PERCEPÇÕES: O que nos reserva a junta militar? (Salomão Muiambo-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

Mariano Nhongo é tenente-general da Renamo, sendo a face mais visível do movimento que contesta Ossufo Momade, na liderança deste partido. Diz-se que Nhongo era um dos mais directos colaboradores de Afonso Dhlakama. Onde Dhlakama estivesse, ao lado estava o Nhongo. Ambos partilhavam o dia-a-dia, fazendo lembrar a história de Pedro, que era discípulo de Jesus. Pedro andava o tempo todo com Cristo, cantava com Cristo, comia com Cristo, o que fez Pedro parecer com o seu mestre.

Mas, em boa verdade, Nhongo não é parecido, não, com o seu mestre Dhlakama, fora a bravura em desafiar a hierarquia.

Nhongo desafia a hierarquia do partido, ao convocar, para amanhã, na serra da Gorongosa, uma conferência nacional da auto-proclamada junta militar da Renamo para a eleição do seu presidente. Nhongo diz ter convidado para a reunião representantes dos partidos políticos, da sociedade civil, da comunidade internacional e de outros interessados em apoiar o projecto de reorganizar a Renamo.

De facto, este é um assunto interno da Renamo. Porém, de uma ou de outra forma toca com todos nós porque a tal junta militar, conforme se diz, integra, maioritariamente, comandantes provinciais da Renamo e oficiais militares outrora da confiança de Afonso Dhlakama e que terão sido excluídos do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração, no quadro do diálogo político que culminou com a assinatura, a seis de Agosto, do Acordo de Paz e Reconciliação, antecedido de um memorando para a cessação definitiva das hostilidades militares.

A minha inquietação e, certamente, a da maioria dos moçambicanos, é que a junta militar da Renamo está fortemente armada e, não se subordinando a Ossufo Momade, subscritor dos acordos de paz, a ameaça a essa mesma paz é cada vez crescente. (Diga-me com quem andas que eu te direi se vou contigo).

Seria bom então, que a Renamo se sentasse com os membros da auto-proclamada junta militar para ouvi-los, à semelhança do que aconteceu com o Governo que se sentou com a Renamo à mesma mesa em busca de aproximação de posições, o que permitiu a assinatura dos entendimentos sobre a paz.

Mas gostaria de lembrar ao tenente-general Nhongo que os partidos políticos não devem nunca preconizar, nem recorrer à violência, para alterar a ordem política e social do país. Eles, devem, isso sim, contribuir para a paz e estabilidade.

Tudo o resto que a Renamo resolva internamente, pois “roupa suja lava-se em casa”.

Mas já agora, e antes do fecho, permita-me general Nhongo perguntar, que legitimidade terá o novo líder da Renamo, a sair da conferência de amanhã? Espero para ver.

Até para a semana!

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