Director: Júlio Manjate

O resultado das eleições desta terça-feira até pode reservar alguma surpresa, mas já há pelo menos uma certeza que se pode assumir: O Partido Frelimo e Filipe Nyusi vão vencer folgadamente. Mais ainda: pelos números da contagem dos votos da corrida presidencial, fica claro que o actual Presidente da República sai destas eleições com a sua posição herculeamente reforçada, tanto é o voto de confiança que os moçambicanos depositam nele. 

De facto, uma vitória confortável de Filipe Nyusi na eleição presidencial vai, seguramente, reflectir-se a nível do Partido Frelimo, do qual é presidente, o que em nossa opinião será determinante para o reforço da coesão interna do partido. Um triunfo concludente de Nyusi vai ajudar a atrair energias positivas para o partido, que precisa ajustar-se a novas realidades democráticas e consolidar-se como força política estável e com tradição.

Apesar de o apuramento de dados estar ainda em curso, já vai ficando claro que um novo mapa político sairá destas eleições, no qual a Frelimo continuará com mais de metade dos deputados na Assembleia da República (maioria absoluta), o que naturalmente vai colocar mais pressão e exigir mais responsabilidade do grupo maioritário. 

Sendo muito pouco provável que algum novo partido consiga um lugar no Parlamento, fica claro que, mesmo mantendo assentos, o peso da Renamo e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai reduzir, com maior ou menor impacto no funcionamento da câmara.

Mas se o cenário é animador para o Partido Frelimo e Filipe Nyusi, a situação não é confortável para os outros partidos políticos e candidatos concorrentes, em particular para Ossufo Momade e a sua Renamo, a quem a história vem “apadrinhando” pelo estatuto de segunda força política do país.

Na verdade, a previsível derrota eleitoral da Renamo e seu candidato pode ser a oportunidade que eles precisam para encarar sem preconceitos os problemas que sempre marcaram a trajectória deste partido, e que se agravaram no congresso da Gorongosa, que colocou Ossufo Momade na presidência, inviabilizando pretensões de grupos internos que, embora de forma sorrateira, não conseguem conformar-se com a situação.

À semelhança de outros concorrentes, Daviz Simango e o seu MDM saem deste pleito com muitas lições aprendidas mas, mais do que isso, entendemos que eles têm, também, uma soberana oportunidade para reflectir e dimensionar melhor as suas aspirações no xadrez político nacional. A imagem com que ficamos, sobretudo durante a campanha eleitoral, é de um MDM parco de argumentos para manter o seu estatuto de terceira força política.

Assim mesmo, e à semelhança da Renamo, não conseguiu apresentar um discurso de campanha que fosse orientado para o futuro, limitando a sua criatividade ao arrolamento dos erros do governo do dia, e investindo muito pouco na fundamentação da condição de alternativa política que reivindicam há alguns anos.

Objectivamente, a nossa democracia está a crescer, e isso ficou claro nestas eleições, em que houve uma participação recorde de vinte e cinco partidos e duas coligações de partidos políticos a disputar assentos na Assembleia da República e nas Assembleias Provinciais. Perante esta realidade, tudo obriga a uma evolução na maneira como os actores e lideranças políticas interagem entre si, para que o cidadão comum nunca confunda a diferença de opinião com inimizade, e nunca transforme o debate político como uma forma de manifestação de ódio.

Infelizmente, ficou-nos o registo de preocupantes sinais de falta de cultura democrática; de uma fraca compreensão das regras do jogo democrático por parte de muitos cidadãos, uma fragilidade que se torna mais evidente e grave quanto mais nos afastamos dos centros urbanos. Aqui, em contrapartida, é o impacto das redes sociais que vai corroendo os alicerces da cidadania e da razoabilidade.

Com tanto défice de cidadania, o fenómeno das abstenções volta a ser marca negativa. De facto, há sinais inquietantes relativamente à participação popular na votação desta terça-feira, sobretudo nos centros urbanos. Os números ainda não são definitivos mas já nos permitem admitir que estamos perante um comportamento preocupante; um alerta para que os partidos políticos ajustem os seus métodos a uma sociedade como a nossa, sobre a qual converge um sem-número de influências.

Com todas as evidências e reconhecimento de que este processo eleitoral correu dentro dos padrões da normalidade; de liberdade e de justiça, nada melhor que aguardarmos, com serenidade, até que resultados definitivos sejam tornados públicos, e sobretudo reconhecidos por todos.

De facto, Moçambique tem tudo para dar certo!

 

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