Director: Júlio Manjate

O RAPPER ugandês Fresh Kid acumula milhares de visualizações no YouTube, não somente por ter vencido um prémio musical nos Estados Unidos, mas também, e sobretudo isso, por ter saído vitorioso de uma batalha com o governo para poder cantar. Leia mais

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O Cine Teatro Scala, na cidade de Maputo, celebra amanhã o percurso internacional do Mabata Bata e os 27 anos da produtora da longa-metragem (Promarte Ltd.).

A longa-metragem foi por inúmeras vezes premiada, facto que engrandece o cinema nacional, para além de ter sido projectada em vários festivais internacionais.

Baseado no conto homónimo do conceituado escritor Mia Couto, “O Dia em que Mabata Bata Explodiu”, esta obra cinematográfica traz para as telas o clima tenso da guerra dos 16 anos. O confronto militar ainda estava tenso, os ataques eram frequentes e o medo passeava nas aldeias.

No enredo, Azarias é um jovem pastor, órfão, guardião de uma manada de gado bovino, onde se destaca o boi Mabata Bata. Os bois serão a base do pagamento de um “lobolo. O sonho do miúdo é ser uma criança normal, ir à escola, no que é apoiado pela avó. Um dia, quando Azarias está no pasto, Mabata Bata pisa em uma mina – fruto da guerra – e explode. O jovem teme as represálias do tio e foge para a floresta, levando consigo os bois restantes. A avó e o tio partem em sua busca para resgatá-lo e convencê-lo a voltar.

Entre tradições, decorre a história, que aborda de forma intensa a uma época particular da história de Moçambique. O filme é rodado no distrito de Chibuto, província de Gaza. Falado em Changana, língua do sul de Moçambique, a película decorre num cenário rural.

A qualidade da pílula nacional não tem contestação, por isso o seu director, Sol de Carvalho, pisou o carpete vermelho dos festivais internacionais Silk Road (Irlanda), Rotterdam (Holanda), Panafricain Cannes (França), Pan African Film (Estados Unidos da América – EUA) e o African Film Festival (Nova Zelândia).

E mais, competiu e venceu nos Festivais Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (FESPACO), Burkina Faso, e no Festival Africano de Luxor, no Egipto.

“Sinto-me honrado por saber que meu filme tem a qualidade exigida para ser um dos galardoados. É prestigiante estar a representar uma nação, Moçambique”, disse.

Para Sol de Carvalho a qualidade é um imperativo, factor que determina a participação dos filmes nos grandes festivais.

Apesar da projecção além-fronteiras, o director do filme ainda está preocupado em ver o filme exibido no país. A sua intenção é criar público e promover a sétima arte. “Queria ver mais pessoas a assistirem a minha longa-metragem”, disse, acrescentando que ficou feliz por ver o seu filme projectado, no ano passado, no distrito de Chibuto, província de Gaza, onde foi rodado.

Da adaptação às telas

Sol de Carvalho escreveu a primeira versão do guião do filme há 20 anos. “Fiz para exercitar, sem grandes intenções de fazer uma longa-metragem. Achei interessante o conto de Mia Couto, gostei da ideia. A história começa com a morte à explosão e depois a morte do personagem principal, o que não é comum nos contos, pois, trivialmente, os heróis sobrevivem”, detalha.

O realizador teve a atenção de manter a essência do conto. No entanto, deu o seu toque, colocou a sua mão e também fez interrogações. O resultado final foi um filme complexo, com uma história incomum.

“A história original foi muito respeitada. No entanto, obra e o filme serão coisas diferentes. Sou amigo do Mia Couto, um escritor que muito estimo, e ele entende isso”, indicou, afirmando que o autor do “Vozes Anoitecidas”, livro onde foi extraído o texto do filme, deu-lhe total liberdade para criar a partir das obras original.

