Director: Júlio Manjate

Acento Tónico: “Os carrascos estão a observar-nos querem contemplar-nos desfeitos” - Júlio Manjate (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

Começo assim, com uma vénia ao poeta e dramaturgo turco, Nazim Hickmet.

Por estes dias virou um desafio ser jornalista! Feitos verdadeiros guardiões da verdade, somos chamados a proteger a sociedade da mentira e da manipulação que, por estes dias, procuram espaço na opinião pública.

De facto, parece cada vez mais fácil distinguir aqueles impostores que apenas têm acesso a meios para divulgar informação, daqueles que não descansam enquanto não apuram informações verdadeiras, relevantes e de interesse público, para divulgar com responsabilidade, numa perspectiva de contribuir para a construção de uma sociedade melhor.

São duas correntes que disputam espaço no mercado, numa penosa luta entre o bem e o mal.

Com tanta coisa a acontecer por aí, e muita outra a ser inventada, nós, jornalistas, acabamos remetidos ao dilema de não saber por onde começar a contar as histórias que os cidadãos precisam de ouvir. Histórias sobre as verdades que precisam ser ditas, histórias que ajudem o cidadãos a tomar melhores decisões informadas, e a construir uma sociedade onde todos possamos viver melhor.

Com tanta coisa por dizer, fica sempre aquele receio de não conseguirmos dizer tudo o que deve ser dito, assumindo que há coisas que devem ser ditas hoje, porque amanhã pode ser tarde e podemos ficar o resto da vida presos a remorsos por não termos dito determinadas coisas a tempo de salvar algumas mentes.

Hoje em dia o mundo (e particularmente a minha pátria amada!) quase transborda de tanta informação e desinformação à volta do demoníaco Covid-19!

Toda a malta tem sempre uma novidade para disseminar. Não interessa o impacto que isso tenha. Toda a gente sabe o que o Governo faz e o que deixa de fazer; todo mundo tem palpites sobre o que o Presidente da República deve dizer e fazer, sobre as decisões que deve tomar!

De repente, toda gente tem referências sobre como “outros países” fazem para lidar com um problema que, sendo global, merece respostas específicas em cada país, considerando as inevitáveis diferenças entre si...

Anda tanto cientista por estas bandas, que a cada dia somos surpreendidos com novas fórmulas de produtos que devemos (ou podemos) usar para desinfectar os nossos ambientes, na impossibilidade de acederemos àqueles que as autoridades vão pacientemente nos recomendando.

São muitos os sabichões à procura de mercado, de tal sorte que não retiram os dedos dos teclados, tudo para serem os primeiros a partilhar tudo que lhes cai na caixa de mensagem aberta ao mundo. Outros, sabichosos, especializam-se na deturpação e distorcem tudo o que as suas antenas captam, para inquinar o ainda indefeso ambiente online com desinformações que, infelizmente, vão apanhando muitos desprevenidos.

Estranho mesmo, é ver como esta pandemia está também a ser usada como arma de arremesso por políticos sem escrúpulos!

Como disse, é tanta coisa que há por dizer nestes dias difíceis, porque são muitos os cidadãos incautos que vão sendo infectados pelo vírus da mentira e desinformação. Ou seja, para os verdadeiros jornalistas, é imensa a luta que há por fazer, para salvar a sociedade da mentira e falta de pudor.

Ontem mesmo, uma mulher interpelou-me perguntando, desesperada, se era verdade que os militares e agentes da Polícia sairiam à rua a partir do meio dia, para obrigar o povo a recolher às suas casas por causa do Covid-19. Disse à mulher que se ela quiser saber a verdade sobre essa coisa do coronavírus, o melhor é estar mais vezes ligada à Rádio Moçambique. E disse isso com todos os pulmões, porque sei que a rádio é um meio acessível para a maioria, e rádio pública faz as coisas com responsabilidade, “ não fala só porque tem boca”, como muitos fazem...

Para o meu azar, ao cair da tarde, dei comigo a ler um absurdo distribuído através das redes sociais, a citar um suposto estudo que quase recomenda os cidadãos a andarem sem roupa, no pressuposto de que o novo coronavírus fica grudado por muito tempo no tecido, no ferro, no plástico, na madeira, na porcelana, no vidro e até no papel.

Com tantos sabichos à solta, a leitura, esse velho e nobre hábito, que se ponha a pau!

