Director: Júlio Manjate

O governo a ser nomeado para dirigir os destinos do país no quinquénio 2020-2024 deve ser composto por personalidades tecnocratas e que estejam à altura de responder aos desafios de contribuir para o desenvolvimento do país e para o bem-estar dos moçambicanos.

A ideia é defendida por jornalistas ouvidos pelo “Notícias” a propósito do início do novo ciclo de governação, na sequência das eleições de 15 de Outubro, que ditaram a vitória do Partido Frelimo e do seu candidato presidencial, Filipe Nyusi.

Estes afirmam que no seu primeiro mandato Filipe Nyusi compôs um Governo que se mostrou apto para atender à situação em que o país se encontrava em 2015, daí esperarem que os próximos governantes sejam mais virados para a satisfação dos problemas dos moçambicanos.

Entre alguns pressupostos indicados os inquiridos afirmam que os próximos dirigentes do país devem ter algumas características, como integridade, idoneidade, tecnocracia e ter compromisso com a causa de contribuir para o desenvolvimento do país.

Referem ainda que a composição do Executivo não deve ser feita apenas por personalidades ligadas exclusivamente ao partido, mas também por cidadãos moçambicanos que estejam à altura de apresentar projectos concretos para Moçambique continuar a se afirmar como nação.

Para além disso, os entrevistados referem que os membros do próximo Governo devem ser pessoas que transmitam exemplos para os moçambicanos e que sirvam de referência para os demais cidadãos.

Apostar na tecnocracia e capacidade de resposta

JACINTA Nhamitambo, jornalista da Rádio Moçambique, começa por assumir que no primeiro mandato do Presidente Filipe Nyusi, de 2015 a 2019, o Governo era composto por uma equipa que se mostrou à altura de responder aos desafios de então, dentre os quais a questão da paz, da seca no Sul e inundações no Norte do país, bem como do problema da saída dos parceiros directos do Orçamento do Estado, o que desafiava o Executivo a apresentar soluções imediatas, o que se foi assistindo nos cinco anos de governação.

Para o próximo mandato Nhamitambo defende que o Governo deve ser composto por pessoas mais competentes, comprometidas com a criação e melhoria das condições de vida e bem-estar dos moçambicanos, bem como por personalidades alinhadas com o manifesto eleitoral desenhado pelo Partido Frelimo.

Referiu que é preciso apostar na juventude e no género, mas observando a questão da tecnocracia e da capacidade de ouvir o conhecimento e experiência de pessoas mais experimentadas no processo de governação, cujo desempenho trouxe boas memórias para os moçambicanos.

“Ao apostar na juventude e no género é preciso se observar a questão da disponibilidade para aprender dos mais experimentados em questões governativas”, reiterou Jacinta Nhamitambo.

A jornalista afirmou ainda que os últimos cinco anos permitiram ao Presidente da República perceber as competências de cada um dos membros do seu Governo, estando agora em melhores condições de indicar as pessoas que melhor se enquadram para cada sector de governação.

Jacinta Nhamitambo defende que, de uma forma geral, o novo Governo deve ser composto por pessoas capazes de responder aos anseios de todos os moçambicanos, independentemente da sua filiação partidária, religiosa, cultural ou situação socioeconómica.

“Devem ser governantes que assumem que Moçambique tem tudo para dar certo, atendendo a experiência do último mandato, em que o Presidente da República trabalhou sem nenhum recurso externo, mas o país deu passos rumo ao desenvolvimento”, acrescentou.

Mais do que isso, segundo referiu, é preciso pensar na possibilidade de se olhar para a diversidade de quadros competentes que o país dispõe e que podem ser capazes de apresentar soluções para os diferentes problemas do país.

Saber ouvir e valorizar opiniões     

PARA o jornalista da Televisão de Moçambique Erasmo Gil, além da capacidade técnica os membros do novo Governo devem estar preparados para saber ouvir e valorizar as opiniões dos outros, para buscar as melhores soluções para os problemas do país.

 

Gil reconhece que no primeiro mandato Filipe Nyusi se fez rodear de pessoas competentes e que conseguiram aliar a questão política e o saber fazer, mas entende que para os próximos cinco anos o país precisa de um Executivo mais exigente e atento.

“Não basta serem pessoas que se identificam com a política, mas devem ser personalidades dispostas a se dedicar e se entregar à causa do desenvolvimento nacional, sem olhar para os benefícios particulares”, disse Erasmo Gil.

Acrescentou que o novo Governo deve, antes de tudo, ser composto por mais tecnocratas e menos políticos, principalmente nos sectores relativos à definição de políticas públicas e que estejam directamente ligadas ao bem-estar popular.

O jornalista sugeriu que o Executivo deve ser composto por elementos com altíssimo grau de integridade e com sentido de abdicação de benefícios próprios, a favor do bem comum.

“Precisamos de governantes capazes de, quando necessário, chamar à razão a sua respectiva unidade de comando, dentro da cadeia hierárquica, com exemplos e acções que desencorajem as más práticas na gestão da coisa pública”, afirma o jornalista.

É de igual modo, segundo referiu, importante que os novos governantes apareçam como aqueles que não se sintam “beliscados” ou desafiados por encontrarem ideias contrárias nos seus subalternos (independentemente do nível hierárquico).

