ACENTO TÓNICO: “Deixem a limpeza para os profissionais”   (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

SOU ouvinte assíduo de rádio, desde tenra idade! E tenho aprendido muito com isso. Hoje, apesar de estar há mais de um quarto de século ligado ao jornalismo impresso, há qualquer coisa que ainda não me deixa ficar alheio ao que acontece naquele meio.

É por essa e por outras que fico preocupado quando ouço alguns spots que passam nas nossas rádios, tentando divulgar produtos ou serviços. E digo tentando porque muitas vezes ouvimos passar determinado spot, e até repetido frequentemente como só a rádio sabe fazer e, no fim, sentimo-nos frustrados por não termos percebido a ligação que se procura fazer entre a mensagem e o produto publicitado; ou simplesmente ficamos irritados porque entendemos que haveria formas mais felizes e criativas de nos convencerem a aceitar determinado produto ou serviço.

Tanto quanto se recomenda, o spot enquanto anúncio publicitário para rádio, deve ser gravado por um locutor profissional e em estúdio adequado, de modo a conferir-lhe a qualidade e o poder necessários para persuadir o ouvinte a adoptar determinada postura.

Assumindo que também se pode usar duas ou mais vozes num mesmo spot, entendo, na mesma, que o lado profissional nunca deve ser minimizado, muito menos dispensado. Quer dizer, se ao locutor profissional se exigem requisitos como a dicção e interpretação, aos outros intervenientes no spot podem ser pedidos atributos de representação, geralmente cultivados pelos actores de teatro e cinema.

É preciso arte e profissionalismo para combinar eficazmente estas habilidades! Por outras palavras, um spot de rádio não deve apenas ser, deve também parecer!

Tratando-se de um exercício que visa despertar instintos e vontades a terceiros, é preciso que o conteúdo seja claro e suficiente para não deixar dúvidas sobre o produto ou serviço. De igual, modo, é fundamental que a forma seja adequada ao objectivo, para o que se deve recorrer não só ao locutor profissional, como aos préstimos de um actor, ele também profissional, para representar e ajudar a construir o ambiente virtual em que se pretende colocar o ouvinte. Só trabalhando com profissionais se pode garantir a naturalidade com que os spots devem fazer passar a mensagem.

Mas, afinal, qual é o problema?

Numa altura em que a publicidade comercial é cada vez mais determinante para o sucesso dos negócios, parece inevitável que se suba a fasquia de qualidade dos spots, o mesmo que admitir que é preciso apostar mais no profissionalismo que em soluções paliativas.

Do mesmo jeito que temos locutores profissionais com qualidade acima da média, temos no país actores de teatro “para dar e vender”, e até uma escola que forma estes profissionais à luz das novas perspectivas e pressupostos que se desenham para a comunicação. Como explicar, então, que tenhamos canais de rádio a gravar e colocar no ar material sem qualidade?

Na verdade, este problema de qualidade dos spots parece-me mais preocupante naquele grupo que ouso incluir na propaganda, nomeadamente aquela divulgação de serviços de utilidade pública. Ao que tudo indica, a questão deve ter algo a ver com os custos, pois as agências que reconhecem o valor do profissionalismo tendem a cobrar mais pelos serviços que prestam.

Para contornar o custo da qualidade, alguns optam, a título individual ou em nome das instituições que representam, por procurar serviços baratos junto de pessoas que, não sendo profissionais ou no mínimo detentores de conhecimento sobre a área, acabam por oferecer contrapartidas que só contribuem para o descrédito de uma área tão importante quanto interessante como é a publicidade.

O resultado é toda a mediocridade que a sociedade é obrigada a consumir em jeito de publicidade que, se não é enganosa, dilui-se na falta de foco, acabando por confundir a audiência.

Mesmo que pareça excesso de zelo, prefiro continuar a pensar como dizem os outros: “deixem a limpeza para os profissionais”.

É melhor e faz-nos correr menos riscos!

