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Director: Júlio Manjate

Histórias e reflexões: Adeus às armas? (Eliseu Bento)

 

“ADEUSàs Armas” é o titulo de um “best seller” americano da autoria de Ernest Hemingway,tido como, muito provavelmente, o melhor romance resultante da experiência da I Guerra Mundial. É a história inesquecível de Frederic Hendry, um voluntário condutor de ambulâncias do exército italiano e da sua trágica paixão por Catherine Barkley.

Nesta obra autobiográfica, após Hendry ir parar a um hospital,em Milão,devido a um ferimento e Catherine ir lá prestar serviço, os dois iniciam uma procissão amorosa. Pelo meio há, claro, a guerra.

Contudo, a história de amor entre Hendry e Catherine vai ter um final feliz pois, apesar dessa guerra, os dois entendem que não têm escolha senão viver o seu amor e tentam vivê-lo da melhor forma possível, com toda a esperança de que são capazes.

“Adeus às Armas” éassim evitar o sacrifício e buscar o amor. É atrás dessa vitória que o tenente Hendry segue. A mulher que ama é a enfermeira Catherine que tratara dele durante uma licença médica em que precisava de curar seu joelho quase destroçado por um morteiro.

Paradoxal e curiosamente, já na sua vida real, em 1918 Hemingway é ferido em combate e internado num hospital, em Milão, onde conhece a enfermeira Agnes von Kurowsky por quem se apaixona. Porém, ela não aceita casar-se com o escritor,deixando-o profundamente desiludido.

Trago hoje este enredo à volta do romance de Ernest Hemingway muito a propósito do 57.° aniversário da Organização deUnidade África/União Africana, assinalado esta semana, a 25 de Maio, sob o lema “Silenciar as Armas”.

Reza a história que em Maio de 1963, à medida que a luta pela independência do domínio colonial ganhava força, os lideres dos Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Addis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total de todos os países.

Da reunião saiu a carta que criaria a primeira instituição continental pós- independência de África, a Organização da Unidade África (OUA).

Em 2002, a OUA viria a ser substituída pela União Africana (UA),que reafirmou os objectivos de uma África integrada, próspera e pacifica,impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial.

A literatura disponível recorda, todavia, que o programa para o silenciamento das armas em África até 2020 foi lançado há 10 anos e adoptado em 2013 pelos lideres da União Africana como um dos projectos emblemáticos da organização que considera os conflitos como um dos maiores impedimentos à implementação da sua agenda de desenvolvimento para o continente (Agenda 2063).

A proposta era acabar com todas as guerras, conflitos armados, violência contra a mulher e violações de direitos humanos bem como prevenir a ocorrência de novos genocídios no continente.

Apesar de o objectivo estar longe de ser alcançado, nas duas últimas décadas foram resolvidos conflitos em alguns países, mas ainda há Estados africanos em convulsões.

Perante estes dados, fica claro que, sete anos depois de 2013, uma das aspirações dos lideres, precisamente o “adeus às armas” até 2020, falhou redondamente, embora ainda estejamos a meio do ano. Ou seja, o final feliz que se desejaria,pura e simplesmente não aconteceu.

Eis, pois, a questão:

Quanto tempo mais vamos esperar até ao definitivo “adeus às armas” em África?

É que se os lideres assumiram este repto era porque, no seu mais alto critério, achavam que haviam condições para alcançá-lo. O que falhou?

Ainda à volta do lema proposto, a UA sublinha que não se trata apenas de armas, mas daquilo que leva as pessoas a recorrerem às armas de fogo. E esta é a questão fundamental sobre a qual convida a reflectir e a encorajar programas de conscientização,tanto a nível nacional como regional.

Se no romance de Hemingway, Frederic e Catherine conseguiram conciliar as suas aventuras amorosas com a guerra, os africanos terão muito mais dificuldades de concretizar as suas agendas de desenvolvimento com as armas a troar, como aliás os lideres reconhecem.

Nesse caso então, até quando o nosso verdadeiro e definitivo adeus às armas?

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