Director: Júlio Manjate

De vez em quando: “Welcome”! (Alfredo Macaringue)

 

“A yima-yima”*  já começou. Mesmo sem nada, vamos festejar. Nem que seja com água dos riachos, vamos embebedar-nos. Na falta de aparelhagem sonora, temos as nossas vozes e, mais do que isso, os nossos corpos vão dançar assim mesmo. Apesar de não podermos ir ao talho e trazer de lá os apetecíveis bifes e fígados, vamos comer “tseke”. E se você não quer “tseke”, que se lixe. Na falta de viatura para levar a família à praia, vamos nos entulhar no “My Love”, como sempre temos feito. Estamos habituados, até ao dia em que vamos nos cansar. Também se não der para ir à praia, vamos ficar em casa. Aliás, esse tem sido o nosso lema, para não aumentar as dores de cabeça com a lufa-lufa de gente apressada, sempre a pedir para passar entre a multidão, dizendo: dacenci! dacenci! dacenci!

O nosso remédio para tudo isto que nos violenta é o riso. Estamos sempre a rir, por tudo e por nada. Mesmo com fome, estamos a rir. Com a barriga cheia, estamos a rir. Com a casa alagada de enxurradas, estamos a rir. Rimos muito, como o crocodilo. Pior agora que chegou a Txilar, o nosso riso vai aumentar. Parece que a 2M vai levar cabeçada, embora se diga que está a melhorar muito ultimamente. Ainda bem, estamos cansados de beber água no fim do ano, que traz o rótulo de cerveja. Obrigado, senhor ministro Ragendra, por nos ter ajudado a dizer as coisas.

No último domingo, ao fim da tarde, resolvi ir à casa de um amigo, aqui mesmo no meu bairro. No Choupal. Gosto de estar com ele porque Cossa, de seu nome, está sempre bem disposto, mesmo dormindo numa casa precária, com muito pouca coisa para comer. Ele gosta de rir. Ri por tudo e por nada, mesmo quando conta as suas desgraças. Fui para lá, onde o encontrei a beber cachaça, como sempre. Quando me viu recebeu-me com júbilo, dizendo alegremente:  “welcome”!

Cossa tem ancestrais machanganas, mas ele reitera que é maronga, porque nasceu aqui, em Maputo. Todos os seus hábitos são dos maronga. É por isso que, para mostrar que de facto é daquela tribo, anda sempre limpo, com camisa lavada e engomada e sapato bem engraxado. É um falador nato, e a maior parte das histórias que ando a contar por aí, na verdade é uma repetição daquilo que Cossa me conta. Quando se trata de conversar em ambientes amigáveis, onde não esteja o dito cujo, então eu transformo-me em megafone dele.

No último domingo já era Dezembro, e o meu amigo apelou-me à festa, que para ele já começou. É preciso festejar sempre, segundo ele, para não apanhar trombose. Pior agora que estamos em Dezembro, mês de celebração, vamos fingir que está tudo bem. Já não temos idade para pensar nas mazelas. Deixa isso para a juventude. Cossa diz que vamos comer aquilo que temos, e se não tivermos, vamos acreditar no dia de amanhã.

“Welcome”! Foi desta forma que o meu amigo me recebeu, deixando transparecer no seu rosto uma pessoa de fé. Alguém que pode transformar a  água em vinho, como Jesus Cristo!

A luta continua!

*Azáfama

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PERCEPÇÕES: Quando a intriga afasta amigos (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

A COMADRICE ou, se quisermos, o conluio ou a bisbilhotice, a cilada ou a carrapata são armas usadas pelos fracos, com o objectivo de obter ou destruir algo. Um indivíduo com estas características é intrigante; não tem amigos e “vive” como peixe fora da água. Indivíduos com estas distinções encontramo-los em quase todos os lugares. Que o diga a Irmã Salomé, despedida da Casa das Irmãs, na Igreja S. João Baptista do Fomento, após dez anos ao serviço daquela comunidade, vítima da bisbilhotice e traição alegadamente protagonizadas por certos paroquianos. Intriga em plena casa do Senhor.