Depois de ter o guião em mão, chegou a hora de pensar como será gravado o filme. Conta que foi fulcral o papel do director de fotografia, Jorge Quintela. Juntos passearam por Chibuto. Apreciaram a paisagem, o verde, a gente e os lugares que caracterizam aquele local.

“É um filme rural, achei que devia ter uma imagem um pouco bucólica. E como Chibuto oferecia essas imagens, nós quisemos tirar o maior rendimento disso”, conta Sol.

O director de fotografia do filme investiu em poucos movimentos de câmara, deu primazia à beleza do local.

“Jorge Quintela é um profissional de uma qualidade fantástica. Exigente, investe nos pormenores. O que torna o filme particular”, disse Sol de Carvalho.

Sobre a trilha sonora, Sol de Carvalho não quis usar nenhum material eléctrico, explorou instrumentos tradicionais.

O director musical, Pierre Dufloo, colocou a sua alma no filme. Deu tom rural ao filme, trazendo o ambiente sonoro do local.

“O director musical vive em Inhambane e lá tem um estúdio. Juntos seleccionamos alguns jovens que estão na música, que são muito talentosos e uma cantora da Suazilândia, integrante do agrupamento Espíritos Indígenas”, detalha.

O realizador conta que foi feita a primeira gravação, depois uma segunda, até o filme ficar com a qualidade desejada.

“Em termos de som, a película foi gravada num sistema próprio, para que o filme estivesse no formato em 5.1. sistema soround. Este tratamento especial do filme é para que esteja dentro dos padrões de qualidade internacional”, disse.

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A Associação dos Escritores de Moçambique (AEMO) procede hoje, sexta-feira, ao lançamento do seu programa anual de actividades, designado “No Gume da Palavra”, um espaço de reflexão sobre as artes e cultura moçambicanas em geral.

A cerimónia de lançamento incluirá música, recital de poesias, leitura de contos e música, com a participação de poetas e declamadores, em que se destacam  Sangare Okapi e Lucrécia Paco.

 O calendário de actividades a ser lançado hoje, para além da realização de debates e palestras na sede da AEMO, inclui feiras do livro e visitas às escolas, numa programação que conta com a participação de Marcelo Panguana, Severino Ngoenha, Tomás Vieira Mário, entre outras personalidades de relevo no panorama intelectual nacional.

Para o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona Rufino Roque, “este programa incide na participação de actores de diferentes sectores da sociedade, alvitrando-se assim uma maior diversidade de opiniões e circulação de ideias. Por outro lado, no que se refere ao debate literário e divulgação da literatura moçambicana, privilegiamos a participação activa de autores consagrados e outros menos conhecidos, pois a nossa visão sobre a literatura nacional assenta-se no respeito pelas diversas escolas de pensamento literário, pois o nosso principal objectivo é a união dos escritores de diversas faixas etárias. Para isso, a nossa bússola é o exercício literário aprofundado de cada escritor e não a pessoa que escreve.

O programa “No Gume da Palavra” arranca dia 27 de Fevereiro em curso, na Universidade Pedagógica, com um debate em torno do livro “Participei, Por Isso Testemunho”, de Sérgio Vieira e, ainda no mesmo dia, com a divulgação e entrega do Prémio BCI de Literatura, edição 2020. (RM)

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“PLEBISCITO” é o título da nova obra de José Craveirinha, a ser lançada brevemente a título póstumo, anunciou ontem a família do autor, à margem do sarau que assinalou os 17 anos de desaparecimento físico do poeta-mor.

Zeca Craverinha, o filho do poeta, foi o responsável pela selecção e organização dos 200 poemas que compõem a obra. Detalhou que o livro terá 250 páginas e será lançado antes de Maio, mês do aniversário do poeta-mor.

“Reuni poemas publicados depois da revolução dos cravos, 1974”, indicou referindo que os textos são amargurados.

Nos escritos, o autor mostra a sua visão desgostosa sobre o país. Premonitório, vaticina, “faz prognósticos, que como podemos observar, se transformaram em realidade”, indicou, Zeca Craveirinha no término do sarau.

