Director: Lázaro Manhiça

UM grande educador que dedicou a sua vida à música. É assim que amigos e familiares descrevem o músico e professor Adérito Gomate, que perdeu a vida, sexta-feira, em Maputo, vítima de doença.

O último adeus ao artista teve lugar na manhã de ontem. O velório aconteceu no Hospital Central de Maputo (HCM) e os seus restos mortais repousam no Cemitério de Michafutene.

Foi-se o artista, mas ficou a obra de quem em vida fez o que pôde pela música. Tocava piano, ensinava música e cantava, tendo assim ficado conhecido.

Era pianista e vocalista de Alambique, uma banda histórica fundada em 1984 pelos músicos Hortêncio Langa, Arão Litsure, Childo Tomás e Celso Paco.

Adérito Gomate era igualmente professor de música e um dos principais rostos da Escola Internacional de Maputo. Também colaborou com o Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Educação (INDE) na produção de manuais de educação musical.

“A sua prestação foi de grande valia na prossecução dos objectivos de inovar e modernizar a música moçambicana dentro e fora do país”, lê-se num comunicado da banda Alambique, que não se esquece das suas digressões por países como Zimbabwe, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Itália, Alemanha, Holanda, Áustria e Suíça.

É tudo fruto da sua formação emmúsica no Centro de Estudos Culturais (CEC), onde se especializou em piano e guitarra.

O seu talento e conhecimento serviram de passaporte para trabalhar como pianista nos hotéis e restaurantes da capital do país.

“Foi um apaixonado cultor do jazz, tendo, por conseguinte, protagonizado uma experiência notável com a iniciativa de criar uma “Big Band”, com a colaboração de músicos da banda da Polícia de Moçambique”, refere o agrupamento.

É daí que para os Alambique, Adérito Gomate “deixa um profundo vazio nos corações dos seus colegas e uma enorme instabilidade na carteira de projectos da Alambique”.

O grupo acrescenta que o seu “legado perdurará na nossa memória como exemplo de entusiasmo e dedicação à cultura e a música moçambicanas”.

Para Hortêncio Langa, que é também professor na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA-UEM), foi-se um companheiro de quase toda a vida.

“É uma grande perda para a música moçambicana, principalmente para o Alambique. Também perdi um grande amigo. Foram cerca de 40 anos de convívio”, disse Hortêncio Langa, que destaca o facto de o pianista ter sido uma pessoa aplicada naquilo que fazia, o que igualmente se evidenciou quando trabalhou na produção de manuais de ensino de música no Sistema Nacional de Ensino.

O autor de “Nyandayeyo”, “Teresa” ou “Maputo” frisou também que Gomate ainda tinha muito para dar às artes.

“Adérito era um cidadão respeitado pela sua paixão e maneira de estar na música”, comentou.

Por sua vez, o locutor e produtor musical Izidine Faquira, que também conviveu com o artista, exaltou o lado didáctico de Gomate, considerando que se dedicou ao ensino e à transmissão do conhecimento artístico-cultural aos mais jovens.

Izidine Faquirá considera ainda que o pianista revolucionou o ambiente do jazz em Moçambique e, na altura em que começou a actuar, era dos poucos pianistas no país.

Neste sentido, um dos grandes ensinamentos de Gomate está ligado à importância de os artistas estarem dotados de conhecimentos teóricos sobre a sua área de actuação.

O músico Arão Litsure, um dos vocalistas e guitarristas da banda Alambique, recorda as mais de três décadas que trabalhou com aquele que é considerado um dos grandes precursores do jazz moçambicano.

Ele defende que o mundo das artes “perdeu um pianista de mão cheia”, que “mostrou sua perícia, numa fusão entre o jazz e música moçambicana”.

É daí que, para ele, a morte de Gomate é uma perda incalculável. “Fica um grande vazio e não queremos pensar nas consequências”, lamentou.

