Director: Lázaro Manhiça

PERCEPÇÕES: Somos culpados! (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

ESTA sexta-feira seria igual a tantas outras em que primei pela ausência neste espaço, apesar da habitual promessa “Até para a semana”,no final de cada prosa. As agendas são tantas de tal modo que às vezes esquecemo-nos dos nossos compromissos.

Recusei-me que fosse igual, pois não podia guardar silêncio face ao difícil momento que o país atravessa, caracterizado pelo aumento exponencial de casos da Covid-19, com centenas de óbitos à mistura.

Em parte, somos culpados. Assumamos.

Somos culpados porque não soubemos aproveitar a oportunidade que nos foi dada em Dezembro, com o relaxamento de certas medidas restritivas, para nos comportarmos responsavelmente. Confundimos o alívio dessas medidas com o fim da pandemia. Com o verão,então,voltamos a “inundar”as praias, sem a observância das regras recomendadaspara a frequência a estes lugares de lazer. Retomamoscom toda a genicaas arruaças de barracas, caracterizadas por consumo abusivo de bebidas alcoólicas, nalguns casos com a mistura de outras substâncias, fortes saudações, sem a observância do distanciamento físico; saímos à rua semamáscara, tudo em atropelo as regras de contenção da doença. O cúmulo de tudo foi a quadra festiva, caracterizada por ajuntamentos de familiares e amigos, ambientes férteis para a propagação da doença. E o resultado está à vista: a Covid-19 já resultou em mais de 200 óbitos e também mais de 23 mil infecções de Marçodo ano passado a esta parte, com os números assustadores da quadra festiva para cá.

Vivemos em situação de calamidade pública desde Setembro passado, mês em que terminou o estado de emergência, prorrogado por três vezes. Nunca respeitamos as regras e desta vez o Governo “zangou-se” connosco, endurecendo de certo modo as medidas restritivas. Bares e barracas de venda de bebidas alcoólicas, discotecas e salas de jogos encerrados sem contemplações. E a Polícia estará atenta e pronta para actuar contra os prevaricadores. Restaurantes e casas de pasto funcionam das seis da manhãàs 20 horas durante a semana e das seis às 15 horas aos sábados e domingos.

São, na verdade, medidas duras mas necessárias para travar a propagação da pandemia, numa altura em que a nova estirpe da doença está à espreita a partir da vizinha África do Sul. Aliás, as autoridades sanitárias, mesmo sem elementos de prova, admitem que ela esteja a circular no país. E diz-se que ela é mais perigosa que a Covid-19. Tenhamos cuidado.

Somos culpados pelo endurecimento das medidas, porque não nos comportamos com a devida responsabilidade. E se quisermos provar o contrário temos pela frente 21 dias, contados a partir de hoje, estabelecidos para ver até que ponto conseguimos inverter o curso dos acontecimentos.

É possível, desde que cada um assuma as suas responsabilidades.

Até para a semana!

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CENÁRIO: Que expectativas nas relações Moçambique-EUA na era Biden (PAULO DA CONCEIÇÃO)

 

O PRESIDENTEeleito dos Estados Unidos, Joe Biden, toma posse no próximo dia 20, dando início formal ao seu ciclo de governação para os próximos quatro anos.

Sendo os EUA considerado a principal potência do mundo, que expectativas podem ser criadas nas relações entre os Estados Unidos da América e Moçambique na era Biden?

Pesquisadores consideram quea política norte-americana para a África tem sido essencialmente a mesma, tanto para osdemocratascomo para os republicanos.

Em termos gerais, esta parceria cobre essencialmente duas áreas: a económica e a militar. É também sob este prisma que se pode antecipar o futuro das relações entre Moçambique e os EUA.

No que respeita às políticas económicas em vigor dos EUA para o nosso continente  (incluindo Moçambique), elas são definidas a partir da lei para Oportunidade e Crescimento para a África (African Growth and Opportunity Act, AGOA).

O AGOA é um acordo comercialdestinado a facilitar o acesso ao mercado americano de produtos originários dos países beneficiáriospor via da remoção de quotas e tarifas aduaneiras;bem como a expansão do sector privado, em particular os negócios da mulher.

Assim, é expectável que este instrumento continue a guiar, no plano económico, as relações entre Moçambique e EUA na era Biden.

Moçambique já se beneficiadeste mecanismo de acesso ao mercado, preferencial,americanodesde o ano2000. O governo americano estendeu, recentemente, a vigência deste acordo por mais 10 anos.

