Director: Lázaro Manhiça

Sigarowane: Aquela vaca (Djenguenyenye Ndlovu)

 

NÃOfoi pouco o esforço feito para que o colchão e os lençóis o libertassem. Poderia fazer todo aquele dia naquele lugar porque se sentia bem. Ia adiando o salto da cama e os minutos não paravam de correr. Não tardaria que o telefone assinalasse a entrada de mensagem com o invariável teor: o texto? A caminho, já fecho, eram,geralmente,a resposta. Naquele dia não queria responder a mensagem. Podia reivindicar uma condição maior: são anos e anos de nãointerrupção, no entanto de muita saúde, de muito gozo sempre que se chega ao fim. Então lança a mão ao celular que está na mesinha de cabeceira e faz uma ligação e do outro lado respondeu a simpáticavoz da coordenadora.” Há anos falamos disso. A sua hipótese é em Março,mas pode começar em Fevereiro, deixando materiais para as edições,estamos conversados?” Diz ela.

E então não há como continuar nesta prazeirosa vida de barriga para cima a olhar para uma tela que não está ligada. Engole uma chávena de chá de gengibre,já a cair para o morno. Reagem os órgãos internos. Aguarda um instante e depois emborca chá de cacana na quantidade de uma xícara de café. O amargor é forte,mas são dezenas de anos de toma deste veneno,isso e os remédios convencionais, que a pouco e pouco os vai substituindo pelas folhas e raízes do seu não muito pobre bosque, bosque da natureza e do seu esforço(?). Tem ainda um txôti, incluindo a água, de três misturas. Fica para daí a uns minutos.

Com o apoio das duas mãos levanta-se da cama e não se lembra do robe abençoado, de estrear, e adentra o quarto de banho sem a clareza do que vai fazer,mas uma vez lá, as coisas aconteceram,mas só quando ia a meio do café,por aí onze horas,se deu conta de que ainda não lavara a boca. Riu-se do facto e sobretudo de gostar das línguas de animais,cozinhadas com água e temperadas com sal grosso,acompanhadas de puré de milho da véspera,ah!!! Psuá e depois um gole de vinho de cajú por debaixo da mangueira da casa de vovó Djambi. É disso que se lembra sempre que termina o mês de Novembro e são os seus sonhos até ao mês de Fevereiro, quando cai no pote de vinho de canhú.

Hum… E a boca que ainda não lavou…

E tem de trabalhar. A coordenadora aguarda. A inspiração há-de encontrá-lo no exercício, como em muitas outras vezes e em outras actividades, surgiram no decurso as explosões,as vibrações do fazer,também.

Está um sol sacana lá fora,mas a trabalhar, só se sente lá mesmo. Debaixo daquela copa da mangueira, seu escritório, passam mais de dezena de anos. E a copa não deixa  nadinha de luz maliciosa atingí-lo em ponto algum. Não há sequer uma leve brisa que penetre dos nenhuns intervalos dos fios circundantes e provedoras de alguma frescura.

Mas ainda assim tem de se desfazer da camiseta azul,comprada há muito mais de dez anos. Está, aqui, muito calor e ele não está vestido para o ambiente. E no entanto tem de trabalhar, mais uma vez, neste ano de vinte e um, depois virá outro mais e outro e terá de continuar a trabalhar como o fizeram os seus antepassados. Tem de trabalhar abraçado àvisão dos que se dizem conselheiros e ao mesmo tempo o vendem as armas da conflitualidade.

E depois não pode amar, ó carraças!

Dois mil e vinte e um? Olha, lembra a história daquele jovem de Gujarat que foi comprar uma vaca e para levá-la à sua casa, pegou-na pelos cornos. A vaca não se movia. Ele não tinha energia suficiente para a fazer mover-se. Veio,então, um velhote com um feixe de capim e o mostrou à vaca e ela começou a se aproximar do homem para alcançar o capim. O homem foi recuando mantendo a distância. E assim a vaca chegou ao curral do jovem que a comprara. Bom, finalmente comeu o capim porque tanto sofrera. Aqui a palavra “esperança”deixou(?) de ser oca.

Então posso ser como aquela vaca? Interrogou-se. Se calhar pode, é só experimentar não mandar nada para a casa do amigo distante por uns dez a vinte anitos. Mas os teus vizinhos também têm de fazer o mesmo.

E ele termina o trabalho dizendo que “África é inimiga dela mesmo”.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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