Director: Júlio Manjate

ACENTO TÓNICO: Sete dias com o Papa Francisco (concl.)  (Júlio Manjate-Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.)

 

 

Tal como acontecera no vôo inaugural da digressão, de Roma a Maputo, o Papa Francisco voltou a abrir-se aos jornalistas que o acompanhavam, durante a viagem de regresso a Roma, a partir de Antananarivo. Há muito que não bebia de tanta sabedoria e humildade!

Sobre Moçambique, em particular, percebia-se o afecto com que falava das pessoas; da recepção e acolhimento que teve… Também percebia-se a franqueza e profundidade quando convidou os moçambicanos a esforçar-se para que o processo de paz continue e dê frutos. Pensando bem, creio que estamos no bom caminho.

O facto de hoje irmos às urnas para votar no futuro do país, mostra que temos o “pin” das coisas. Precisamos é de estar atentos “para que não nos roubem a alegria”, que não nos matem os sonhos e a esperança que temos, há anos! E foi sobre isto que o Papa alertou aos jovens no encontro inter-religioso, no Pavilhão do Maxaquene, quando lembrou que há muitas promessas de felicidade, vazias, que nos podem impelir para caminhos fáceis, mas que na verdade são de derrota, caminhos que nos podem fazer pagar com a nossa felicidade, e até com a própria vida.

E foi aí que falou da educação como uma agenda séria, lembrando a conversa que teve com o Primeiro-ministro das Maurícias, de quem disse ter ouvido ideias sobre o desafio que tinha de desenvolver um sistema educativo gratuito naquele país. Aqui, lembro-me que, entre nós, esse passo já foi dado no ensino público, agora gratuito da primeira a nona classe… e o caminho é para frente!

O tema sobre educação jovem, também chamou à atenção do Papa em Madagáscar, que associa o problema à pobreza, falta de trabalho e exploração precária da força de trabalho por parte de muitas empresas, a exemplo do que testemunhamos numa pedreira de granito que o Papa visitou em Antananarivo: centenas de pessoas partindo pedregulhos com martelo, em troca de um dólar e meio por dia… 

E o Papa foi usando estes exemplos para ilustrar, com uma linguagem “terra-a-terra”, a importância de os nossos países terem leis que protegem a família e os seus valores.

“Os valores da família existem, e não estão a ser destruídos, como pode parecer. O que a pobreza está a conseguir destruir é a possibilidade de serem transmitidos de geração em geração…”.

Particularmente impressionante foi perceber a sabedoria com que o Santo Padre faz uma ligação “natural” entre os jovens, a família e o Estado, lembrando que, se em África ter um filho é um tesouro, então há o dever de a sociedade assumir que deve educar e fazer crescer esse tesouro, “para fazer crescer o país, fazer crescer a pátria, fazer crescer os valores que mais tarde lhe darão soberania”.

O Papa também partilhou reflexões em torno da diplomacia internacional afirmando, por exemplo, que, enquanto nações civilizadas, somos obrigados a obedecer as regras que nos identificam como “única humanidade”, mesmo admitindo que nem sempre as coisas justas para a humanidade são acessíveis para todos os bolsos.

Um exemplo particularmente vinculativo para África veio quando o Papa lembrou que, nos processos de libertação das antigas colónias, os colonizadores saíram, mas não sem levarem consigo “alguma coisa no bolso”.  Deram, por assim dizer, uma libertação “só do chão para cima”, pois o subsolo continua deles…

Mas também se referiu às “colonizações ideológicas”, que buscam penetrar na cultura dos povos, mudá-la e tornar a humanidade homogénea. Tal é a imagem da globalização, como uma esfera: todos iguais, cada ponto à mesma distância do centro. No entanto, a verdadeira globalização não é uma esfera, e sim uma espécie de poliedro “onde cada povo, cada nação, conserva a sua identidade, mas une-se a toda a humanidade”. E é aqui onde reside a denúncia do Papa à colonização ideológica que, tal como explicou, procura apagar a identidade dos outros para torná-los iguais, acabando por se construir propostas ideológicas que vão contra a natureza, história, e contra os valores daquele povo.

E porque a conversa era com jornalistas, o Papa fez uma incursão ao mundo da comunicação, lembrando que o que arruína este importante processo é a crescente tendência de passar do facto para o relatado… “há um facto e depois cada qual adorna-o a seu modo… a ascese do comunicador deve ser voltar sempre ao facto, expor o facto. A comunicação deve ser humana, ser construtiva, fazer crescer o outro. Não pode ser usada como um instrumento de guerra. A comunicação deve estar ao serviço da construção”.

Assim mesmo, vou fechar esta comunicação: apelando a uma adesão massiva às urnas, para um voto consciente, sem animosidades; com civismo e respeito pela lei.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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Presidente: Bento Baloi

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