução do número de funcionários'.
Além da perda de empregos, a empresa passará por uma reestruturação corporativa que economizará 1,5 milhão de dólares, principalmente por meio da “redução no número da direcção executiva”.
Segundo o director-geral da Syrah, Shaun Verner, “à luz das profundas mudanças estruturais que estão ocorrendo actualmente no mercado de grafite, a Syrah tomou medidas claras e disciplinadas para reduzir temporariamente os volumes de produção e permitir reequilíbrio do mercado”.
Frisou que a Syrah Resources continua a apostar na mina de Balama a sua presença a longo prazo em Moçambique.
“Continuaremos a operar Balama, o melhor activo de grafite natural do mundo, de maneira segura, sustentável e responsável para continuarmos a construir a sustentabilidade dessa operação”, disse.
”Estamos começando uma consulta imediata com os funcionários e as principais partes interessadas, para garantir uma transição suave”, acrescentou.
A grafite é uma forma de carbono altamente valorizada devido às suas propriedades, como condutor de electricidade. É usado em baterias e como células de combustível.
No entanto, o preço da grafite caiu, como resultado da queda nas vendas de carros eléctricos na China e de dúvidas sobre o futuro de veículos eléctricos.

 

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O concurso para a contratação do empreiteiro das obras de construção da linha de transporte de energia eléctrica entre Moçambique e Malawi deverá ser lançado até Março do próximo ano, segundo informação prestada há dias pelo vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia. LEIA MAIS

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Uma proposta de criação da Zona Económica Especial de Chimoio vai,em breve,ser submetida à apreciação do Conselho de Ministros, segundo a Rádio Mocambique.

 Falando na cidade de Chimoio, em Manica, num seminário destinado à apresentação e debate da proposta, o director nacional da Indústria, Mateus Matusse, disse que com a constituição da Zona Económica Especial de Chimoio, serão criados milhares de postos de trabalho. 

A zona económica especial é uma área,geograficamente,delimitada, onde as actividades económicas são reguladas por um regime fiscal e aduaneiro específico.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para 2020 um crescimento económico para todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com excepção da Guiné Equatorial, em recessão desde 2015 e, pelo menos, até 2024.

De acordo com o relatório sobre as Perspetivas Económicas Mundiais, divulgado ontem em Washington, os peritos do FMI antecipam que os países lusófonos em África consigam expandir as suas economias em 2020, com excepção da Guiné Equatorial, que registará uma recessão de 5% nesse ano.

Para além de Angola, que deverá crescer 1,2% em 2020, Cabo Verde deverá registar uma expansão de 5% neste e no próximo ano, a Guiné-Bissau terá um crescimento de 4,6% e 4,9% em 2019 e 2020, Moçambique acelera de 1,8% este ano para 6% em 2020 e São Tomé e Príncipe regista uma aceleração de 2,7% em 2019 para 3,5% no próximo ano.

A Guiné Equatorial, por seu turno, deverá manter-se com um crescimento negativo até pelo menos 2024, mantendo a série de taxas negativas de expansão do PIB que começou em 2013, com uma interrupção em 2014.

Assim, o terceiro maior produtor de petróleo na África subsaariana e o mais recente país a aderir à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) deverá registar crescimentos negativos de 4,6% este ano, 5% em 2020 e 2,8% em 2024.

Para o conjunto da região da África subsaariana, o Fundo prevê um crescimento de 3,2% neste ano e de 3,6% em 2020, "o que é ligeiramente mais baixo, em ambos os anos, do que o previsto no relatório de abril".

O relatório 'World Economic Outlook', no original em inglês, não se debruça em pormenor sobre as economias africanas, oferecendo antes uma visão mais global da economia mundial.

A análise detalhada à África subsaariana será lançada ainda esta semana, no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, que decorrem em Washington.

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