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Limpopo: Gaza entre cuidados e negligência - César Langa(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

PASSAM já algumas semanas depois que o Governo da República de Moçambique começou a avançar com algumas medidas, para se prevenir a propagação do novo coronavírus, no país, começando pela interrupção de aulas a todos os níveis. Para além desta medida, outras recomendações foram dadas, todas elas com o fim último de evitar que pessoas se contaminem com este adversário invisível e que, de forma cobarde, não obedece a nenhuma regra do jogo, do qual, a humanidade tem a convicção de poder vir a ganhar.

Acatando as medidas de prevenção, estabelecimentos públicos daqui da província de Gaza, quase todos eles, introduziram o uso de água para todos os utentes lavarem as mãos antes de se fazerem para o interior. Faz-se isso nos bancos, nas lojas, nas barracas, nas padarias e outros locais similares. Alguns cidadãos, ainda que com algum humor, pincelado de gracejos, já não se saúdam com aperto de mão, fazendo-o com cotovelos ou com a parte interna dos pés.

Fazendo fé à quantidade de informação que circula através das redes sociais e outras fontes não oficiais, é comum ver pessoas circularem com máscaras, mesmo distante de qualquer possibilidade de contágio, ainda que a recomendação do uso deste dispositivo seja para a situações de casos suspeitos ou confirmados.

De domingo para ontem, na a cidade de Xai-Xai, começa-se a registar redução de número de pessoas nas ruas, o que configura outro sinal de isolamento voluntário, quanto a mim, bastante positivo, pois a prevenção é a grande estratégia para esta contenda com um adversário cobardemente invisível.

Mas temos o outro extremo nesta luta. Um sector da sociedade, cá nas bandas do Limpopo, parece não acreditar na realidade e no perigo do novo coronavírus. Pior ainda, muitos destes cidadãos assumem a convicção de saberem tudo sobre este vírus que vai somando mortes em muitos países deste planeta. São estes que protagonizam enchentes nas barracas, sem a observância da distância (um metro) recomendada. Falam normalmente em frente dos seus convivas, minimizando as orientações dadas pelas autoridades sanitárias. Assim que o vírus eclodiu na China e se espalhou pela Europa, pensa-se que o novo coronavírus é “assunto deles”.  

Nos bancos e em algumas lojas de telefonia móvel impõe-se um determinado número (bastante reduzido) de clientes no interior, variando das dimensões e da quantidade de servidores, por cada vez. Entretanto, as pessoas que buscam seus serviços ficam aglomeradas do lado de fora, completamente expostas às condições e possibilidades de contágio. Um dia insurgi-me contra um cidadão, numa padaria, que insistia que me aproximassedo que estava à minha frente, para a compra do pão, como se a permanência num espaço mínimo de um metro colocasse em causa a possibilidade de ele adquirir o produto e levá-lo para casa.

Ontem, vi, com uma elevada dose de tristeza, um “monte” de pessoas na porta da loja de uma telefonia móvel, para a troca de cartões e busca de outros serviços. Aliás, nem mesmo os seguranças que orientam a higienização antes de entrar ajudam a estabelecer a separação recomendada, esquecendo-se que, saindo contaminadas do local de espera, as mesmas as pessoas podem pôr em risco a vida dos servidores.

PS: Cá, entre nós, talvez seja oportuno a Dra. Mulássua Simango, Directora Provincial da Saúde de Gaza, em coordenação com a sua equipa de trabalho, estabelecerum mecanismo, entre as plataformas possíveis, para uma interacção mais directa com os órgãos de informação, aqui sediadas, em nome da nossa parceria, para a difusão de toda a informação e as respectivas actualizações sobre o novo coronavírus, aqui na província, para todos jogarmos limpo(po).

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Da janela de qualquer lugar da casa não consigo ver o movimento da rua, das barracas à volta, mas sinto o ensurdecedor barulho do silêncio da criançada nas idas e vindas da escola, sinto o perturbante silêncio do roncar dos motores de grande cilindrada nas noites e nas madrugadas em finais de semana. Sinto e sentimos, ainda que num regime reclusório, o quão belo e reparador são as noites em tal estado. Com tal ausência.

