Director: Júlio Manjate

A capacidade de transformar obstáculos em oportunidades é reconhecida, de forma unânime, como o maior legado de Filipe Nyusi no primeiro mandato, facto que levou os moçambicanos a renovarem o voto de confiança para o segundo ciclo de governação.

O Chefe do Estado iniciou ontem o seu segundo e último mandato, após ser investido de poderes que o legitimam para conduzir os destinos do país nos próximos cinco anos.

Entretanto, personalidades que testemunharam o acto solene da sua investidura convergiram ao afirmar que os moçambicanos mantêm-se fiéis e convictos no projecto de Nyusi, considerando-o à altura de conduzir o país a bom porto.

Comprometido com a estabilidade

O ANTIGO estadista moçambicano, Joaquim Chissano, que se juntou a várias personalidades e centenas de cidadãos moçambicanos para assistir a tomada de posse, disse que Filipe Nyusi mostrou no seu primeiro mandato ser um homem comprometido em cumprir o com o seu programa, que se centra fundamentalmente na busca da paz definitiva ereconciliação nacional.

Joaquim Chissano apelou aos moçambicanos para apoiarem o segundo mandato de governação de Filipe Nyusi,sobretudo na restauração da paz.

O antigo Presidenteacrescentou que os moçambicanos devem empenhar-se neste novo ciclo de governação, apoiandocom ideias construtivas para que o país encontre soluções para os problemas da nação.

Para estancar a onda deataques no Centro do país Joaquim Chissano disse serimportante a aplicação de todo o esforço para a solução do problema, incluindoabuscadeapoio internacional, aos parceiros de cooperação, chamando atenção para que em primeiro lugar a soluçãovenha de nós,como moçambicanos.

Paz como objectivo central

A CONSOLIDAÇÃO da paz, diálogo permanente, estabilidade económica, política e social são alguns dos aspectos cujas bases foram lançadas no mandato anterior e que vão continuar a merecer a atenção do Executivo a ser liderado pelo Presidente Nyusi.

O antigo Chefe do Estado, Armando Emílio Guebuza, perspectiva que o Presidente da República, Filipe Nyusi, implemente, na íntegra, as promessas contidas no seu manifesto, com particular destaque para o reforço da unidade nacional e a preservação da paz, itens indispensáveis para galvanizar o crescimento do país.

Conforme Guebuza, os acordos rubricados para o fim das hostilidades militares confirmam o compromisso de Filipe Nyusi com a pacificação do país. No entanto, salienta que este esforço tem de ser complementado por outras forças políticas que intervêm no processo que teve revezes com a retoma de ataques armados na Zona Centro do país.

“Uma das partes envolvidas deve esclarecer o porquê de a paz estar a falhar”, disse, numa clara alusão à Renamo.

“Apesar dos esforços que estão a ser feitos nesse sentido, ainda não alcançamos a paz. Os moçambicanos morrem e não podem movimentar-se livremente pelo país. Por isso alcançar a paz deve ser o objectivo central”, continuou.

Numa outra abordagem, Verónica Macamo, ex-Presidente da Assembleia da República, vaticina um maior engajamento do Presidente da República no diálogo político e social com todas as forças vivas da sociedade de modo a que a concórdia não seja apenas uma referência discursiva, mas sim uma realidade inabalável. Fazendo a retrospectiva sobre o último mandato, Verónica Macamo enalteceu o papel de Filipe Nyusi na consolidação do Estado de Direito Democrático, através do pleno funcionamento das instituições.

Resiliência do país será testada

GRAÇA Machel, activista social e quadro sénior do Partido Frelimo, considera que o novo ciclo de governação começa com desafios para garantir a sobrevivência das populações afectadas pelas intempéries, com destaque para inundações nas zonas Centro e Norte, e seca no Sul do país.