É importante referir que, apesar da elegibilidade da AGOA, Moçambiquenão aproveitou plenamente as isenções preferênciasprevistas no acordo.

Na sua Estratégia Nacional sobre o AGOA (2018-2025), o Governo do nosso país reconhece, por exemplo, que ovalor das exportações de Moçambiquepara os EUA, em 2016, situou-se um poucoacima dos 100 milhõesde dólares, aproximadamente 3%das exportações totais.

Além disso, as exportaçõesno âmbito do programa AGOA foram umpouco mais de 1 milhãode dólares, o que representamenos de 2% das exportações totais para osEUA.

Apesar do baixo volume de exportações para osEUA e da fraca utilização da AGOA, Moçambiquepossui um sector de exportação compelo menos 20 linhas de produtos que seriamelegíveis para a AGOA se fossem exportadas paraos EUA.

Enfim, são problemas e desafios sobejamente conhecidos e que se resumem na necessidade de se conferir maior eficiência efazer mais investimentos no sector de exportação,bem como fornecer assistência às empresaspara que estas sejam mais pró-activasno âmbito daAGOA.O que falta é sairmos da retórica para a prática!

Relativamente àárea militar, ela está também ligada, em certa medida, ao sector da economia.

Segundo o pesquisador Paris Yeros(2020), apesar do AFRICOM ser parte da estrutura militar global dos EUA, queé responsável por missões e ataques com drones em países da África, ele é um comando que, ao mesmo tempo, é usado como um instrumento de busca desegurança energéticanorte-americana, via petróleo e gás,tendo também em olho a crescente presença da China no continenteafricano.

Entretanto, assumindo que a parceria económica [da África] com os Estados Unidostem conhecido uma redução desde 2008-2009, principalmente devido àrevolução na produção de petróleo nos EUA, que tem levado a diminuição das exportações de petróleo e gásafricano para os Estados Unidos, Moçambique deve estar em alerta para que não caia na ilusão de ver a sua parceria com os EUA incrementada por conta da descoberta de importantes reservas de gás na Bacia do Rovuma.

Por fim, parece que a visão imperialista dos EUA prosseguirá com Biden, usandotambémpara o estabelecimento de relações de imposição e subordinação, na sua relação com Moçambique, outros instrumentos económicos como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Dialogando: Matar jornalistas é matar a verdade (Mouzinho de Albuquerque)

 

O RELATÓRIO da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) refere que, de Janeiro a Dezembro do ano passado, 50 profissionais da comunicação social foram mortos em todo o mundo, em função do trabalho que desenvolviam. Daquele número, 34 não estavam em zonas de guerra ou conflito armado.

Segundo a organização, o número de mortos “permaneceu estável”, quando comparado com igual período do ano anterior, em que foram assassinados 53 jornalistas. A RSF destaca o facto de os profissionais estarem cada vez mais a ser mortos em países em paz, enquanto que a proporção de jornalistas assassinados em zonas de conflito diminui.

O percentual de jornalistas mortos em áreas de paz era de 42 por cento em 2016, subiu para 60 por cento em 2018 e chegou a 68 por cento no ano passado. No mesmo período, o percentual de profissionais mortos em zonas de guerra ou conflitos caiu de 58 por cento para 32 por cento.

O México foi o país mais mortífero para os jornalistas, com oito mortos, seguido da Índia e Paquistão, com quatro assassinados cada, Filipinas e Honduras, ambos com três. A RSF destaca ainda o facto de nos últimos 10 anos, terem sido mortos em todo o mundo 937 jornalistas em função da sua profissão.

São números macabros que geram indignação profunda, claro, para quem prima pelo bom senso, respeita e sobretudo valoriza, não só a profissão do jornalismo, mas também da própria vida humana, neste caso dos jornalistas.

Todavia, os números demonstram que a liberdade de imprensa está em declínio no mundo e o maior perigo é o modelo de governos autoritários e corruptos, para além da actuação dos terroristas e narcotraficantes, que transparece não quererem a tradição do exercício do jornalismo incisivo, abarcador e que retrata de forma coerente a realidade. Os políticos continuam a atacar a imprensa por quererem impor ao público discursos que mais convém no interesse deles.