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Limpopo: Inimigos da paz   (César Langa-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

OS princípios do mês de Agosto foram caracterizados por uma enorme alegria na maioria do povo moçambicano, com a assinatura dos acordos de cessação das hostilidades militares e definitivo de paz, entre o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi e o presidente da Renamo, Ossufo Momade.

Não quis arriscar-me dizendo que todo o povo moçambicano ficou feliz, porque o que acontece nos dias que correm leva-me a concluir que, afinal de contas, não são todos os moçambicanos que ficaram felizes por estes dois momentos de entendimento entre o Governo e a Renamo, que vinham gerindo uma espécie de paz episódica.

Contra as expectativas de muitos que ostentam o gentílico deste pedaço do Índico, uma auto-intitulada junta militar da Renamo aparece, por diversas vias, incluindo redes sociais, a manifestar o seu não reconhecimento do acordo rubricado pelo seu presidente, Ossufo Momade, por uma série de alegações, que começam da sua eleição para a liderança deste maior partido da oposição, até ao espírito e letra dos documentos assinados, que deverão culminar com o Desarmamento, Desmilitarização e Reintegração (DDR) dos homens deste partido armado.

Numa altura em que o país caminha para a consolidação da democracia, alegadamente introduzidapor esta Renamo, agora é a mesma formação política que aparece com um cenário que contraria este discurso, trazendo à tona um suposto fraudulento processo eleitoral, que colocou Ossufo Momade na liderança do partido, no qual contou com a concorrência de Elias Dhlakhama.   

Aparentemente conformado com a nova liderança, a avaliar pelo silêncio do irmão de Afonso Dlhakhama, agora é a vez do general Nhongo a liderar estes focos de agitação, procurando criar frentes para contactos com o Governo, quando estamos à porta do arranque da campanha eleitoral. Será que a maioria do povo moçambicano não merece momentos de paz efectiva, depois de muito sangue derramado, desde a luta de libertação nacional até à guerra dos 16 anos?

Os inimigos da paz usam a guerra para conseguirem algum protagonismo, mas acredito que o poderiam atingir usando outras vias, porque no mundo actual, seguramente que já não há condições para o recurso às armas, em busca que qualquer solução.

 

Tal como disse o secretário-geral da Frelimo, Roque Silva, a Renamo devia procurar soluções internas para seus problemas internos, deixado os moçambicanos saborearem a paz que há muito lhes fazia falta. Até porque neste jogo democrático é preciso paz para se jogar limpo(po).

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Sigarowane:  A cabeça dos madodas  (Djenguenyenye Ndlovu)

 

 

A MANHÃ ia a meio e tinham sido apenas horitas de sono,mas  isso não fazia moça em corpos de uma juventude que se vai construindo no trabalho por demais sofrido. Podiam continuar no gozo da privacidade, da cama, mas sabidos dos hábitos, dos costumes, podiam sacrificar esses momentos de prazer, que tempo para isso não faltaria. Aliás, esse pormenor funcionaria como pimento na hora de gozo. Antes mesmo de ouvirem as vozes,sabiam que uma assembleia aguardava o som da maçaneta da porta ao ser aberta pela mão de mulher . E fê-la girar com todo o vigor de uma mulher feliz.

E aconteceu como esperado.

 Radiantes, lançaram o seu perfume de encantar a mulheres e homens de respeitável idade, que já a hora zero o sono lhes abandona, em conversa de voz baixa quase murmúrio, no comentário dos dois festivos eventos há dois dias. Sem colocar os joelhos no chão, fez a simulação diante do grupo dos homens em sinal de respeitosa saudação. Foi,depois,juntar-se ao grupo das mulheres e de repente uma explosão de risos que chamou a atenção dos homens. Teria ela dito o quê para tanto alvoroço? Mas elas não ligaram nada,ou nem se aperceberam do espanto criado pelas suas risadas. Continuaram na sua incontida alegria. Estavam maravilhadas com o ar alegre em seu olhar e certamente com o que ela dizia das horitas de cama de um dia diferente e que muitas vezes acontece uma única vez na vida da gente. E porque não terem acontecido coisas belas cuidadas com tempo para a noite nupcial. Ela pode ter partilhado com as tias o que foram as horitas desse dia sonhado a que tempos.

