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Director: Júlio Manjate

AO sair de casa para o trabalho, Karina Salimo, 39 anos de idade, coloca um balde de água e sabão à entrada do edifício para a lavagem das mãos de todos os que lá forem visitar, mesmo para os membros da família.

Ela realiza esta prática em resposta às recomendações deixadas pelas autoridades de saúde para a prevenção do novo coronavírus, tais como a observância da higiene pessoal e colectiva, bem como o distanciamento social. 

Esta jovem entende que é dever da mulher criar condições para a prevenção da pandemia dentro de casa, no trabalho, na rua, olhando para ela mesma e para os demais membros da família e da sociedade.

Os relatos de mortes na China e Itália e depois o anúncio de casos positivos em Moçambique fizeram com que ela introduzisse novos hábitos de higiene para a prevenção da contaminação pelo vírus.

“O álcool, a lixívia, o sabão e a água são itens que não faltam na minha casa”, garante.

Encontramos Karina numa das avenidas da cidade de Maputo, durante o trabalho de reportagem sobre o papel da mulher na luta contra o Covid 19. O que mais nos chamou atenção foram as luvas que trazia e justificou o porquê as usa: “tocamos no elevador, superfícies de carros, escritórios”. 

Karina trabalha num escritório de advogados e recebe documentos que passam de mão em mão, sendo que “alguém pode espirrar ou tossir e depois pega no documento que pode servir de veículo de contaminação. Por isso, uso luvas. A iniciativa foi minha, mas a empresa também tomou as suas medidas de prevenção para todos”.

Karina e outras mulheres com quem dialogamos reconhecem não ser fácil se prevenir do novo coronovírus, sobretudo quando a rotina diária implica lidar com o público.

“Não se sabe quem está infectado, enquanto não for confirmado positivo. Diz-se que algumas pessoas não têm sintomas mas transmitem o vírus. Isso nos assusta”, disse Delfina Pedro Cossa, 54 anos de idade, vendendo frutas.

Delfina Cossa entende que não há muito a fazer, a não ser seguir as recomendações dadas pelas autoridades da saúde para a prevenção.

“Não deixo que o cliente chegue muito próximo de mim. Depois de receber o dinheiro e entregar os trocos, lavo e desinfecto as mãos”.

O maior desafio, segundo Cossa é ter a certeza de que os filhos seguem todas as recomendações para a prevenção.

“Você pode instruir, mas elas podem falhar porque são crianças”, disse.

Embora não tenhamos ainda o registo de casos de Covid-19 em menores de idade no país, o número de pessoas infectadas está aumentar desde que se anunciou o primeiro caso positivo no domingo. Em menos de cinco dias, já tínhamos sete casos, sendo um de transmissão local e outros importados.

A vida é coisa mais preciosa que temos  

DURANTE o nosso percurso, encontramos a comerciante Lídia Isabel, 22 anos. Para ela, nada é melhor que viver com saúde. Por isso, convidou a outros segmentos da sociedade, em particular mulheres a cumprirem as orientações dadas pelas instituições de saúde.

“Não hesitemos em lavar as mãos sempre que encontrarmos água nas paragens”, aconselhou.

Entende ainda que as medidas de prevenção devem ser observadas também nas famílias. “É nosso dever como mães, tias, ensinar os nossos filhos a lavar constantemente as mãos com água e sabão e manter um distanciamento com os outros. Para quem pode, o álcool em gel também ajuda a desinfectar”.

Segundo Lídia, triste é ouvir de algumas pessoas que estas medidas não são relevantes e ignoram-nas achando  que é tudo uma brincadeira e que nada é relevante.

Para ela, a sociedade deve observar o que acontece nos outros países e tomar acções de prevenção a sério para que a doença não se propague em Moçambique.

“Essas medidas não só salvam a vida dos outros, mas a nossa em primeiro lugar. A vida é a coisa mais preciosa que temos e acho que devemos aproveitá-la da melhor forma, prevenindo-se de doenças. Não há nada melhor que a vida. O dinheiro não traz de volta a vida. Nós até podemos dizer que vamos descansar, mas os nossos parentes ficam a sofrer”.

Lídia vive ainda na casa dos pais com sobrinhos menores de idade. E neste tempo em que todos os alunos estão dispensados de ir a escola aconselha aos pais e encarregados de educação a convidar as crianças a assistir também a noticiários sobre a pandemia para terem a noção do impacto da doença no país e no mundo.

Atenção às crianças e à auxiliadora doméstica

NATACHA Tovo, 39 anos, é mãe de dois filhos (cinco e um ano) e trabalha na cidade de Maputo. Na sua ausência, as crianças ficam ao cuidado da auxiliadora doméstica, o que constitui preocupação porque não sabe o que fica a acontecer na ausência, apesar de ter instruído a todos sobre as medidas que devem tomar para a prevenção de Covid-19.

“Como mãe, temos que ter cuidado com esta doença. Ensino o menino mais velho e a minha sobrinha (14 anos) a manter a higiene básica, mesmo para a senhora que auxilia nos trabalhos de casa. Se for para brincar, que seja apenas no nosso quintal, sem permissão para entrada de outras crianças”. 

Antes, quando voltava do serviço, Natacha conta que a primeira coisa que fazia era abraçar as crianças, mas devido a alta capacidade de infecção do novo coronavirus teve que mudar de hábito. “Fico exposta na rua, no serviço, no escritório, por isso antes de chegar perto das crianças faço o banho. Aconselho as outras mães para que tenham o mesmo cuidado”, disse.

Admitiu contudo, ser difícil garantir a prevenção porque deixa as crianças ao cuidado de terceiros.

 “Se fosse possível ficava em casa para melhor controlar as crianças. Dou instruções à secretária e acredito que ela cumpre. É mãe também. Quando volto procuro saber como correu o dia e exploro cada detalhe. Quando percebo que há falhas, chamo atenção”.

A maior preocupação desta jovem mulher é a mudança da estação do ano de Verão para o Inverno, uma vez que é na época fria que os filhos sofrem de problemas respiratórios e febres como resultado de gripes. “Ficarei sem saber se é uma febre normal ou é um caso de Covid-19. Esta é a minha maior preocupação”.

Os mesmos cuidados são observados por Amélia Matine, 44 anos de idade e mãe de dois filhos. “A doença mata. Por isso, precisamos de tomar precauções. Ir directo ao banho logo que voltar da rua ou tirar a roupa e calçado deixar do lado de fora para evitar transportar o vírus para interior da residência”, disse, alegando que esta medida deveria ser observada por todos os moçambicanos para o bem do país.

CONVERSAS AOS SÁBADOS

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