O filho do poeta-mor disse ainda que, ao longo do ano serão realizadas várias acções cujo objectivo é preservar a obra e memória do seu progenitor, considerado como um dos maiores poetas da língua portuguesa.

“Em 2022, se Craveirinha estivesse vivo faria 100 anos. Por isso, estamos a desenvolver uma séria de actividades em prol da celebração do centenário do escritor”, disse, indicando que almeja ver o memorial e o centro de estudo em homenagem a este Herói Nacional, concluídos até a data da celebração do centenário do autor de “Xigubo”.

Apesar da esperança gerada pelo lançamento da primeira pedra, em 2017, ainda é necessário percorrer um longo caminho para que o projecto seja, efectivamente, materializado.

No sarau, que teve lugar na Casa-Museu José Craveirinha – residência onde ele passou a maior parte da sua vida, na zona do bairro da Munhuana, foi marcada pela revisita à sua vida e obras, bem como á declamação de textos do rico repertório do escritor e académico Calane da Silva e alunos da Escola Secundária Estrela Vermelha.

Para Calane da Silva, que foi amigo e colega de profissão do poeta-mor, Craveirinha é imortal, pois enquanto as suas obras estiverem preservadas, os seus escritos, o seu espírito estará entre nós.

“Ele mantém-se vivo. É uma figura incontornável na literatura e na cultura Moçambicana. Craveirinha é imortal ele é eterno. Porque ele vai representar depois dos séculos, os primórdios da literatura moçambicana. Por isso comemoramos com alegria este dia”, referiu, indicando que a memória de Craverinha ainda está viva.

O poeta-mor era um homem de causas, com uma consciência social e política aturada. Prova disso é a sua entrega aos movimentos activistas que lutavam pela dignificação da nação para sua materialização.

Falecido a 6 de Fevereiro de 2003, aos 80 anos de idade, José Craveirinha foi o primeiro escritor moçambicano e africano a ganhar o Prémio Camões, em 1991, o maior e mais importante galardão literário de língua portuguesa.

José Craveirinha nasceu no antigo Lourenço Marques, a 28 de Maio de 1922. No seu percurso trabalhou como jornalista nos periódicos moçambicanos “O Brado Africano”, “Notícias”, “Tribuna”, “Notícias da Tarde”, “Voz de Moçambique”, “Notícias da Beira” e “Voz Africana”.

Como escritor e poeta usou diversos pseudónimos, entre os quais Mário Vieira, J.C., J. Cravo, José Cravo, Jesuíno Cravo e Abílio Cossa.

Foi o primeiro presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987. Em sua homenagem, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), em parceria com a Hidroeléctrica Cahora Bassa (HCB), instituiu em 2003, o Prémio José Craveirinha de Literatura.

Entre os livros que publicou destacam-se “Xigubo”, “Cantico a un dio di Catrame” “Karingana wa Karingana”, “Cela 1”, “Maria” e “Izbranoe”, que lhe valeram vários prémios como Cidade de Lourenço Marques (1959), Reinaldo Ferreira do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Ensaio do Centro de Arte e Cultura da Beira (1961), Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, (1962), Nacional de Poesia de Itália (1975), Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos (1983), Medalha Nachingwea do Governo de Moçambique (1985), entre outros.

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A TRANSFORMAÇÃO do sector cultural numa verdadeira indústria, com ganhos visíveis para os intervenientes, e a criação de bases para a rentabilização do turismo são alguns dos objectivos de Edelvina Materula, nomeada há dias pelo Presidente da República Ministra da Cultura e Turismo.

Na interacção com os funcionários, momentos depois de receber do antigo ministro, Silva Dunduro, as pastas do pelouro, Eldevina Materula indicou que quer aproximar ainda mais o sector cultural do turismo, pois juntos podem trazer ainda mais resultados benéficos para a economia nacional.