Litsure garante que o seu legado será eternizado. Disse que algumas composições e concertos que Gomate gravou com a banda poderão ser futuramente lançados para mostrar que foi-se o homem, mas a obra continua.

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“A FACE da Moeda: os meios justificam os fins” é o título de um filme de ficção sobre o assédio sexual no local de trabalho, cujo lançamento está previsto para meados deste ano, na cidade de Maputo.

A curta-metragem de 15 minutos realizada pelo cineasta Anakhanga, pseudónimo deNarciso Miguel, conta com a participação especial de duas grandes figuras das artes moçambicanas, nomeadamente, a actriz Lucrécia Paco (que se notabilizou na companhia de teatro Mutumbela Gogo) e o músico Rufus Maculuve (integrante da banda Kapa Dech).

Rufus está a trabalhar como supervisor da curta, enquanto que Lucrécia, para além de actuar, dirige os actores.

A peça abrange um universo de mais de trinta artistas, dos quais cinco são os principais rostos da narrativa. Destes, dois são protagonistas e outros três antagonistas.

“‘A Face da Moeda’ é um filme que tenta explicar como é que o assédio sexual ocorre no local de trabalho e centra-se na questão da inclusão e retenção da rapariga, bem como mostra como tem sido o andamento desses casos na justiça”, disse Anakhanga.

Deste modo, o cineasta espera que o filme identifique várias pessoas que diariamente passam por este dilema.

“Precisamos muito de falar sobre este assunto, principalmente porque os homens, quando estão diante de uma rapariga, sempre pensam que têm a ver algo além do trabalho”, acrescenta Lucrécia Paco.

O filme está a concorrer para o Festival de Cinema Negro (Brasil) e prevê-se que integre o Festival de Curtas-metragens, organizado pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA). 

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MORREU sexta-feira, na cidade de Maputo, o teclista e professor de música Adérito Gomate, vítima da Covid-19.

Adérito Gomate era professor de música na Escola Internacional de Maputo e dava aulas particulares. Destacou-se mais como teclista e costumava tocar em hotéis da capital.

Foi uma das figuras da banda de jazz Alambique, fundada em 1984, por Arão Litsure e Hortêncio Langa. Foram eles que o convidaram a integrar o grupo, depois de os ter impressionado com a sua habilidade e sensibilidade artística. Os outros integrantes eram Childo e Celso Paco, que actualmente vivem no estrangeiro.

Os Alambique elevaram a música moçambicana além-fronteiras ao actuar em países como Zimbabwe, Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia.

Ao “Notícias”, Hortêncio Langa disse que a morte de Gomate apanhou a todos de surpresa, afinal “foi uma partida dolorosa e chocante”.

Ambos tinham muitos planos na manga. “Projectos musicais bastantes ambiciosos”, que apesar da sua morte deverão ser continuados.

“Como se costuma dizer, quando um combatente sai, pegamos a sua arma e continuamos o combate”, revelou.

Por sua vez, a Ministra da Cultura e Turismo, Edelvina Materula, referiu que Gomate deixa um grande vazio na música moçambicana. “Precisamos de ser fortes para saber lidar com estas situações de perda com a devida compaixão”, escreveu.

O funeral de Adérito Gomate é realizado às 10 horas de amanhã no Cemitério de Michafutene, antecedido do velório na capela do Hospital Central de Maputo, pelas 8 horas.

VELÓRIO DE BANG AMANHÃ NO PAÇOS DO MUNICÍPIO

Entretanto, realiza-se amanhã no Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o velório do empresário do entretenimento Adelson Mourinho (Bang), que perdeu a vida, aos 41 anos, no dia 11 de Janeiro, na vizinha África do Sul, vítima de um tumor no estômago.

A cerimónia que terá lugar entre às 9 e às 14 horas, estará aberta ao público a partir das 10 horas e contará com uma transmissão em directo através da Stronglive TV, canal por si fundado, e pelas redes sociais.