Indivíduos com estas características vivem como autênticos sanguessugas. Eles não trabalham. Vivem da fofoca, alimentam adversidades e separações entre colegas de trabalho, entre a vizinhança e, onde quer que se encontrem, espalham mau clima.

Um intriguista é capaz de tudo. À primeira oportunidade diante de um superior hierárquico é tempo suficiente para bisbilhotar contra o colega, “enterrando-o” vivo. Inventa factos, alimenta mentiras, arma ciladas, trai, numa maquinação destinada a obter ou mesmo a destruir algo.

O Papa Francisco, na sua recente visita ao nosso país, comparou a intriga, a fofoca ao terrorismo. Para ele, terrorismo não é praticado somente com recurso às armas. Esta é uma outra faceta do terror.

Cuidemo-nos, pois, em todas as instituições, destes vermes que diante de nós se apresentam como amigos quando, por detrás, roem-nos pior que os ratos. São indivíduos muito maus. Piores que as cobras porque estas, na verdade, quando não provocadas, não fazem mal a ninguém.

Temos de ter muito cuidado com estes indivíduos, quais sepulcros caiados. Eles assemelham-se a tumores na sociedade, devendo ser expurgados porque nocivos. Com a sua ganância eles são capazes de tudo e, por isso, não deve haver tréguas na luta pela sua identificação e consequente denúncia. Em tempos idos havia nos serviços os chamados “xiconhocas”. Estes indivíduos são a outra face dos tais “xiconhocas”. Se os protegermos eles alcançarão a vitória: a destruição de uma sociedade.

Todo aquele que é superior, no seu local de trabalho, e não só, deve precaver-se daquele que lhe bate a porta, com cara de bom amigo, para lhe dizer e desdizer dos colegas. É bom que os superiores não dêem espaço a esses indivíduos, sob pena deles serem também parte integrante da fanfarronice.

A intriga mata. A comadrice destrói. A bisbilhotice corrompe. A cilada é má. O conluio é terror. Afastemos, pois, todos estes males, isolemos os seus autores e vivamos na verdade e na honestidade porque a intriga e a mentira não constroem.

Quem no seu sector de trabalho nunca foi vítima desta maldade que levante o dedo.

Até para a semana!

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Retalhos e farrapos: Relatório 1 – A triste morte de Ximatana (Hélio Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

O CORPO do Nyanga ainda congelava no frigorífico da morgue, o calor intenso da Mafalala chicoteava a pele de Ximatana que, com um copo de plástico bebia, gole a gole, o uputso (bebida tradicional) doce. O homenzinho transpirava, as gotas de água escoriam do seu rosto, corriam em maratonas infindáveis à busca de um destino incerto. De certo, o assassino do Nyanga estava em destino incerto, numa esquina da Rua de Timor.  A barraca “estraga viagem” estava em desuso, pois as bebidas confeccionadas eram fermentadas usando métodos pouco comuns. Contam as más línguas que dona Quitéria usava pilhas e outros materiais com químicos para acelerar o processo de fermentação. Verdade? Não sei, mas duas pessoas já padeceram depois de consumir a bebida daquela senhora.

Depois de mais de 10 horas na “estraga viagem” surge uma notícia, incomum: o Nyanga ressuscitou. Depois de ouvir a informação, Ximatane gaguejou umas palavras de espanto, olhou para o céu, deu dois passos, ajoelhou, sentou, esticou os pés, deitou-se, abriu os braços e descansou eternamente: morreu

TESE 1 – O NYANGA TEM PODER – Senhor Armando

Eu vi tudo: acompanhei o assassinato, vi quando Ximatana pegou na pá e cavou na cabeça do curandeiro. O nyanga caiu sem sentido, todos que estávamos ali sabíamos que não poderia sobreviver, levaram para o hospital, mas não sobreviveu.

