Director: Júlio Manjate

O monumento erguido em homenagem aos mártires de Inhaminga, cuja inauguração será feita hoje, no distrito de Cheringoma, em Sofala, pelo Chefe do Estado, Filipe Nyusi, expressa, de forma simbólica, o reconhecimento aos combatentes da gesta  libertária moçambicana.

Em declarações, sábado, ao “Notícias”, na vila de Inhaminga, o Ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, disse que o Governo edificou uma obra, que tem a perspectiva de garantir a perenidade da história dos moçambicanos, particularmente, a da luta de libertação nacional, que culminou com a proclamação da independência nacional, em 1975.

Por isso, sublinha o governante, com esta infra-estrutura, o Governo não só presta um justo tributo aos combatentes, como também curva-se à população de Inhaminga, que foi, inocentemente, massacrada pelo regime fascista português.

“Com a edificação deste património, o Governo está a trazer Inhaminga para o mundo, mas também fazendo-a reflectir na história de Moçambique”, disse o ministro, para quem esta obra tem a perspectiva de garantir perenidade deste acontecimento nacional.

Até porque, avançou, esta era uma página da nossa história que se pretendia ocultar, sobretudo, pelo regime colonial português, uma vez que, nos relatos da ocupação colonial, os capítulos sobre os massacres perpetrados pela tropa portuguesa foram “rasgados” ou, simplesmente, branqueados.

“Durante muitos anos tentou-se branquear estes actos macabros. Mas, é interessante que na sua investigação, a equipa do Instituto de Investigação Sócio-Cultural (ARPAC) foi encontrar, em Portugal, alguns soldados, que participaram nesta barbárie. E hoje já idosos, contaram, com remorsos, o que fizeram. Estão, claramente, com peso de consciência”, disse, acrescentando que “esta história não é somente nossa, mas também universal. Por isso, devemos dá-la a conhecer”.

Estabelecendo uma analogia, Dunduro refere ser recorrente falar-se de genocídios ou holocaustos perpetrados na fase mais negra da história da humanidade, mas, dificilmente, se abordam os massacres feitos pelos colonos em África, principalmente, os protagonizados, em Moçambique, pelo regime colonial português.

“Este é um dos acontecimentos que nunca tinha sido denunciado nesta dimensão. Por isso, achamos que é melhor que moçambicanos venham cá, para perceberem o que o regime colonial fez contra este povo e, por extensão, nos locais, onde, esteve presente”, aconselha.

Uma vez construído este monumento, Silva Dunduro deseja, que figuras das artes, cultura e da investigação sócio-culural se façam ao local para terem um melhor entendimento sobre o que foi o masascre de Inhaminga, de modo a continuarem a produzir obras a respeito deste e de outros factos marcantes.

Edificado no bairro do Aeródromo, que dista há cerca de cinco quilómetros da vila de Inhaminga, sede do distrito de Cheringoma, o monumento é composto por dois murais artísticos interpretativos, que contam a história do avanço da guerrilha da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), nas frentes de Manica e Sofala, e o massacre perpetrado pela tropa colonial portuguesa em retaliação a esta epopeia.

Tem ainda três pilares, de cinco metros cada, com informação histórica descritiva, que simbolizam as três valas comuns, que o regime colonial português fez em Inhaminga, para enterrar as mais de três mil pessoas mortas ao longo dos oito meses de duração destas matanças (Agosto de 1973 a Abril de 1974).

Comunidades são fiéis depositários

A GESTÃO do monumento de Inhaminga será feita, em primeira instância, ao nível local, pela comunidade, que é depositária primária desta infra-estrutura, conforme preconiza a Lei 10/88, que determina a protecção e gestão do património cultural nacional.

Do ponto de vista institucional, a administração do distrito de Cheringoma terá, igualmente, intervenção, enquanto depositária deste património.

Na ocasião, o ministro garantiu, que está em criação a comissão comunitária que vai gerir esta infra-estrutura, isto respondendo ao disposto no regulamento sobre gestão do património cultural edificado.

Os membros desta comissão, alguns dos quais serão guias turísticos, vão ser capacitados sobre mecanismos de gestão, sustentabilidade e rentabilização do empreendimento, trabalhando em estreita coordenação com a administração distrital.

“O Governo construiu  este empreendimento, mas deve ser valorizado pela comunidade.  Podia ter produzido um livro sobre o assunto, mas optou por uma abordagem diferente, pois, sabemos, que gerações e gerações de moçambicanos vão se apropriar do que estamos a fazer hoje. E combinamos a construção deste monumento aos projectos de turismo histórico-cultural”, disse, chamando atenção para a necessidade de, rapidamente, se construírem infra-estruturas sociais nas proximidades do empreendimento, como forma de dinamizar o desenvolvimento naquela zona.

“Vamos trabalhar no sentido de concretizar um plano de ordenamento territorial para os jovens de Inhaminga construírem residências e, igualmente, desenvolverem-se infra-estruturas de acomodação”, disse Dunduro, fazendo notar, que já estão avançados projectos de extensão de água, a partir do programa “Água para a Vida”, e de corrente eléctrica.