Eles que já viviam em comunhão de cama, de suores, de prazeres e de alegrias passavam mais de dez anos. Eles que juntos sorriram e se abraçaram a cada um dos seus cinco graciosos rebentos com que a natureza os brindou. Ela certamente a contar o momento de uma noite em que se desfez de um vestido branco,colocou o véu na cabeceira e não desejou o sono. Desejou viver segundos, viver minutos com intensidade tamanha. E viveu tudo isso nessas horitas.

 Podiam ter sido muitas, mas não naquele lugar, naquela casa. Havia que arrumar a bagunça do dia anterior e cuidar do almoço matinal para as tias e tios idos de muitos lugares, de outros distritos e províncias que por alificariam por uns dias.

Levantou-se e de capulana bem amarrada, como a mãe ainda o faz, dirigiu-se à cozinha de céu aberto onde algumas panelas lançavam odores, de deixar salivar gente, que a receberam. As primas, as cunhadas tinham tratado disso no pensar de que estaria por muito tempo no gozo do seu dia. Não. Ela estava alipara ajudar no conforto dos estômagos daqueles que participaram do brilho do seu dia.

Ele, na conversa de homens, como sói dizer-se, estava alheio a tudo, depois de ter dito que “foi um bom repouso. Uma boa noite”e largou uma gargalhada que mais não foi senão a expressão mais alta do seu contentamento. Ele era já igual a muitos que o rodeavam. Faltava-lhe apenas esse contrato perante o conservador. Mas ainda ali alguns por o fazer.

Venceste, diziam uns, é uma questão de objectivos e de fé, dizia ele. E já eram os comeres e os tomares em abundância, que a circunstância recomendava.

Casados de fresco, entraram numa mini-bus, ele ao volante, dirigiram-se á vila de cimento, com o chão de alcatrão e de areia branca. Minutos depois estavam de regressoao convívio familiar. Imobilizada a viatura, abriram as portas e quando saíram, cada um segurava o corno de  uma cabeça bovina.

Estava aliuma carcaça para os amigos,para os madodas. E a alegria continuou sem se importar com o ser segunda, com o ser terça.

E o mel é todos dias, de pouco ou nada importa a lua.

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À LUPA - Quando o agente da Polícia não ajuda: Lázaro Manhiça - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

NÃO é novidade para ninguém que nas nossas estradas circulem viaturas comandadas por gente que pontapeia as mais elementares regras de trânsito, pondo muitas vezes em risco a vida de terceiros e, por que não, a deles próprios.

Na procura de explicação tem-se atirado a responsabilidade desta desordem assassina à formação nas escolas de condução ou à falta de responsabilidade por parte destes automobilistas.

Perante esta realidade, a esperança é que este tipo de comportamentos seja desencorajado pelas autoridades da área, tanto por via da sensibilização, como da penalização para que não cometam estes desmandos.

Porém, esta expectativa é às vezes defraudada, A meio da manhã de sábado, por imperativos sociais, desloquei-me para um ponto distante de casa, via Estrada Circular, tendo, a dado momento do percurso, ficado chocado com a abominável atitude de um agente da Polícia Municipal, postura essa que me surpreendeu e deixou estupefacto, creio, a todos perante uma transgressão, protagonizada por um camionista.

O facto é que num dos pontos da “Circular” estavam estacionados dois camiões de transporte de inertes, uma manobra certamente feita por ordem de dois agentes da Polícia Municipal.

Porém, o condutor do camião a ser “despachado” primeiro por um dos agentes foi o que se encontrava atrás do outro. Aquele, mesmo se apercebendo de que a escassos metros seguia, no mesmo sentido, uma outra viatura, por sinal ligeira, e com um obstáculo à sua frente, iniciou a marcha. Só não aconteceu o pior porque o automobilista da viatura ligeira observou uma condução defensiva.