Esses assassinatos indiciam que mesmo que o jornalismo constitua um dos pilares fundamentais da democracia, pelo contrário, os autores morais e materiais continuam a não compreendê-lo (o jornalismo) e ver com bons olhos, principalmente os detentores do poder despóticos, por esta profissão assumir posições intransigentes na crítica às incoerências institucionais e outros males como nepotismo, compadrio e corrupção. Seria bom que se entendesse no mundo inteiro, numa perspectiva realista, que os meios de comunicação social se afigurem instituições com o papel fundamental na luta contra a corrupção, terrorismo e outros malesque enfermam as sociedades.

Além de solidarizarmo-nos com os colegas que foram silenciados no mundo, no cumprimento da sua missão de informar com liberdade e independência em nome da sociedade, o que nos leva a comentar indignadamente aqui, é que alguns deles (jornalistas), foram ou têm sido mortos em condições, particularmente,bárbaras, como aconteceu por exemplo, com o jornalista mexicano Julio Valdivia Rodriguez, do diário “El Mundo” do Estado de Veracruz, que teria sido decapitado.

A situação torna-se mais preocupante quando se sabe que mesmo em países considerados democráticos, incluindo alguns democraticamente maduros, a cobertura política ou o tratamento jornalístico da actividade política do governo e de outras áreas, também é perigoso, onde se exige que o jornalismo assuma posicionamento pró-governamental, fazendo com que os profissionais reportem assuntos na perspectiva do “politicamente correcto”, o que não passa de uma instrumentalização da profissão por parte do poder político instituído.

É verdade que isso não acontece em todos os órgãos de comunicação social. Contudo, não deixa de pôr em causa a seriedade, imparcialidade, honestidade e utilidade do jornalismo para a sociedade.

Ninguém no seio da humanidade deve agradar essa tamanha barbaridade e o estado para onde levamos o jornalismo e os jornalistas, que muito contribuem para a consolidação efectiva do processo democrático no mundo.

Para tal, precisamos de fazer ounossubmetermossempre a auto-avaliação e introspecção permanentes, para que num Estado de liberdade de opinião, imprensa, expressão e de direito democrático, não haja censura informativa, motivada pela cultura de intolerância política que parece ter emergido para ficar, sobretudo quando um jornalista “ousa” em defender ideias diferentes, que tem sido uma das causas do assassinado dos profissionais de comunicação social no mundo. Matar jornalistas é matar a verdade! 

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Retalhos e Farrapos: Tenho tonturas e outros textinhos (Hélio Nguane-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

ACARICIEI omeu filho com ternura, senti o cabelo liso, as minhas digitais, o rosto, as semelhanças, o calor do ser humano, daquele pequeno ser indefeso e meigo.

Vi as gengivas, nem sei se bebés sem dentes são sorridentes, mas sei que ele sorria para mim, queria meu colo.

Senti o cheiro, quase lacrimejei. Ele babou na minha camisa nova, limpei o leite da mãe, agradeci o milagre.

Apalpei meu desejo, dei um nó firme, baixei o autoclismo, ciente de que não verei tão já o meu pequeno.

REVIM

Sentei-me na mesma cadeira giratória, senti o seu peso, vi o teu rosto, acaricie os cabelos, partilhei a minha saliva, contei a minha rotina sem ti e tive a impressão que teu único interesse era ver como vim ao mundo.

Deixei o suor rolar, enquanto arrumava os arquivos desorganizados do meu desktop, reparei que a secretária estava igual, a mesma desordem, a mesma poeira. Pelo tom de voz, percebi que ainda sobravam mágoas. Vesti o tecido da compreensão, aceitei as falhas e propôs um passeio pelo Jardim da Liberdade.

Andamos soltos, mas o vento do passado ainda soprava e neste momento percebi que a única solução era fechar os olhos para evitar a areia e a poeira.

No final, olhei para as anotações no bloco de notas, a minha caligrafia estava incompreensível, no fundo retornar é uma decisão difícil de ler.

Acordei, percebi que era um sonho. Voltei a dormir. Acordei, mais uma vez, percebi que era um pesadelo. Adormeci. Acordei, de novo, mais confuso que das duas outras vezes. Adormeci, acordei, não sonhei e estou grato por não ter retornado, acho que não fomos feitos um para o outro.

ÁGUAS

São duras e não vão mudar. Enquanto o vento aranha o meu rosto de adolescente sonhador, recordo daquelas cabeças que não amolecem. Mordo o pão duro, o ovo, sinto o sabor da salada sem alface e com muito vinagre.

Não vai mudar, não vão mudar, é complicado mudar, há medo de mudar, para quê mudar?

