Director: Júlio Manjate

O Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, anunciou ontem, em São Vicente, que o país vai acolher, em Março próximo, o Encontro Internacional da Juventude Africana, para reflectir sobre os desafios dos jovens africanos.

O chefe de Estado cabo-verdiano fez o anúncio da realização do encontro durante o discurso de abertura do I Fórum Nacional da Juventude, que decorre até sábado na ilha de São Vicente, numa parceria do Governo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Segundo Jorge Carlos Fonseca, o Encontro Internacional da Juventude Africana será realizado com “o alto patrocínio do Presidente da República” na ilha do Sal, em Março de 2020, “abrangendo jovens cabo-verdianos residentes e da diáspora, assim como jovens provenientes de países da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e de outros países parceiros de Cabo Verde e do continente (africano)”.

“Este encontro terá o propósito de estabelecer uma plataforma de diálogo e de reflexão sobre diversos temas relacionados com os desafios enfrentados pela juventude cabo-verdiana e do continente africano e permitirá aos jovens participantes estabelecerem um debate profícuo de ideias sobre temas da actualidade regional e global, auscultando, ao mesmo tempo, as propostas de soluções emanadas pelos próprios jovens, tendo em conta os vários problemas que os afligem”, apontou o Presidente da República.

Jorge Carlos Fonseca defendeu, na mesma intervenção, uma “forte aposta na promoção e no reforço da participação juvenil com vista ao seu comprometimento cívico nas várias esferas sociais”, vendo por isso o I Fórum Nacional da Juventude - que hoje arrancou em São Vicente sob o lema “Preparar os Jovens para o Mercado Global” -, como “um marco importante para que uma tal dimensão das políticas públicas destinadas aos jovens assuma preponderância e visibilidade maiores no contexto governativo”.

Apontando que Cabo Verde “está a crescer economicamente”, o que “renova as esperanças numa melhoria de condições de vida dos cidadãos”, recordou que no passado o crescimento da economia cabo-verdiana, de mais de 7% ao ano, entre 2004 e 2008, “não foi sustentável como muitos pensavam”.

“Por isso, encorajo e estimulo o Governo na sua tarefa de proceder a reformas políticas e económicas estruturais no sentido da redução significativa da nossa dependência externa e da promoção do fortalecimento do sector empresarial nacional. Sabemos que se não houver criação de riqueza da forma como todos ambicionamos não haverá oportunidades de empregos suficientes que atendam à demanda dos jovens”, defendeu Jorge Carlos Fonseca.

Na mesma intervenção, o Presidente da República reconheceu que a “juventude está sedenta de oportunidades” e “quer ver os seus problemas resolvidos a curto prazo”, pelo que “só compreenderá a lógica do crescimento do Produto Interno Bruto quando sentir que há correspondência directa com a melhoria das suas condições de vida e de realização pessoal”.

“Todavia, no que se refere à política do fomento do empreendedorismo nacional, importa reconhecer a dinâmica que o Governo tem imprimido a este sector, através, nomeadamente, da ‘Pro-Empresa’, com a concessão de avales junto à banca, integrada numa política de incubação e de suporte das ideias de negócios geradas por jovens potenciais empreendedores”, admitiu.

Sublinhou que a “promoção de uma cultura verdadeiramente empreendedora em Cabo Verde é interesse de todos” e que para tal os jovens devem ser preparados para se tornarem “inovadores, com incidência nos alicerces que sustentarão o chamado ecossistema”.

“É imperativo capacitar os jovens com o conhecimento e as habilidades necessárias para moldar o futuro desta nação. Essa visão também deve ter como alvo aqueles que mais precisam de apoio, isto é, aqueles que não estão no sistema educativo, nem no mercado de trabalho e, em especial, os jovens com deficiência”, disse Jorge Carlos Fonseca, exortando a necessidade de Cabo Verde melhorar “consideravelmente” o índice de competitividade no mercado global.

“Entendo que o papel do Estado, designadamente, num país como o nosso, é o de orientar, estimular, promover e facilitar a criação de um ambiente propiciador de um verdadeiro ecossistema de inovação, mas estou consciente de que, para além de uma visão estratégica, esta transformação exige recursos avultados e muita ambição e determinação”, defendeu.

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