“Nos próximos anos precisamos de um Governo cujo principal pressuposto é servir o povo indistintamente. Deve ser um Executivo que valoriza a ideia de continuidade e valorize as conquistas alcançadas durante a governação anterior”, afirma Erasmo Gil.

Prestar mais atenção aos problemas do povo

VICTOR Gove, jornalista da Rádio Índico, defende que os membros do Governo a ser indicado depois da tomada de posse do Presidente da República, Filipe Nyusi, reeleito a 15 de Outubro do ano passado, devem ser pessoas patriotas e que se preocupam com a causa de todos os moçambicanos, independentemente da sua filiação partidária.

Gove sustentou a sua afirmação na ideia de Filipe Nyusi de que o Presidente da República é eleito para servir a todos os moçambicanos, sem olhar para questões político-partidárias, religiosas ou mesmo sociais, afinal representa uma nação e não um grupo político.

Para o jornalista da Rádio Índico, os membros do Executivo de 2020 a 2024 devem servir de exemplo e inspiração para os cidadãos nacionais continuarem a seguir as suas actividades rumo ao desenvolvimento do país.

Disse que devem ser governantes que antes de olharem para eles devem pensar no bem-estar dos cidadãos, identificando as melhores soluções para os desafios da população, principalmente aqueles que estão ligados aos serviços básicos, como Educação, Saúde e Serviços Sociais.

“O Governo deve ser composto por pessoas que colocam os interesses dos moçambicanos como sua prioridade. Devem ser personalidades que se inspirem nas preocupações populares e valorizem as contribuições da sociedade”, afirmou Gove.

Acrescentou que o conceito de inclusão também pode servir para a composição do Governo, desde a sociedade civil, partidos políticos e demais personalidades, desde que sejam pessoas que se identifiquem com a causa e o manifesto eleitoral da Frelimo e o compromisso de Filipe Nyusi.

Victor Gove defende igualmente que não basta identificar-se com o manifesto eleitoral, mas é preciso criar condições para que todas as promessas sejam tornadas realidade e implementadas durante o mandato.

Contudo, este jornalista disse acreditar que em função das suas promessas eleitorais o Presidente Filipe Nyusi conhece quais as melhores pessoas que poderão responder a cada um dos desafios que se predispôs a responder entre 2020 e 2024.

Governantes íntegros e de gestão transparente

PARA Argunaldo Nhampossa, jornalista do Semanário Savana, o próximo Governo no país deve ser composto por pessoas íntegras e que apostem numa gestão transparente, associada à competência técnica para desenvolver o país.  

Nhampossa diz que um dos desafios que o Presidente da República tem na indicação do novo Governo é a escolha de personalidades idóneas e que possam aliar a competência técnica à política. O manifesto que vai corporizar o Programa Quinquenal do Governo foi desenhado a nível partidário.

“Pode se casar a política e a técnica em benefício do bom desempenho do Governo. Ou seja, se um determinado ministro tiver competências políticas deve ser coadjuvado por um vice-ministro mais técnico, que possa responder aos desafios do sector”, disse Argunaldo Nhampossa, assumindo que o facto de o manifesto eleitoral que, certamente, será transformado em Plano Quinquenal do Governo, ter sido elaborado num partido político, com quadros à altura da sua implementação, dá garantias nesse sentido.

O jornalista lembrou que durante a campanha eleitoral Filipe Nyusi prometeu, entre várias coisas, criar três milhões de empregos no quinquénio 2020/2024, o que, segundo referiu, supõe que já tem um draft dos dirigentes com quem precisa trabalhar para cumprir esta promessa.

“Acredito que o Presidente sabe que precisa de dirigentes capazes de pensar e em cada ministério encontrar as valências do sector para criar estes empregos, atendendo à quantidade de jovens formados em situação de desemprego”, afirmou.

Entretanto, Argunaldo Nhampossa disse ser importante não se deixar de lado valores como a integridade na nomeação de governantes, uma vez que o país precisa de dirigentes íntegros e que transmitam confiança e segurança, ao se dirigir à sociedade, por exemplo.

Mais ainda, segundo disse, os novos membros do Governo devem ter comprometimento com a causa de Moçambique, evitando que os ministros sejam associados a negócios, ou seja, dirigentes conhecidos como de “boladas”.

Nhampossa é da ideia que o actual Governo precisa ser refrescado para emprestar novos saberes no processo de governação do país, porque “há ministros que tiveram bom desempenho, outros com maus resultados e alguns ainda tiveram uma avaliação mediana, daí a necessidade de alternância”.

Para o jornalista do “Savana”, seria igualmente prudente o Presidente da República incluir no seu Governo membros da sociedade civil de conhecidas competências e mérito bem como que provem estar à altura de responder aos desafios do desenvolvimento do país

Para tal, segundo defendeu, teria que se confirmar as referências e capacidades desses cidadãos, mas sem descurar a questão da integridade dessas personalidades, principalmente nesta nova cruzada para a qual o país caminha, a exploração do gás na bacia do Rovuma.

Saber ouvir ou manter abertura ao diálogo para ouvir diferentes tipos de opinião e definir as melhores decisões para os problemas do país e o bem-estar dos cidadãos são outras características que, de acordo com Nhampossa, devem ter os novos governantes.

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