Director: Júlio Manjate

Aos trinta e poucos anos, eu e o meu parceiro decidimos tornar-nos pais. Até parece estranho escrever esta frase, como se pelo facto de nós “decidirmos” fosse apenas mais um produto que a nossa geração mimada escolheu consumir naquele momento.

Eu sempre pensei que engravidar não seria problema, depois de todas as histórias que ouvi de amigos, que foram sempre bem-sucedidos nesse aspecto. Eu mal parei de tomar a pílula e no mês seguinte já esperava estar a engravidar.

“Você é super-saudável, desportista e jovem. Você vai ficar grávida num ‘piscar de olhos’”, pensava eu…

Parei a pílula e no mês seguinte não estava grávida. Nem no mês seguinte. Nem no outro mês! Volvidos seis meses, e depois de ter ouvido tanto que seria fácil, comecei a ficar paranóica, pensando que tinha algum tipo de problema, apesar de ser “saudável, desportista e jovem”.

Fui ao médico com o meu companheiro e ambos fizemos um “check-up” para ver se estava tudo bem. Não havia problema. O meu médico disse-me para relaxar, pois o tempo médio para engravidar na minha idade era de um ano. Um ano?! O quê? Ninguém nunca me disse que o tempo normal era de um ano! E como você pode relaxar se depois que você finalmente decidiu que quer tornar-se mãe tudo o que você pode pensar é em engravidar?!

“Não penses nisso. Tenta esquecer que de repente vai acontecer…”, aconselharam-me muitos.

E eu acredito mesmo neste conselho, mas é quase impossível segui-lo. Você tentar limpar a tua mente mas, no fundo, o desejo de te tornares mãe continua. E, claro, há um relógio biológico fazendo "tic-tac" dentro de ti que não te ajuda a “relaxar” e “esquecer”.

Todos os meses, perto do meu período menstrual, começava a ficar ansiosa.

“Será desta vez?”. Eu imaginava-me grávida, do jeito que eu ia dar a notícia à minha família, nome do bebé, e toda a vez que minha menstruação começava meu coração se sentia pesado e a tristeza me tomava por alguns dias.

Depois de pouco mais de um ano de tentativas, meu parceiro pediu-me em casamento. E esse foi, genuinamente, o primeiro momento em que comecei a concentrar-me em outra coisa que não a gravidez. Ao invés de pensar na minha barriga, comecei a pensar na organização da festa, na lista de convidados, etc. Depois de dois meses, eu estava grávida e tive de repensar meu vestido de noiva para acomodar uma barriga de seis meses.

Poderia ter sido uma coincidência engravidar, depois de ter sido pedida em casamento, mas a questão principal aqui é que não aconteceu por magia, como as pessoas diziam.

Mas eu sei que para algumas mulheres é realmente fácil. Eu tenho uma amiga que só de olhar para a roupa interior do marido ela engravida, impressionante! Mas também tenho amigas (muitas, para ser honesta) que tiveram de passar por tratamentos para realizar o sonho de serem mães. Mas falar sobre isso é tabu, um assunto muito delicado.

E acho que é sobre quebrar o tabu que nós mulheres (e homens também) precisamos de começar a abordar mais naturalmente, sem que o facto de demorar tempo ou mesmo ter dificuldade em engravidar seja algo de que nos possamos envergonhar.

Como mencionei uma vez, num texto em que abordo a competição secreta entre as mulheres, aqui também há uma cobrança invisível para se ser “mais mulher”, para se ser capaz de engravidar, facilmente ou naturalmente. 

Faço questão de dizer a quem quer que seja, sem constrangimento, sobre a minha viagem para engravidar. Com as minhas duas filhas não foi assim tão simples! (lembro que ter a segunda não foi fácil só porque já tinha tido uma criança, tal como muita gente insistia em me tentar convencer!)

E acredito que a partir do momento em que começarmos a contar as nossas histórias de dificuldades, ansiedade, tratamentos, da mesma forma que são contadas as histórias de sucesso e facilidade de engravidar, vai deixar de ser tabu e vamos enfrentar menos pressão para sermos mães, seja como for.

CAROLINE D’ESSEN - https://www.facebook.com/maternidadedesmistificada/posts

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