Director: Lázaro Manhiça

LIMPOPO - Até quando, esta irmandade aparente?: César Langa(Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

DIZ-SE, normalmente, que “depois da tempestade vem a bonança”. Entretanto, o cenário que se viveu, até semana passada, na fronteira entre Moçambique e a África do Sul, em Ressano Garcia, inverte o adágio, em proporções bastante penosas, para qualquer mortal, pois, depois de uma quadra festiva, passada com os familiares e demais, os nossos compatriotas que trabalham na vizinha África do Sul passaram por momentos dramáticos, só para regressarem aos seus postos de trabalho. Ou seja, depois da bonança, veio a tempestade.

O regresso migratório intenso na fronteira de Ressano Garcia é um exercício bem conhecido, com um histórico bastante antigo e com sinais de se perpetuar, ou pelo menos durar por muitas e várias gerações. Por ser uma prática sobejamente conhecida, todos os anos, as autoridades dos dois países têm-se esmerado, no sentido de redobrar esforços, para que os utentes desta fronteira não passem por momentos de desconforto, aturando longas e demoradas filas, para procedimentos migratórios.

Para a última quadra festiva, era, também, sabido por todos, que o procedimento seria diferente, em razão dos condicionalismos impostos pela pandemia daCovid-19. Por esta mesma razão, era previsível que medidas especiais fossem accionadas, para minimizar o sofrimento dos viajantes, mesmo no âmbito do novo normal. E não custava nadase clarificaros procedimentos e as exigências que este momentoexige, como forma de prevenir a propagação do novo coronavírus, num exercício a ser feito e/ou partilhado pelas autoridades dos dois países, tratando-se de um processo recíproco. Aliás, não são apenas moçambicanos que procuram entrar para a África do Sul, como também, e em grande medida, sul-africanos procuram atravessar para a Pátria Amada, cheia de recursos, que não sossegam a cobiça dos cidadãos do país que ajudamos a sair das garras do regime do Apartheid.

Talvez nem precisasse de voltar a fazer referência a muitos dias de espera, na fronteira, com congestionamento de arrepiar, tornando o momento cheio de incertezas e até de desespero de muitos compatriotas nossos, com ameaças de perda de empregos a pairar, porque chegavam situações em que durante horas as viaturas não se moviam para sentido nenhum. E tudo veio a piorar com o anúncio da rejeição de testes rápidos da Covid-19, pelos sul-africanos.

Esta situação, mais do que caricata, quanto a mim, veio-me lembrar de muitas outras atrocidades, em termos de relacionamento, que os sul-africanos têm cometido contra os moçambicanos, mesmo se cantando por tudo quanto é canto, que “somos irmãos”, histórica e geograficamente ligados. Lembrei-me, também, da vez em que os sul-africanos condicionavam a posse de um determinado valor em randes, para os moçambicanos poderem atravessar a fronteira, palhaçada que só veio a ser corrigida com a imposição de posse de valores em meticais, para se entrar para Moçambique.

Acredito que, para este último caso, se tivesse ficado claro, desde o princípio, que só valeriam os testes feitos em laboratórios, todos os utentes da fronteira teriam recorrido, atempadamente, a estes serviços, cada um de acordo com o seu calendário. E não era necessário que se tivesse extremado posições que em nada abonam o nosso relacionamento, como estados e, acima de tudo,vizinhos. Afinal, até quando esta hipocrisia configurada numa irmandade aparente? Vamos lá jogar limpo(po)!

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