Director: Júlio Manjate

O Banco de Moçambique decidiu, ontem, manter inalteradas as taxas directoras da economia, por haver riscos de subida de inflação causados, entre outros factores, pela instabilidade militar que se regista em algumas regiões centro e norte do país, anunciou em comunicado.

O Comité de Política Monetária (CPMO) decidiu manter a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) em 12,75%, "pelos receios de que o agravamento recente dos riscos internos e externos possa, a médio prazo, reverter o perfil actual de inflação baixa e estável".

"Os riscos que mais se destacam nessa avaliação são, a nível doméstico, o agravamento da instabilidade militar nas zonas norte e centro do país e a ocorrência de choques climatéricos", sendo a nível externo "a intensificação da tensão comercial e geopolítica", anunciou.

O mesmo órgão do banco central decidiu manter as taxas de Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) e da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) em 9,75% e 15,75%, respectivamente, bem com os coeficientes de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda nacional e em moeda estrangeira em 13,00% e 36,00%.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) "mostram que, desde Fevereiro de 2019, a inflação [homóloga] do país tem vindo a desacelerar, até se situar em 2%, em Setembro", nota o CPMO.

O órgão prevê ainda "estabilidade cambial no médio prazo", tendo em conta as expectativas de entrada de moeda estrangeira "para financiar a reconstrução pós-desastres naturais e os projectos de exploração de recursos naturais".

As perspectivas de actividade económica apontam para "uma recuperação a partir de 2020, posicionando-se, ainda assim, abaixo do seu potencial, no médio prazo".

Os dados do INE mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) "continuou a abrandar no segundo trimestre, ao situar-se em 2,3%, após 2,5% no trimestre anterior", nota o Banco de Moçambique.

O comunicado de ontem do CPMO indica ainda que as reservas internacionais do país se mantêm em "níveis confortáveis", comparativamente com a última reunião, em Agosto: "As reservas internacionais brutas aumentaram para 3 902,7 milhões de dólares, em face da recente entrada de mais-valias para o Estado, propiciando a cobertura de mais de seis meses de importações, excluindo grandes projectos".

As mais-valias dizem respeito a 880 milhões de dólares de tributação sobre o negócio entre petrolíferas Anadarko e Total, em que a primeira vendeu à segunda, em Setembro, a sua participação na Área 1 de exploração de gás natural em Moçambique.

O regulador nota que a dívida pública interna "continua a aumentar".

"Desde o último CPMO, a dívida pública interna contraída com recurso a bilhetes do tesouro, obrigações do tesouro e adiantamentos do Banco de Moçambique aumentou para 140.610 milhões de meticais (2.000 milhões de euros) reflectindo a utilização de bilhetes do tesouro em cerca de quatro mil milhões de meticais (57 milhões de euros)", segundo a mesma informação.

Os montantes não tomam em consideração "outros valores da dívida pública interna, tais como contratos de mútuo e de locação financeira, assim como responsabilidades em mora".

Este é o cenário completo face ao qual "cresce a preocupação do CPMO quanto à evolução dos riscos e incertezas subjacentes às projecções de inflação".

O órgão continuará a monitorizar os indicadores económico-financeiros e os factores de risco "e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias antes da sua próxima reunião ordinária, agendada para o dia 12 de Dezembro de 2019".

 

 

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