Director: Júlio Manjate

Sigarowane: Um amigo na Austrália - Djenguenyenye Ndlovu

Toda malta sabe como é o Luís; deu para festar e lá está ele a festar. E a Marina vai na onda,deixando que ela os atire para onde achar que estarão vivendo paraíso sonhado e nunca vivido, mas por vezes acontecendo que vivido, mesmo com contrariedades de contar pela vida. Mas tudo isso tem a parte boa; ao contar o gozo é infinito, sobretudo para eles: os amigos na Austrália. Por dias, que foram monstros, em graciosa. E do que eles não precisam procurar,é de invejosos que os têmque baste, mas é com estes que se sentem “eles” porque os outros não lhes são verdadeiros. Ainda bem, Luís. Ainda bem, Marina. O que importa é que viveram. Gozaram e regressaram, não só a tempo de votar, como bem recauchutados para mais “pancadarias”. A propósito do votar, contaram depois que na tua fila de idosos gramaste mais de quarenta e cinco minutos. O país está a ficar tão envelhecido assim? E tinhas chegado dia anterior da Austrália! Mas não é nada. O que importa é que fizestes o teu exercício de cidadania e não ofereces whisky a idiota nenhum. Estás de parabéns, nesse sentido, ainda que isso desgoste o Miguel na facturação e aos que bem gostariam do obséquio. Não vais tu ser acusado de figadeiras de muito entrado na vida que ainda teima na saída da adolescência, quando agora mais frequenta farmácias do que restaurantes e bares. Velórios e funerais, do que aniversários e casamentos. Pôxa,vida!

Tens um voto de qualidade por isso, meu caro. Mas também ninguém sabe o que isso vale. No entanto, guarde-o no melhor cantinho do teu coração por sabido que ainda o tens. Mas…vá lá, pá! Um txinguito pelo menos,pá!

E ela levava consigo para as férias, por um mês, fora do maço já aberto, mais três volumes de cigarros, que destas coisas sempre há-de convir o que é do dia-a-dia, o que os pulmões aceitam sem estranheza. Também já não se tem idade para experimentar muitas coisas, que não seja visitar museus, ver concertos de música clássica, sessões de jazze emborcar líquidos que não convocam má disposiçãopara o dia seguinte.

É mesmo, os australianos são isso mesmo: se quisesses entrar com três volumes de cigarros, tinhas era de pagar seiscentos dólares de multa ou seja o que fôr. Dólares australianos que sejam emnúmero de seis e dois zeros. Caso contrário, só podias entrar com apenas dois maços. A bolsa não estava tão pesada para puxares pelos seus cordões. Que ficassem com os volumes e te conformavas com os dois maços e como o Luís alí estivesse bem juntinho, conseguiste entrar com quatro maços. Deu para alguns dias, mas a estadia era longa. Tiveste que comprar o que por lá se vende: cinquenta cigarros por cinquenta e cinco dólares. Dois maços de vinte e cinco cigarros cada.

O Luís,habituado ao Miguel e outras esquinas aí da terra, quis meter-se nos whiskys e sentiu-se mal quando teve de pagar oito dólares por um simples de whisky novo. Que peninha. Não porque não tenhas esses preços na tua cidade, simplesmente que não estejam sob o controlo do fisco.

Do jeito que o país fuma e chupa,imagina como estaria a bolsa de Maleane e depois os hospitais, as escolas, a segurança…

E depois foi aquela. Deram aquele papelinho no qual vem anotado tudo o que deve ser declarado: drogas, explosivos eticêctra, eticêctra; tanta era a enumeração que não reparou que lá constava a madeira. Declarou que não trazia nada de nada daquilo que constava do papelinho dos serviços de migração. Mentira. Levava consigo uma estatueta de madeira. Pimba, “o senhor mentiu-nos e por essa mentira vai ter que pagar quatrocentos e cinquenta dólares de multa por essa mentira”, atirou o homem de galões. Tentou dizer que apenas não viu a nomeação da madeira no papelinho e que a omissão não foi intencional e pedia desculpas. “O senhor mentiu-nos e a multa são quatrocentos e cinquenta dólares” para depois acrescentar que as desculpas podia ir pedi-las ao fisco, mas naquele momento o assunto era o dinheiro. Bronca do catano arranjara. Lacrimejou. Não, lavou o balcão de serviço com as suas salgadas lágrimas, o que lhe valeupouco.

Emagreceu umas gramas, o que lhe serviu de consolação.

Já não via a data de vôo de regresso, que as coisas estavam a começar mal e logo á chegada, mas antes que também por estes lugares comecem a andar mal, deixe que me atire aos braços da Narita e encha os pulmões com o seu perfume para acabar num sushu empurrado pelo saqué, a lembrar um amigo na Austrália.

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