Ao se aperceber da arrogância do prevaricador, o automobilista da viatura ligeira ainda tentou chamar a atenção do Polícia sobre o que estava a acontecer, mas para o seu espanto, viu um dos polícias quase que a mandá-lo passear, através de um gesto pouco recomendável.

Era uma grosseira violação da regra de trânsito que acontecia, espantando não só por ocorrer na presença da autoridade, como também por ser, de certa forma, “incentivado” por um dos seus agentes. Este que devia ser guardião da boa conduta.

Não quero acreditar que o agente da Polícia Municipal em causa não soubesse que aquela manobra do camionista é proibida.

Certamente que para todos aqueles que viveram o episódio questionaram a atitude do agente.

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Histórias e Reflexões: A paciência de Jorge Mário Bergoglio

 

UM recepcionista de uma certa unidade hoteleira, algures por este mundo fora, entrevistado para uma publicação jornalística, contou que num dado dia apareceu um homem no átrio da sua instituição procurando por uma outra pessoa ali alojada.

Confirmada a presença do procurado indivíduo, o nosso recepecionista informou-o da presença de alguém a quem pediu, por sua vez, que aguardasse.

O visitante agradeceu e foi esperando enquanto se movimentava de um lado para outro no mesmo átrio.

Como não deixaria de ser, o recepcionista voltou aos seus afazeres atendendo outras pessoas que entravam e saiam do hotel.

Eis que o tempo começa a passar enquanto o visitante continua a deambular, calma e tranquilamente, de um canto para outro do local.

Alguma indignação se apodera então do recepcionista, contudo, não podendo nem voltar a chamar o visitado, nem dirigir qualquer outra palavra ao visitante, até porque nada teria a dizer, apenas tem que se ocupar dos seus deveres sem entender, claro está, o que se está a passar.

No entanto, no meio da demora, que já se fazia longa, o recepcionista repara que o visitante não mostra quaisquer sinais de impaciência e continua a girar “fresquinho” e imperturbável pelo átrio do hotel.

Imparável, o tempo vai escorrendo. Do visitado ainda não há memória enquanto o visitante, por seu turno, nem sequer olha para o relógio, como muitos de nós fariam numa situação destas. Ele mantém, pelo contrário, a sua paz consigo mesmo e com o mundo. Até parece que quanto mais a demora se prolonga, mais paciente e compreensivo o homem fica.

Muito tempo depois, o esperado finalmente emerge. Os dois homens cumprimentam-se efusivamente com toda a naturalidade e seguem ao que lhes esperava.

Quem era, afinal, esse homem de tanta paciência? Esse homem de tanta paciência era, nada mais nada menos, que Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco.

Li este episódio em 2013 quando ele acabava de assumir o papado, rendendo Bento XVI.

Nessa altura, como é de praxe, muitas individualidades foram entrevistadas dando o seu testemunho sobre o então novo Sumo Pontífice. E o recepcionista que aqui cito foi uma dessas pessoas. Por alguma razão que desconheço.

Contava o homem que tinha ficado bastante impressionado com a paciência de Jorge Mario Bergoglio e que, nos seus longos anos de recepcionista naquele local, tinha atendido muitos impacientes.

Perante demoras como esta, uns pedindo para voltar a ligar aos visitados, outros dizendo que iam fazer qualquer coisa e voltavam mais tarde, outros resmungando enquanto vagueavam pelo local, outros ainda, pura e simplesmente, desistindo, reacções todas elas diametralmente opostas à deste senhor que agora é o Papa. Uma verdadeira lição de paciência, por conseguinte.

Escusado dizer que me lembrei deste episódio agora que o nosso país se prepara para receber esse homem transcendental, o Sumo Pontífice, trazendo a sua mensagem de paz e reconciliação aos moçambicanos que muito precisam a esta hora. E também essa lição de paciência e compreensão. 

Eliseu Bento

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