AS eleições internas na Frelimo mostraram, mais uma vez, a maturidade e, sobretudo, a responsabilidade deste partido em lidar com os processos que mexem com a vida do país. Diferentemente deoutras formações – o que é a sua marca –, a Frelimo sempre soube gerir internamente os ânimos dos seus quadros em momentos cruciais como são as eleições internas.

Nestas primárias, vimos alguns dos chamados “históricos” do partido a ficarempor terra e a ascensão de outra geração de militantes, que não está intrinsecamente ligada à gesta libertadora, no sentido de que tem uma perspectiva diferente de encarar e interpretar os factos e fenómenos.

Porém, o facto de esses “históricos” terem sido preteridos pelo voto interno dos militantes do partido não significa o fim da história. Pelo contrário, é sinal de que os mecanismos democráticos neste partido estão a aperfeiçoar-see que os partidos se vão renovando internamente, o que,quanto a nós,é bom para o país e será óptimo para o funcionamento tanto do Parlamento como das assembleias provinciais, órgãos de onde sairão os governadores,à luz da descentralização.

Na nova fase em que estamos a entrar, será um imperativo que a qualidade do debate evolua a outros níveis nos dois órgãos deliberativos. Será fundamental uma melhor capacidade de levar à discussão aspectos relevantes da vida do Estado.

Os candidatos eleitos para a Assembleia da República e para as assembleias provinciais não devem assumir a preferência dos militantes como um “jackpot” ou uma espécie de trampolim para outros voos, sobretudo para a máquina governativa, mas sim como uma responsabilidade. Devem saber que terão a obrigação de mostrar uma maneira nova de fazer as coisas, de fazer vingar o seu potencial e, sobretudo, serem a mais-valia de que o país precisa para avançar.

Devem saber que os mecanismos de rastreio do seu trabalho estão agora mais evoluídos e se prepararem para um escrutínio mais rigoroso. O sucesso do novo modelo democrático adoptado na sequência do diálogo político entre o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, vai depender também da qualidade do trabalho destes eleitos e dos cidadãos que cumprirão a sua parte participando nos processos com a responsabilidade que se exige.

Aqueles que não foram escolhidos nãosedevem sentir excluídos, pois tratou-se de um exercício democrático que acontece e deve acontecer nos partidos políticos enquanto entidades que aspiram ao poder. Felizmente sempre foi assimna Frelimo.

E esperamos que tenha sido também assim na Renamo e no Movimento Democrático de Moçambique (MDM), partidos representados no Parlamento, e noutras organizações políticas do país. Os eleitos foram-nopor mérito e não por favoritismos.

Enquanto partido do Governo e,por isso,com responsabilidades acrescidas, resta à Frelimo aprimorar-se cada vez mais para os novos desafios, devendo certificar-se de que os seus candidatos serão efectivamente aqueles que merecerão a confiança popular nas eleições gerais e das assembleias provinciais de 15 de Outubro e, por essa via, implementarão com a necessária eficácia e eficiência o seu manifesto eleitoral.

Ficamos à espera da divulgação dos nomes dos cabeças-de-lista do partido, o que acreditamos que será nos próximos dias, tendo em conta não só a expectativa que existe em torno destes, mas também a aproximação do início da campanha eleitoral.

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