Eu vi tudo: acompanhei a entrada triunfal do curandeiro que saiu da morgue e andou. Estava vivo, toquei o nyanga, senti o cheiro do sangue que Ximatana derramou. Ouvi as palavras de Mugoduene: “Meus espíritos não me quiseram… recusaram a minha presença, não me querem lá, ainda tenho uma missão”, dizia em Zulo, misturado com Ci-Ronga e um pouco de Cindau. Mudava de língua na repetição e no fim das frases dizia em delírio o nome da pessoa que lhe levou para a morgue: “Ximatana… Ximatana”.

E ouvi, vi, vi, vi tudo. Sabia onde Ximatana estava, corri para avisá-lo. Quando dei a informação os espíritos enviados pelo nyanga acabaram com a vida do masopene, apertaram o seu pescoço, tentámos dar ar, mas ele não resistiu.

TESE – INTOXICAÇÃO – Dona Artimiza

Foi a bebida da Quitéria. Aquela senhora recolheu muitas pilhas para fermentar aquela bebida tradicional. Foi Quitéria, aquela senhora é assim, todos os anos mata alguém para vender mais, ter mais sorte nos negócios. Não presta aquela senhora. É muito má. Infelizmente hoje Ximatana foi a vítima.

Conheço bem aquela senhora, alta, clara e gorda. Aquelas ancas delas são produto dos mortos, dos bêbados que ela mata. Rouba maridos também. Tentou roubar o meu, mas graças a Deus consegui trazê-lo de volta para casa. Acabou com o meu negócio, agora já não vendo mais bebida tradicional, vendo tomate.

Foi a bebida daquela senhora que matou Ximatana.

TESE 3 – GASTRITE AGUDA – Doutor Valter Brás

Relatório de Autopsia

Paciente: Carlos Osvaldo  dos Santos

Responsável: Doutor Valter Alfredo dos Anjos Brás

Para a elaboração deste relatório recorremos a dados fornecidos pelo Professor Reinaldo Freinder, legista que conduziu a necrópsia do paciente;

Imagens do acto da necrópsia e material colhido das vísceras do paciente, também obtidos junto do professor Reinaldo Freinder.

(…)

Causas da morte

O evento responsável pela morte do paciente foi falta de oxigenação aos tecidos, provocada por um excessivo consumo de substancias etílicas. Verificámos inflamação do revestimento do estômago. Pelo que os tecidos mostram, o paciente sentiu dores extremas na parte superior do abdómen...

(...)

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Dialogando: A formação de quadros na perspectiva de Samora (Mouzinho de Albuquerque)

 

TALVEZ começar por alertar os eventuais leitores de que falar sobre os feitos do falecido Presidente Samora não é e nem pode ser brincadeira para ninguém. Por isso, esta crónica vai ser “esticada”, não porque é um grito de revolta, mas sim um apelo veemente no sentido de o legado que o malogrado estadista deixou à pátria moçambicana, no domínio da educação e formação de quadros, não seja esquecido.

Depois da conquista da independência nacional Samora definiu a formação de quadros como prioridade no país. Por isso foram muitos os quadros moçambicanos que se formaram no exterior, sobretudo em países como Cuba, ex-URSS, RDA e outros, através de protocolos de cooperação assinados para o efeito. Tal como fizemos noutras ocasiões, hoje outorgamo-nos o direito de sermos os donos da verdade aqui, afirmando que um dos aspectos importantes e marcantes e que os moçambicanos não deveriam, sob quaisquer pretextos, esquecer, no que ao pensamento perspectivo de Samora diz respeito na formação de quadros, é o seu carácter anti-tribalista e regionalista. Até porque, já referimos aqui várias vezes, que Samora, quando se reuniu com os estudantes moçambicanos em Cuba, antes de proferir o seu discurso, primeiro disse que seria estupidez ouvir que entre eles havia tribalismo e regionalismo. Melhor dizendo, foi materializando o seu pensamento que muitos filhos dos camponeses e operários de todos os cantos de Moçambique tiveram a oportunidade ímpar de estudar no estrangeiro, cuja selecção era feita de forma credível e sobretudo transparente, abrangente e equilibrada. Nesse tempo se por exemplo a Zona Sul do país tinha que enviar para Cuba mil estudantes as outras zonas, designadamente Centro e Norte, também deviam enviar o mesmo número de estudantes.

