O PAÍS inteiro está representado em Manica, no XIV Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, uma montra desportiva que acontece de dois em dois anos, desta vez sob o lema “Desporto Escolar Conservando a Natureza”. Este ano estão no festival 1.430 atletas distribuídos em oito modalidades competitivas e outras quatro de cariz demonstrativo, praticadas por atletas portadores de deficiência.

Tanto quanto se pode constatar, trata-se de um movimento que combina intencionalmente o desporto com outras actividades de formação e de educação para a cidadania, com o objectivo de complementar a instrução que aquelas crianças, adolescentes e jovens, recebem na carteira da escola.

Sendo um evento que junta milhares de pessoas idas das onze províncias do país, incluindo a cidade de Maputo, não é de estranhar que a sua organização seja um desafio,tanto a nível financeiro,como da logística, na sua essência. Na verdade, à medida que o tempo passa (já vamos na 14ª edição!) cresce o número de participantes no festival, aumentam as exigências logísticas e ampliam-se as expectativas à volta do evento. Por isso mesmo, não se deve perder de vista a necessidade de capitalizar os resultados de todo este exercício, sobretudo através de um melhor aproveitamento dos talentos que se revelam nas mais diversas modalidades.

Seria desejável ver o sector da Educação a desenvolver modelos de ensino inspirados no ambiente criado à volta dos festivais. Aproveitar melhor a associação que tem-sefeito dos jogos a temas diversos e relevantes do dia-a-dia, que na verdade inspiram o conhecimento e mudança de atitude.

Igualmente salutar seria começar a ver os clubes desportivosa incluir estes festivais na sua rotina de prioridades, no sentido de que eles precisam entender que é neste tipo de ambientes onde podem captar talentos para as suas equipas. Afinal, grandes clubes fazem-se de grandes equipas e estas se fazem de grandes jogadores que, por sua vez, nascem dos talentos que brotam em festivais como o “Manica/2019”.

São enormes os investimentos que o Governo vem fazendo para manter esta tradição. É preciso valorizar esse esforço.Os clubes devem aproveitar este que, na verdade, é um dos apoios que eles muitas vezes reclamam, para dar passos concretos rumo ao seu crescimento. Por outras palavras, os Jogos Escolares são o viveiro que o Governo faz, de dois em dois anos, onde os clubes devem se habituar a ir buscar os melhores para as suas equipas.

Infelizmente, e ao contrário do que aconteceu nalgumas edições anteriores, Manica/Chimoio não herdará praticamente nenhuma infra-estrutura desportiva que tenha sido construída a propósito do festival. Devido às reconhecidas limitações financeiras que o país atravessa, o máximo que se fez foi se reabilitar algumas para acolher os atletas e os jogos, sobretudo das escolas. Todavia, há muitos outros ganhos que Manica está a acumular por acolher esta edição.

A nós apraz perceber o empenho com que os atletas se entregam aos jogos, procurando mostrar o melhor das suas habilidades. Pena é que esteja a haver focos de indisciplina motivados pela busca insensata de resultados, com casos de treinadores/professores que não conseguem dar bons exemplos às crianças.

Entendemos que alguns casos deviam merecer tratamento exemplar, assegurando que a imagem que fica dos jogos escolaresnão se confunda com aquela promovida por indivíduos claramente desalinhados com o espírito que norteia estes festivais.

Mas também precisamos ter a frieza necessária para lidar com alguns erros deliberados cometidos ao nível da organização, alguns dos quais arriscamos a associar aos episódios de doenças reportados nos últimos dias entre os atletas, ou ao mau estado de alguns campos de jogos.

Entendemos que está na hora de se profissionalizar a organização destes festivais, para que se mantenham como viveiro do nosso desporto, e nunca se transformem em meras oportunidades para alguns aventureiros locupletarem sem justa causa.

É preciso assegurar que os ministérios da Educação e Desenvolvimento Humano e da Juventude e Desportos se ocupem das dimensões que lhes cabem, e deixar que uma entidade especializada assuma a organização deste tipo de festivais.

Este é, a nosso ver, um desafio que vale a pena encarar.

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