O presidente da autoproclamada “Junta Militar” da Renamo, Mariano Nhongo, exige o adiamento das eleições, agendadas para 15 de Outubro próximo, porque ele pretende “ganhar tempo e criar condições para preparar a sua candidatura”.
Mariano Nhongo, tenente-general no braço armado da Renamo, é o fundador da autoproclamada Junta Militar e era candidato único, tendo sido eleito no último dia do Conselho Nacional extraordinário convocado pelos militares, que terminou, segunda-feira, no interior das matas da Gorongosa, em Sofala.
“Aliás, eu mesmo, na qualidade de presidente da Renamo, preciso de tempo para me preparar”, disse Nhongo, revelando assim a intenção de se candidatar a Presidente da República.
Nas primeiras declarações à imprensa, na qualidade de presidente da Junta Militar saído da conferência, que decorreu entre sábado e a última segunda-feira e juntou mais de 200 pessoas, Nhongo prometeu respeitar a trégua militar (oficialmente, extinta com a assinatura do acordo de paz e reconciliação de Maputo); exigiu o adiamento das eleições agendadas para 15 de Outubro; declarou nulo o processo de desmilitarização, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo (mais conhecido por DDR); e exigiu novas negociações com o Governo
O grupo, que se descreve como uma estrutura militar da Renamo “entrincheirada nas matas”, com 11 unidades militares provinciais, considera que o acordo de paz assinado entre o Chefe do Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o presidente da Renamo, Ossufo Momade, é nulo, na medida em que, segundo o grupo, Ossufo Mamade não representa a ala militar do partido.
“O governo deve parar, imediatamente, de negociar seja o que for com o senhor Ossufo Momade na busca de paz. Estamos abertos ao diálogo. Iremos accionar os mesmos mecanismos usados pelo presidente Afonso Dhlakama (falecido em Maio do ano passado) para contactarmos o governo”, disse Nhongo, ameaçando que se o governo violar a “trégua” a junta irá responder.
Devido aos receios de um possível ataque, a “Junta Militar” da Renamo decidiu movimentar os guerrilheiros para locais considerados “seguros”. Através do seu porta-voz, João Machava, anunciou que vai pedir a intervenção dos governos de Portugal, Ruanda e a Cruz Vermelha Internacional para garantir segurança ao seu presidente. “Ele precisa de segurança para poder movimentar-se dentro e fora do país em missões de negociação de paz”, sublinhou.
Vestido a civil (fato e gravata), mas sempre rodeado por guerrilheiros de uniforme verde e espingardas AK47, o presidente da “Junta Militar” exige que Ossufo Momade (dirigente oficial da Renamo) e André Magibire (secretário-geral da mesma formação política) párem de usar os símbolos do partido para fins eleitoralistas e de manter contactos com o governo.
“Não há diálogo possível com a Renamo de Ossufo Momade e André Magibire. Para nós, eles são traidores. Ignoraram as linhas definidas pelo presidente Afonso Dhlakama para o processo de DDR, depois de terem sido discutidas por nós e pelo Conselho Nacional da Renamo. Exoneraram sem justa causa delegados provinciais e distritais da Renamo. Mandaram deter todos os oficiais da Renamo que tentaram exigir a reposição da verdade e inventaram uma Renamo Unida. As alas políticas e militares da Renamo nunca estiveram separadas”, sublinhou Nhongo que, segundo o 'O País”, foi à conferência da autoproclamada Junta Militar no sábado com a patente de major-general e saiu segunda-feira com a de tenente-general.
Nascido em Chemba, na província de Sofala, Mariano Nhongo, 49 anos, entrou para a Renamo em 1981, tendo se evidenciado no comando de operações de segurança do falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e se tornado um dos mais relevantes oficiais do braço armado do partido, segundo o semanário “Canal de Moçambique”.
Além de ter integrado a Equipa Militar de Observadores Internacionais da Cessação das Hostilidades Militares (EMOCHM), no acordo de paz entre a Renamo e o Governo, em Outubro de 2014, para fiscalizar a desmilitarização do movimento, foi Nhongo que dirigia a equipa responsável pela segurança de Dhlakama, quando o falecido líder escapou de um ataque na Estrada Nacional 6, em Zimpinga, distrito de Gondola, província central de Manica, em Setembro de 2015.
Um dos participantes da conferência foi o sobrinho e xará do primeiro comandante-chefe da Renamo, André Matsangaissa. Em declarações à imprensa, Matsangaissa pediu que os membros da Renamo parassem de contactar com a direcção de Ossufo Momade.
Todos os membros da Renamo, incluindo deputados, delegados provinciais e distritais que entrarem em contacto com o senhor Ossufo Momade e ou André Magibire, são avisados de que estão em rota de colisão com a ala militar da Renamo. O recado é extensivo ao Governo de Moçambique, ameaçou.
No sábado, Ossufo Momade iniciou a sua pré-campanha, trabalhando na província nortenha de Nampula, o maior círculo eleitoral do país.
Falando durante comícios em Nampula, Momade minimizou as acusações do braço armado do partido, que contesta a sua liderança, reafirmando o seu compromisso com o acordo de paz recentemente assinado com o Governo.
“Nós assinámos um acordo, ninguém foi comprado. Eu tenho a minha consciência no lugar”, disse o presidente da Renamo, acrescentando que a agitação interna está a ser promovida por “desertores e indisciplinados”.

 

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