Em Cuba, onde estudámos, a formação de turmas era feita no sentido de combater o tribalismo e regionalismo e isso incutiu o espírito patriótico e de unidade nacional aos estudantes. É preciso sublinhar que para Samora apostar na formação do capital humano sem preconceito tribal e regionalista ou doutra índole era uma via para que os vários sectores da sociedade moçambicana pudessem contar com quadros formados provenientes de todos os cantos do país.

Essa atenção que o Presidente Samora prestava em relação à necessidade de formação de quadros, olhando todo o país, deveria ser preservado e valorizado como legado dele.

Não basta que haja hoje muitas bolsas de estudo, por exemplo, para o exterior. Importa sim que elas (bolsas) sejam atribuídas ou ganhas de forma transparente, porque só assim é que, em nosso entender, serão abrangentes.

Precisamos de preservar o legado de Samora, fazendo com que o recrutamento e formação de quadros, quer nas universidades, quer noutros locais para, por exemplo, o projecto de exploração de gás, seja focado na unidade nacional, e isso deve ser também do conhecimento das próprias empresas investidoras, para que, desta forma, garantamos efectivamente oportunidades de emprego para todos os moçambicanos sem qualquer tipo de discriminação.

É preciso resgatar a perspectiva de Samora na formação de quadros logo depois da conquista da liberdade, despindo-a dos seus elementos retrógrados.

Até porque Moçambique não está mal comparativamente a muitos países do nosso continente no que à existência do tribalismo e regionalismo diz respeito.

Contudo, parece não haver dúvidas de que, ao ritmo a que evoluímos, com as reformas e mudanças que a sociedade moçambicana regista, tende aumentar a consciência e sensibilidade para a ainda imperiosa necessidade de se promover a formação de quadros, focada na unidade nacional. Ou por outra, chegado aqui, o nosso apelo reiterado aos moçambicanos é no sentido de todos empenharmo-nos em promover o progresso, desenvolvimento e o nosso bem-estar, cientes de que é fundamental que se invista cada vez mais e, por igual, na formação de quadros para a concretização desses objectivos, da forma como pensava o Presidente Samora.

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NUM’VAL PENA!: Jezebel! (Leonel Abranches)

 

O AMBIENTE estava frenético. A brisa do mar emprestava alguma suavidade e preenchia o espaço com alguma nostalgia. Cerca de oitenta pessoas de todas as idades e sexo davam vida ao bar/restaurante. Gente que dava cor e alegria. Os barmen respondiam aos pedidos com uma destreza interessante. A música, essa, era esmiuçada por um DJ eclético, que respondia com argúcia aos hits de cada temporada. Todo o mundo abanava o esqueleto enquanto desfazia por entre a cavidade bucal suculentos mariscos e bebericava cerveja a copo e aos baldes. O ambiente estava bom demais. Estava a animar. E depois foi anunciada a nova moda dos restaurantes e bares: o karaoke. Uma espécie de música ao vivo, onde qualquer um pode fazer valer a sua mestria na arte de cantar e, quiçá, encantar a partir de instrumentais de músicas. Os artefactos sonoros para o karaoke foram então montados e convidados os convivas para desintegrarem as cordas vocais. Os primeiros e mais destemidos se fizeram ao palco e entre versões totalmente desfasadas e outras aceitáveis lá foram fazendo as delícias da plateia. Aliás, outros, galvanizados pelo álcool, mas também por claques momentâneas, foram autênticos fazedores de espectáculo, quer pelo hilariante e patético papel ou mesmo pela performance digna de uma estrela de música. O importante era mesmo a diversão e, essa, estava a acontecer a rodos. Estavam todos envolvidos no espectáculo quando uma silhueta feminina fez a sua aparição. Uma aparição que sem ser ruidosa foi estrondosa. A senhorita não devia ter mais de trinta anos. Cabelos crespos e recolhidos anunciavam a sua negritude, ainda que os olhos acinzentados aumentassem o tom misterioso da sua pele. Uma preta que não sendo necessariamente dona de atributos de beleza ímpar irradiava como o sol de um verão típico. Cobria-lhe o corpo uma saia de um vermelho vistoso, com bordos também vermelhos e um blusão cujo decote denunciava ausência de maternidade. Sozinha, sentou-se a uma mesa na margem sul do bar. O barman, solícito, acercou-se dela com uma planilha do menu na mão esquerda, enquanto com a direita limpava sofregadamente a mesa com um pano. Não foi preciso a planilha do menu, pois com o dedo indicador e docilmente a “muchacha” pediu:

