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Categoria: Política
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O novo ciclo de governação que ontem iniciou, com a investidura de Filipe Nyusi para um segundo mandato como Presidente da República, será decisivo para o desenvolvimento e o futuro do país.

Falando depois de ser investido, Filipe Nyusi disse que este quinquénio será decisivo para a história actual e o nosso futuro do país e como nação. Para tal, segundo disse, primeiro será preciso consolidar a paz, uma obra sempre inacabada que os moçambicanos desejam.

O Presidente da República discursava para uma plateia de cerca de três mil convidados, nacionais e estrangeiros, entre os quais chefes de Estado e de Governo, nomeadamente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; de Angola, João Lourenço; do Botswana, Mokgweetsi Masisie; de Cabo Verde e em exercício da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Jorge Carlos Fonseca; das Maurícias, Prithvirajsing Roopun; de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa; do Ruanda, Paul Kagame; da Zâmbia, Edgar Lungu, do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa.

Filipe Nyusi disse que o futuro pertence a todos os moçambicanos e depende do engajamento de cada um, daí que todos os cidadãos nacionais devem ter como agenda principal desenvolver Moçambique e que o compromisso seja de muito trabalho.

“Convido a todos os cidadãos para participarem com o seu saber, experiência e espírito crítico no processo de identificação de soluções para os desafios que os moçambicanos irão enfrentar neste quinquénio. O sucesso do país depende em primeiro dos moçambicanos”, disse Nyusi.

O Presidente da República afirmou que no mandato que agora começa continuará a apostar na preservação da paz, como condição indispensável do desenvolvimento nacional e o bem-estar dos cidadãos. “A paz foi e será a prioridade absoluta nos próximos cinco anos, tal como foi no primeiro mandato”, acrescentou.

Para além do diálogo permanente, Filipe Nyusi referiu que a sua governação continuará a implementar acções que visam a valorização da diversidade etnolinguística, religiosa e racial, como uma nação una e indivisível.

Acrescentou que a diferença de opiniões é um valor que deve ser estimulado, porque é gerador de alternativas na solução dos problemas do país. Daí comprometer-se a trabalhar para uma maior inclusão social como o forte para a viabilização da actual ordem política.

Filipe Nyusi referiu-se ainda à política externa, renovando a intenção de continuar a fazer amigos e aliados, consolidar a cooperação e solidariedade com outros povos através de relações bilaterais e multilaterais de forma a maximizar e proteger os interesses de Moçambique.

FUNDO SOBERANO SÓ COM TRANSPARÊNCIA

Ainda no seu discurso de posse, o Presidente da República afirmou que o fundo soberano que o país pretende criar não deve constituir fonte de desvios ou enriquecimento ilícito. Entretanto, Filipe Nyusi ressalvou que esta ideia não vai prosseguir se não houver garantias da prevalência dos princípios de boa governação e transparência na gestão desse fundo.

O Chefe do Estado explicou que o modelo do fundo soberano que se pretende deverá ter como base as receitas provenientes da exploração dos recursos mineiras.

“Não queremos que este fundo constitua fonte de desvios e de enriquecimento ilícito. Por isso não avançaremos sem garantir a prevalência dos princípios de boa governação, transparência, responsabilização e independência assentes num quadro legal moderno que permita que a população acompanhe e se sinta dona dos recursos”, referiu.

O Presidente da República disse que o fundo soberano que se pretende no país será um instrumento de poupança financeira para as gerações presentes e futuras e vai ajudar a proteger a economia do impacto da flutuação dos preços das matérias-primas no mercado internacional.

“A iniciativa também vai apoiar nos esforços de diversificação da economia, através da canalização de recursos para o desenvolvimento dos sectores não tradicionais, com destaque para o agrário, que emprega a maioria da população”, afirmou Nyusi.

Mais de 60 por cento de novos ministros

DEPOIS da tomada de posse o Presidente da República ofereceu um banquete aos chefes de Estado e de Governo que testemunharam a sua investidura. No discurso de ocasião, Filipe Nyusi anunciou que vai formar um Executivo com mais de 60 por cento de caras novas.

Nyusi disse que, para além de renovado, o seu Governo terá em atenção a questão do género e com forte aposta na juventude. “Usarei todas as minhas competências para construir um Governo prático, focalizado para os resultados”, acrescentou Nyusi, explicando que a renovação não se deve à incapacidade do seu anterior Governo, mas porque o balneário moçambicano é de altíssima qualidade, daí a necessidade de dar oportunidade a outros cidadãos.

“No meu Governo não haverá direitos adquiridos por ninguém. Mais do que cargos, todos terão uma missão e a todos será exigida ética, competência, lealdade, bom senso e humildade. Exigirei trabalho em equipa, satisfazendo as exigências do povo”, disse Filipe Nyusi.

Reafirmou que dará preferência aos desfavorecidos através de acções concretas, como a reconstrução de escolas, centros de saúde, energia, água e estradas, bem como priorizar a produção de comida e de culturas de rendimento.

“O primeiro mandato já é passado, mas é necessário ter em conta o ponto de partida, que é a unidade nacional. Na ocasião apelou aos governantes que cessaram funções para não fazerem sombra aos seus sucessores”, disse o Chefe do Estado.

(Alcides Tamele)