“Foi feliz esta fusão. Espero contribuir ainda mais para a sua unificação”, salientou.

Na visão da nova governante, as artes devem ser uma indústria sólida, compacta, que traz ganhos para os artistas e para a sociedade. No entanto, para que tal seja possível é necessário trabalho e acima de tudo investimentos.

Referiu ainda que o turismo deve ser visto como uma fonte de rendimento, pois com maiores investimentos é possível arrecadar divisas, contribuindo para a economia e para o bem-estar dos moçambicanos que habitam e praticam actividades comerciais nos locais turísticos.

Eldevina Materula assegurou que vai visitar todos os institutos e entidades ligadas à Cultura e Turismo para perceber com profundidade o seu funcionamento.

Apontou que vai visitar igualmente instituições de ensino de artes, cultura e turismo, pois estas, na sua opinião, desempenham um papel fulcral, que é o de formação de quadros que alimentam estes sectores.

“Gostaria de começar pela Escola Nacional de Música, que é a instituição que me formou”, referiu, indicando que pretende impulsionar os estabelecimentos de ensino para que executem o seu trabalho de forma mais dinâmica.

Os artistas, frisou, serão privilegiados na sua governação e por isso espera incluí-los nas actividades correntes do Ministério da Cultura e Turismo. “Eles devem se sentir parte dos processos para que contribuam na materialização, com sucesso, das nossas actividades”, indicou, deixando claro que antes de ser ministra ela é uma artista.

Edelvina Materula revelou que está a analisar os relatórios do ministério, que indicam que o aproveitamento do último quinquénio foi bom.

“O facto aumenta a minha responsabilidade. No entanto, conto com os colegas para conseguir alcançar um bom aproveitamento, ajudando assim a trazer melhores resultados para o sector”, disse.

Materula apontou que não esperava ser nomeada, mas está honrada pela escolha que o Presidente da República, Filipe Nyusi, fez.

“Nunca foi minha aspiração ser ministra. Se fui escolhida é porque tenho realizado acções que contribuem positivamente para o sector”, indicou, deixando claro que está disposta a colher os contributos dos funcionários da instituição que dirige, pois “sozinha nada farei”, reconheceu.

Eldevina Materula, 37 anos, também conhecida por Kika Materula, nasceu em Maputo. Iniciou os seus estudos musicais aos sete anos e aos 13 anos foi a Portugal estudar, tendo ingressado na Escola Profissional de Música de Évora (Alentejo), no âmbito de um intercâmbio.

Antes de assumir o cargo de ministra era directora artística do projecto Xiquitsi/Temporada de Música Clássica de Maputo, onde foi condecorada com a medalha da Ordem de Mérito pelo Presidente da República Portuguesa.

Em 1995, já em Portugal, deu continuidade aos seus estudos musicais e tem o seu primeiro contacto com o oboé.

Terminou a sua licenciatura na Escola Superior de Música de Lisboa. Na Malmö Academy of Music, terminou a sua Pós-Graduação. Realizou concertos em diferentes países do mundo, com destaque para Moçambique, Angola, Brasil, Portugal, Espanha, bem como na Alemanha, França, Dinamarca e Suécia.

Em 2001 venceu a XVI edição do Prémio Jovens Músicos na categoria de oboé. Colaborou como convidada com a Orquestra Clássica da Madeira, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfonieta de Lisboa, Orquestra Gulbenkian, Malmö Symphonie Orchestra (Suécia), Malmö Opera Orchestra, Danish Radio Sinfonietta (Dinamarca), Orquestra Sinfónica da Bahia (Brasil), Kwazulu Natal Philharmonic Orchestra (África do Sul) entre outras.

Enquanto docente, trabalhou na Escola profissional de Música de Évora, na Escola de Música de Palmela, no Projeto Neojibá (Brasil) e na Academia de Música Costa Cabral. É professora convidada do Projecto social Neojibá (Brasil). Desempenhou as funções de Solista na Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música.

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