“Sirva-me um bourbon duplo por favor, sem gelo nem aditivos...”

O barman ficou ali especado e aparvalhado.

“Um o quê... madame?! Não apanhei...!”

“.... bourbon... sem gelo... e nem aditivos... seco..!” - a moça era dona de uma candura impressionante, alicerçada pela brancura dos dentes.

“Não temos essa coisa aí senhora. A lista de bebidas está aqui...” e espalmou o menu pela mesa sem esconder alguma desorientação pelo inusitado pedido.

Sem sequer olhar para a lista, a preta de olhos acinzentados e cabelos crespos elucidou jovialmente:

“... tem sim amigo e daqui consigo ver... dê-me aquele whisky ali, o terceiro na fila do meio...” e o barman lá se ia esticando, incomodado e melindrado.

“.. .esse mesmo amigo, Old Forester de dupla destilação... sirva-me um duplo por favor...”

Sorveu delicadamente um trago e com a mão direita foi tamborilando o tampo da mesa enquanto se deliciava da actuação dos circunstantes.

O barman acercou-se da senhorita outra vez e, com um sorriso matreiro, perguntou:

“Mais um bourbon madame? - a moça não conseguiu disfarçar uma enorme gargalhada e sentenciou:

“Mais um duplo sim amigo... e traga também um papel e uma caneta...” - o solícito barman desapareceu por entre o bar desconfiado.

Enquanto o barman servia o bourbon, a senhorita gatafunhou qualquer coisa no papel, dobrou-o em quatro e pediu para entregar ao DJ. Minutos depois aquele, com um sinal imperceptível e disfarçado, convidou a preta negra para o palco. Antes mesmo de se fazer à arena a senhorita pagou a conta e deixou uma generosa gorjeta. Planando por entre as mesas preenchidas, a personagem pegou no microfone e anunciou com uma candura desconcertante que ia cantar um hit de Sade Adu, cujo título era Jezebel.

A malta estava desconfiada, como se atrevia aquela “muchacha” a cantar Sade Adu? A verdade é que os minutos que se seguiram foram de um desconcerto emocional muito grande. Com uma impressionante naturalidade, a preta negra destilou a expressão pura do romantismo na canção e, sobretudo, “concentrou” as mais de oitenta pessoas que, embasbacadas, sentiram a carícia da voz proporcionando narrativas imaginárias.   

Com um tom sofisticado a moça encarnou Sade Adu e trouxe para o subconsciente de de cada um dos convivas o exotismo e o mistério do amor, a harmonia vocálica, a paz de espírito e a paz entre os homens. Foi um momento único e marcante. Quando a actuação terminou foi inevitável a explosão de aplausos e vivas, ao que correspondeu com o mesmo enigmático sorriso:

“Obrigado. Obrigado pelo carinho.”

Pousou o microfone e saiu do palco debaixo de estrondosos aplausos. Passava por uma mesa quando alguém, inebriado pela actuação, docilmente pegou-a pela mão e perguntou:

“Como te chamas mulher...?”

Com elevação, mas também humildade desconcertante, respondeu:

“Jezebel senhor. Jezebel...”

E abandonou o bar.

 

 

P.S.: Termino este ano a minha gesta de crónicas neste espaço. Parto para férias. Um abraço do tamanho do mundo. Boas Festas!


 

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