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Categoria: Política
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A PROCURADORIA-GERAL da República (PGR) vai ouvir hoje quatro quadros séniores do Partido Renamo acusados de serem os principais financiadores e logísticos dos ataques militares na região Centro do país, protagonizados pela auto-proclama junta militar, liderada por Mariano Nhongo.

Trata-se de Manuel Bissopo, António Muchanga, Ivone Soares e José Manteigas, apontados por seis homens supostamente pertencentes à Renamo, detidos em finais do ano passado na província da Zambézia, quando procediam ao recrutamento de jovens para engrossarem as fileiras da ala militar do principal partido da oposição.

Por serem deputados da Assembleia da República, a PGR, através de uma carta, solicitou, a 03 de Janeiro corrente, à Presidente da Assembleia da República para que autorizasse e notificasse os quatro para se fazerem presente hoje no Ministério Público, a fim de prestar declarações.

As audições surgem na sequência da instrução preparatória do processo em investigação para aprofundar o grau de envolvimento e responsabilidade de cada um dos deputados citados pelos elementos da Renamo detidos.

O “Notícias” apurou que Manuel Bissopo, António Muchanga, Ivone Soares e José Manteigas vão prestar declarações com relação às acusações que os apontam como financiadores dos ataques e do recrutamento de jovens para integrar as fileiras da auto-proclamada junta militar da Renamo.

Os jovens recrutados, com idades entre os 18 e 40 anos, eram aliciados sob promessas de emprego nas Alfândegas, Migração e Polícia, bem como noutros sectores do Estado, enquanto o objectivo principal era a criação de bases da junta militar nos distritos de Milange, Namarrói e Morrumbala, na província da Zambézia.

Apercebendo-se de movimentações estranhas, a PRM avançou para uma investigação, tendo apurado que se tratava de homens da Renamo envolvidos no recrutamento de jovens para a reactivação das suas bases militares. Cada um dos seis detidos tinha como meta recrutar cinquenta jovens para o braço armado do maior partido da oposição.

Segundo referiu Carlos Leão, jovem de 33 anos de idade, natural de Morrumbala, um dos seis detidos pela Polícia, foi destacado pelo chefe da junta militar Mariano Nhongo para reabrir a frente da Zambézia, a partir do distrito de Morrumbala, região sul da província, onde já existia a base de Sabe.

Leão foi detido no distrito de Nicoadala pelas autoridades policiais, quando tentava seduzir mais jovens para completar o número que tinha-lhe sido atribuído. Segundo ele, para além de financiarem os ataques militares na região Centro do país, os quatro quadros da Renamo davam toda a logística.

A junta militar define-se como ala dissidente da Renamo que contesta Ossufo Momade, apontado como sucessor de Afonso Dhlakama, num congresso realizado no ano passado na serra da Gorongosa.