O martelo faz faísca, mas o prego nega, não aceita furar. Imprimo mais força, mas é complicado derrubar uma montanha quase centenária. Tiro as luvas e percebo que não serei a gota de água destinada a perfurar a pedra.

SEM TÍTULO 

Uma mosca incomoda-me: voa, pousa, grita e tenta atrapalhar a construção do meu texto.

O vento incomoda-me: sopra, berra, move os móveis, até a colher de metal que está no meu prato verde alface e congela os meus dedos por 1 minuto: por 60 segundos não escrevi.

Um esquilo tira a minha atenção: entra na sala, olha para mim, abana a cauda, mostra os dentes, sorri e parte. Olho para o documento em branco e questiono porque parei de escrever. 

O silêncio já incomoda: a folha felizmente não está em branco, tem a mosca, que foi esmagada pelo vento, as pegadas do esquilo e as impressões digitais de um ser solitário que não tem argumentos para mandar embora os únicos seres que ainda lhe suportam. 

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LIMPOPO - Até quando, esta irmandade aparente?: César Langa(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

DIZ-SE, normalmente, que “depois da tempestade vem a bonança”. Entretanto, o cenário que se viveu, até semana passada, na fronteira entre Moçambique e a África do Sul, em Ressano Garcia, inverte o adágio, em proporções bastante penosas, para qualquer mortal, pois, depois de uma quadra festiva, passada com os familiares e demais, os nossos compatriotas que trabalham na vizinha África do Sul passaram por momentos dramáticos, só para regressarem aos seus postos de trabalho. Ou seja, depois da bonança, veio a tempestade.

O regresso migratório intenso na fronteira de Ressano Garcia é um exercício bem conhecido, com um histórico bastante antigo e com sinais de se perpetuar, ou pelo menos durar por muitas e várias gerações. Por ser uma prática sobejamente conhecida, todos os anos, as autoridades dos dois países têm-se esmerado, no sentido de redobrar esforços, para que os utentes desta fronteira não passem por momentos de desconforto, aturando longas e demoradas filas, para procedimentos migratórios.

Para a última quadra festiva, era, também, sabido por todos, que o procedimento seria diferente, em razão dos condicionalismos impostos pela pandemia daCovid-19. Por esta mesma razão, era previsível que medidas especiais fossem accionadas, para minimizar o sofrimento dos viajantes, mesmo no âmbito do novo normal. E não custava nadase clarificaros procedimentos e as exigências que este momentoexige, como forma de prevenir a propagação do novo coronavírus, num exercício a ser feito e/ou partilhado pelas autoridades dos dois países, tratando-se de um processo recíproco. Aliás, não são apenas moçambicanos que procuram entrar para a África do Sul, como também, e em grande medida, sul-africanos procuram atravessar para a Pátria Amada, cheia de recursos, que não sossegam a cobiça dos cidadãos do país que ajudamos a sair das garras do regime do Apartheid.

Talvez nem precisasse de voltar a fazer referência a muitos dias de espera, na fronteira, com congestionamento de arrepiar, tornando o momento cheio de incertezas e até de desespero de muitos compatriotas nossos, com ameaças de perda de empregos a pairar, porque chegavam situações em que durante horas as viaturas não se moviam para sentido nenhum. E tudo veio a piorar com o anúncio da rejeição de testes rápidos da Covid-19, pelos sul-africanos.

Esta situação, mais do que caricata, quanto a mim, veio-me lembrar de muitas outras atrocidades, em termos de relacionamento, que os sul-africanos têm cometido contra os moçambicanos, mesmo se cantando por tudo quanto é canto, que “somos irmãos”, histórica e geograficamente ligados. Lembrei-me, também, da vez em que os sul-africanos condicionavam a posse de um determinado valor em randes, para os moçambicanos poderem atravessar a fronteira, palhaçada que só veio a ser corrigida com a imposição de posse de valores em meticais, para se entrar para Moçambique.

Acredito que, para este último caso, se tivesse ficado claro, desde o princípio, que só valeriam os testes feitos em laboratórios, todos os utentes da fronteira teriam recorrido, atempadamente, a estes serviços, cada um de acordo com o seu calendário. E não era necessário que se tivesse extremado posições que em nada abonam o nosso relacionamento, como estados e, acima de tudo,vizinhos. Afinal, até quando esta hipocrisia configurada numa irmandade aparente? Vamos lá jogar limpo(po)!

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