Alerta que é preciso não negligenciar o impacto devastador destes eventos, do ponto de vista humanitário. Sublinha, por outro lado, que a reconstrução das infra-estruturas destruídas pelos eventos climáticos tem o potencial de desviar os recursos que poderiam ser empregues em outros projectos catalisadores do progresso social e económico.

Não menos preocupante, segundo Graça Machel, é o cenário de insegurança que prevalece na província de Cabo Delgado, onde todos os esforços da governação devem ser direcionados para se restabelecer a paz e a harmonia.

“Não estamos claros que a situação da guerra que nos é imposta em Cabo Delgado está sob controlo”, disse, falando a jornalistas. Ainda no domínio da segurança, Basílio Monteiro, membro da Comissão Política da Frelimo, descreve que a liderança de Filipe Nyusi concorreu para que o país experimentasse a estabilidade e tranquilidade e, por isso, augura a consolidação do ambiente de paz. Por outro lado, referiu a fonte, Nyusi notabilizou-se ao lançar as bases para uma agricultura sustentável, o que proporcionou uma disponibilidade maior de alimentos.

Nação se revê na agenda de Nyusi

A AGENDA de desenvolver o país sintetiza o discurso de Filipe Nyusi na sua primeira comunicação à nação após ser investido como Presidente da República. De acordo com Feliciano Gundana, membro sénior da Frelimo, os feitos de Nyusi durante o primeiro mandato confirmam o seu compromisso com a causa de servir o povo.

A inauguração de sistemas de abastecimento de água, a edificação de estradas, escolas, hospitais e demais infra-estruturas sociais dominaram a implementação do Plano Quinquenal do Governo, conforme Gundana.

Nesta senda, prosseguiu, é de esperar que o Executivo trabalhe para a satisfação gradual das necessidades dos vários segmentos sociais.

“Graças ao empenho do Presidente da República foi possível galvanizar a agricultura e reduzir a importação de géneros alimentícios”, exemplificou.

 Raimundo Pachinuapa, outro líder proeminente da Frelimo, vê na reeleição da Filipe Nyusi a consagração dos anseios de milhões de moçambicanos.

Destacou a tomada de iniciativa de ir ao encontro do então líder da Renamo, Afonso Dhlakama em busca da paz, facto que revela humildade e clarividência.

“Ele foi ter com um homem armado para negociar a paz em benefício do povo moçambicano”, disse Pachinuapa.

Por sua vez, António Hama Thai, veterano da luta armada de libertação nacional, acredita que dentro dos próximos cinco anos o principal pilar de governação, o da paz e unidade nacional, será concretizado, a considerar pelo engajamento pessoal de Filipe Nyusi, que conta com o apoio da comunidade internacional. 

Antevendo o próximo quinquénio, Hama Thai entende que este será crucial para diversificar a economia, num contexto em que o país prepara as bases para colectar receitas provenientes da exploração de hidrocarbonetos.

Inclusão não deve ser letra morta

A AUSCULTAÇÃO de várias sensibilidades nos debates nacionais é um procedimento imprescindível para que a inclusão não seja apenas uma mera formalidade. Quem assim o considera é o académico Ismael Mussá, do Observatório da Cidadania.

Para conferir qualidade aos fóruns de debate, sugere a participação das universidades, cujo papel é também de formar o saber político. Neste processo os intelectuais são chamados a avançar com propostas de políticas públicas e legislação de modo complementar as iniciativas do Governo de Filipe Nyusi.

Sobre o novo mandato, Ismael Mussá acredita que se vão concretizar as promessas da paz efectiva, que a seu ver não foram realizadas nos últimos cinco anos.

Outrossim, aponta que a governação foi marcada pela negativa com a descoberta das dívidas não declaradas, situação que resultou na suspensão da ajuda por parte dos doadores. Todavia, reconhece que o processo de paz não é imediato, motivo pelo qual requer todas atenções.

(BENJAMIM CAPITO e JOANA MACIE)

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