É aqui nesta parte de Macopene e é noutros lugares, daqui e do mundo, em que a democracia florescia e nos fazia diferentes uns dos outros, descriminados pela natureza, a mesma que nos torna iguais. Ou que torna os outros iguais aos que não eram na sua tonteira do fausto. Agora todos nos banhamos nessa grande barrulheira do silêncio que aCovid-19 derramou sobre o planeta terra. Nesse sabor da fome e das lágrimas da restauração que tem de se reinventar. Tudo isso não consigo ver,mas consigo sentir que o peso da minha bolsa continua com o peso mais ou menos inalterável, vão uns dias, talvez semana e pouco, mas são sempre dias.

Na verdade nunca foi de peso com alguma dignidade, mas é peso que dá certo gozo quando introduzo nela o polegar e o indicador, toco no conteúdo, acaricio as moedas e depois largo-as e volto a correr o cordão e um leve sorriso se aflorando nos finos lábios desejosos de uma taça de campar ou de um duplo de um álcool afugentador de quaisquer vírus. E então a esperança, a certeza que esta condição de recluso me dá de um vir a sorrirsentado num banco alto e com os cotovelos apoiados no balcão e entre eles a taça, ou o copo, tudo isso, de alegria.

Da janela não vejo nada, mas as televisões mostram imagens de compatriotas que desenrascando a vida na vizinhança, entram no país aos milhares. Há quem diga que não deviam regressar porque podem estar infectados.Mas como não regressar á casa? Pior. O vizinho fechou todos os serviços e não deixa pessoas circularem pelas ruas. Muitos dos meus compatriotas eram,são, vendedores ambulantes e tinham na venda diária o pão para o dia, a soma para o pagamento da renda de onde ao final da jornada mete a cabeça.

A oficina fechou, o supermercado, também. De repente tudo ficou bloqueado. Mas em Macopene a terra ainda dá mandioca. A velhota mantém a cabana e é de borla dormir. Porque não voltar antes que o chumbo penetre-lhes as carnes, a fome os leve mais cedo. E porque não a alegria de rever a família da longa ausência, de longo afastamento. Quem sabe não sirva para a reestruturação da mente e amanhã não tenha de partilhar a cabana da velhota que vive de caridade, de venda de rebuçados, quando isso é possível.

Que entrem e que sejam bem recebidos e no dia a dia não se pode baixar a guarda da distância recomendada, como o é mesmo entre nós que não estivemos do lado de lá nestes dias “Codivados”.

Vamos rindo e vivendo mesmo nas condições de confinamento, que dias piores hão-de chegar. Comermo-nos-emos quando tudo já não houver: a periferia tomará o burgo com tal violência em busca do nada nas dispensas já limpas. Já vazias.

Será mais uma acção da Covid-19.

Eu não consigo ver, senão os momentos que as caixas embrutecedoras me dão a ver, mas consigo sentir o quão difícil deve ser para quem vive num apartamento, mas olhe que há os que vivem em um quarto. Em um quarto de hotel e continuam com o sorriso, com a esperança de um dia voltarem á discoteca e à madrugada regressarem a casa aos trombolhões para depois se dizerem felizes.

Será da poupança dos dias do NÃO trazidos pela Covid-19.

Consigo ver, sim, as galinhas em multiplicação constante, o que pode ser de grande ajuda para os dias que se aproximam. Pode acontecer que o acesso aos mercados não seja fácil e…os preços então… mas tenho as couves, as hortaliças e a mandioca. Podendo lá chegar, não será a fome, mas até pode ser ela mesmo: os meus compatriotas chegados, dessas coisas podem se servir sem que consinta.

Os tempos são de muita incerteza, mas é preciso lutar.

A reclusão voluntária pode adiar, senão mesmo salvar!

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PERCEPCOES: Ataques devastadores: Salomão Muiambo (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

PREOCUPAM-ME, sobremaneira, os ataques que, de há uns tempos para cá, devastam o país.

São ataques devastadores que necessitam de respostas igualmente devastadoras. O novo coronavírus chegou a Moçambique, de forma sorrateira e, tão devastador que é começa a preocupar, isto a julgar pelo número cada vez mais crescente de infectados, que se regista em cada dia.

Lá de onde vem, a China, na Ásia, e por todo o lado onde passa, nomeadamente a Europa, a América, a Oceânia até chegar à África e a Moçambique, em particular, o novo coronavírus não poupa vidas.