“Apelamos ao público a prevenção e protecção da Covid-19, respeitando o distanciamento e as orientações das equipas de apoio presentes no local”, lê-se no comunicado enviado à redacção do “Notícias”, que também indica que o funeral ficará reservado à família do malogrado.

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O PRESIDENTE do Tribunal Supremo (TS), Adelino Muchanga, defende que é necessário uma maior aposta nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), como um dos mecanismos para preservação das bibliotecas nacionais, que iguais um dos maiores acervos de processo de Moçambique, localizado no Tribunal da Ilha de Moçambique, província de Nampula, correm o risco de desaparecer.

Muchanga mostrou esta preocupação durante a recente tomada de posse da directora do Gabinete de Documentação e Edição Judiciária, Denise Catarina Silva, junto de outros quadros desta instituição judiciária.

Segundo o presidente do TS, a herdade localizada na icónica Ilha de Moçambique,  com mais de 100 anos de existência, é um dos exemplos dos acervos que podem desvanecer, caso não haja intervenções que garantam a sua conservação.

“É urgente que sejam encontradas formas de preservar o património bibliográfico ainda disponível”, alertou.

É neste sentido que, dentre as formas  de preservação identificadas pelo magistrado, uma das principais saídas está na aposta nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação para que, deste modo, os documentos físicos também estejam disponíveis na versão electrónica.

Nesta perspectiva, Denise Silva é desafiada a efectivar estas ideias que não deverão ser apenas aplicadas na Biblioteca Central do Tribunal Supremo, mas igualmente “nos 158 tribunais em funcionamento a nível nacional e dinamizar, coordenar e orientar a instalação de acervo mínimo em cada tribunal”. Segundo disse, a Biblioteca do Tribunal Supremo deve “ser uma referência a nível nacional e não só”.

Para Muchanga, a digitalização também deve ser vista como forma de internacionalização das publicações moçambicanas em diferentes áreas, daí que “ao falarmos da biblioteca, não podemos esquecer que o mundo está cada vez mais interligado e digital. A forma de organização e funcionamento das nossas bibliotecas deve acompanhar a evolução tecnológica”, considera.

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MORREU na hoje (11), vítima de doença, na África do Sul, o empresário moçambicano e produtor musical Bang, nome com que era conhecido Adelson Mourinho.

Informações na posse do “Notícias” dão conta que Bang perdeu a vida, aos 41 anos, num dos hospitais da África do Sul, onde estava internado há cinco meses, padecendo de um tumor no estômago.

Os cuidados médicos intensivos em que se encontrava Bang eram tão delicados e demasiadamente avultados que a esposa do malogrado, a cantora Lizha James, amigos e familiares iniciaram uma campanha de angariação de fundos para conseguir a solicitada quantia de um milhão de randes (cerca de 5.100.000 milhões de meticais) para custear as despesas do tratamento da doença.

Em Dezembro, quando o quadro clínico do produtor musical se agravou, a Bang Entretenimento e a televisão Strong Live, firmas do empresário, emitiram um comunicado a indicar que a situação era delicada e que Adelson Mourinho já se encontrava internado desde Agosto, mas que já lutava contra a enfermidade há mais de um ano.

Até que ao fim da manhã de hoje veio a sucumbir à doença, na cidade de Joanesburgo.

Um dos mais activos produtores musicais do país, com um longo percurso no campo do entretenimento, o empresário fundou uma firma que deu o seu epíteto, a Bang Entretenimento, que se dedica à etiqueta, organização e promoção de eventos culturais, com destaque para a música moçambicana feita por artistas da nova geração.

Nesta Labell, pontilharam nomes de jovens músicos como Valdimiro José, Dama do Bling, Ziqo, Denny OG e Marlenne, para além da própria esposa, a Lizha James. Mais recentemente, Valter Artístico, Celso Notiço, Loyd K, Simone Silva, o grupo Os do Momento, Doppaz, entre outros, passaram a integrar a equipa do Projecto Âncora.

Bang deixa esposa, com quem casou em 2010, e uma filha.

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