Não havendo cura para esta pandemia torna-se premente a observância das medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias com vista a se travar a sua propagação. São medidas que mudam radicalmente o nosso estilo de vida, mas que importa segui-las, tendo presente que só elas podem ser a nossa salvação.

Para o caso de Moçambique, este “inimigo invisível” associa-se a um outro também “inimigo invisível” que promove ataques devastadores na região Norte do país. Cá, entre nós, chamamo-los de malfeitores. E, na verdade, o são. Autênticos facínoras.

As imagens que nos chegaram, esta semana, da Mocímboa da Praia e da vila de Quissanga, na província de Cabo Delgado, mostram o quão perversos são os autores daquela bandidagem.

Em dias separados, devastaram Mocímboa da Praia e Quissanga, num autêntico desafio à autoridade estatal. Pilharam bens. Espalharam terror no seio da população que se viu forçada a fugir em debandada à procura de lugares seguros. E, por falar de terror, sinto-me tentado a concordar com o Professor Doutor Lourenço do Rosário, em entrevista recente a uma publicação semanal, ao afirmar que, o que se passa, em Cabo Delgado, não é nenhuma insurgência, mas sim o espalhar do terrorismo internacional para o nosso território. E, porque tal, este académico não vê o Governo moçambicano a encarar sozinho o problema e sozinho resolvê-lo.  

Portanto, estamos perante dois “inimigos invisíveis”, ambos protagonizando ataques devastadores (muito embora a Covid-19 ainda não tenha feito vítimas cá entre nós, mas devasta noutros cantos do globo) que merecem respostas igualmente devastadoras para a sua eliminação.

Estamos, pois, perante dois inimigos, sendo um pior que o outro.

Até para a semana!

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De vez em quando - Baixa da cidade de Maputo: quem me dera! - Alfredo Macaringue

 

Quando passei por ali ontem, à caminho de casa, depois do cumprimento das minhas obrigações laborais, a cidade parecia outra. Estava leve, que até apeteceu-me descer do carro e andar a pé. Sentir o prazer de caminhar livremente pelos passeios e espelhar-me nas montras. Mas também há uma outra imagem que me veio, a de uma cidade abandonada pelos seus moradores que podem ter fugido para algum lugar. Esse o lado da imaginação.

Naquelas condições o espaço estava aberto para a ventilação do ar. As pessoas não se acotovelavam. Não há aquele “dacensi, dancesi, dancesi”. Não há bancas nas calçadas, e o silêncio que reina, é coisa que a saúde agradece. Não parece Maputo, a Maputo que mesmo assim ainda precisa de se arejar. E comportar-se como uma verdadeira capital de um país, do qual todos nós vamos nos orgulhar.

Mawako ! (quem me dera)! Quem me dera que este cenário fosse duradoiro, porque afinal estamos no século XXI, e por via disso o nosso dever é colocar as coisas nos seus devidos lugares. Temos que nos sentir orgulhosos e à vontade quando os visitantes demandam a nossa urbe. Temos que fazer jus à música de Hortêncio Langa, quando a dado passo diz: Maputo cidade, quem te abraça não te larga mais.

Eneas Comiche é urbano, e sobre isso parece não haver dúvidas. Ele sabe muito bem o que está a fazer e o que deve fazer por uma cidade que dirige como “Mayor”. Já o mostrou antes, e agora volta a içar a sua bandeira de desenvolvimento. Aliás já nos tinha dito na sua campanha: vamos txunar Maputo. E está aí o homem, que deve ser apoiado por todos nós.

Mas estes aplausos a favor do “ Mayor” de Maputo  não significam, de forma alguma, que eu estou contra os meus irmãos que vendiam nos passeios da baixa. Nada disso! Compreendo perfeitamente a luta deles pelo ganha-pão diário para sustentar as famílias. Sei também que aquele trabalho é duro. Muito duro. Porém, é preciso compreender, por outro lado, que a dinâmica de uma cidade moderna não se compadece com determinados actos e comportamentos. Para além de que acredito piamente na capacidade de resiliência dos meus irmãos. O moçambicano tem capacidade de recomeçar, e provou isso em diversos momentos dos mais difíceis.

Não vai ser fácil esta nova fase, irmãos, eu sei! Porém, também tenho fé, que o tempo vai-se encarregar de vos mostrar que Eneas Comiche tem razão.

Vamos txunar Maputo !

A luta continua!

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