“Achamos, que a construção de infra-estruturas sociais, combinadas com este monumento, vai trazer, para esta zona muita vida”, comentou, para quem a reabilitação do campo de futebol do Ferroviário de Inhaminga pode servir de emissor de turistas para a visita ao monumento e compra de produtos de artesanato.

“O mais importante é compreender-se, que este empreendimento é da comunidade e não do Estado, pois nós já construimos, mas é preciso, que  os guias, os artesãos, os grupos culturais locais sejam feitos pelas comunidades. É essa devolução da história de Moçambique às comunidades, que faz diferença”, explicou.

Cinco monumentos erguidos em cinco anos

ESTE é o quinto monumento que foi erguido pelo Governo, ao longo do presente ciclo de governação, em diversos pontos do território nacional. Os quatro anteriores construídos são “Milagre Mabote”, na província de Gaza (em 2015); requalificado o monumento do “Massacre de Wirriamu”, em Tete (2017); “Filipe Samuel Magaia”, na cidade de Maputo, (2017);  “Monumento de Báruè, em homenagem à revolta dos Macombos”, em Manica, (2018).

Para o Ministro da Cultura e Turismo, esta acção sintetiza a preocupação, que o Governo tem de edificar patrimónios, que configurem o registo da nossa memória colectiva.

“Estamos a fazer o registo de memória da resistência contra a ocupação colonial e da luta de libertação nacional. Achamos que se estes factos históricos marcantes na nossa epopeia libertária não forem pesquisados e divulgados vão se apagar das nossas memórias. E não queremos, que a história morra. Portanto,  foram cinco infra-estruturas de grande nível para imortalizar a nossa história e a heroicidade do nosso povo”, frisou.

Há ainda o projecto de construção do Museu Samora Machel, em Lobatse, no Botswana, iniciado no ano 2009 e retomado em 2019, cuja infra-estrutura está concluída, podendo ser inaugurado ainda este ano.

Onde fica Inhaminga?

SEDE do distrito de Cheringoma, a vila de Inhaminga dista 180 quilómetros da cidade da Beira, província de Sofala. É atravessada pela Estrada Nacional Número 283, Dondo-Matondo e pela linha ferroviária que parte da Beira para Sena (distrito de Caia).

O nome de Inhaminga provém de uma palmeira silvestre designada na língua cisena por minga. A maior parte dos habitantes de Inhaminga pertence ao grupo etnolinguístico sena.

Em Inhaminga foi criado, no período colonial, um grande complexo ferroviário.

As oficinas gerais (dos comboios à diesel) dos caminhos-de-ferro, pertencentes à firma Trans Zambezian Railways (donde nasceu a empresa Caminhos-de-Ferro-de Moçambique) estavam instaladas nesta vila. De Inhaminga passavam e cruzavam as locomotivas de passageiros e de mercadorias, o que tornava esta vila uma referência económica e social do então distrito de Manica e Sofala.

Entre 1973 e 1974 viviam em Inhaminga 45 mil habitantes, dos quais mil europeus, fazendo deste o segundo centro urbano mais importante de Sofala, depois da cidade da Beira.

De acordo com o censo de 2017, a vila de Inhaminga conta hoje com uma população de 23.505 habitantes, que, na sua maioria, se dedicam à prática de agricultura.

(FRANCISCO MANJATE)

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O distrito de Chongoene, em Gaza, conta, desde a semana passada, com uma nova biblioteca infantil, com mais de 200 obras literárias de temática diversas, entre contos e estórias infantis, e manuais de pedagogia, para orientação dos docentes.

Trata-se de um centro de estudos, que conta com material bibliográfico de línguas Portuguesa e Inglesa, Matemática, Moral e Cívica, Pedagogia, Atlas, Romances, entre outros. Parte dessas obras de escritores e conteúdos nacionais, foram oferecidas pelo banco Millenium Bim, no âmbito do apoio social aos sectores de educação e cultura, prevendo-se beneficiar cerca de três mil crianças.

 A biblioteca está anexa à Escola Primaria Completa de Siaia, esperando-se, que a mesma venha criar e incentivar o hábito de leitura, escrita, desenho e pintura no seio dos estudantes da 1ª à 7ª classe daquela escola e de diferentes escolas primárias completas baseadas no distrito de Chongoene.

Segundo o responsável do Millenium Bim, Fernando Carvalho, a criação daquela infraestrutura é fruto de um projecto, que tem em vista permitir, que os estudantes possam cultivar hábitos de leitura e lazer, bem como, exercitarem as matérias, que todos os dias aprendem na escola.  

A biblioteca poderá, num futuro breve, segundo garantiram os responsáveis do Bim, receber material informático, para permitir pesquisas de conteúdo tecnológico.

Por seu turno, a governadora da província de Gaza, Stella Pinto Zeca, agradeceu o gesto daquela instituição bancária pela oferta de um espaço de consulta de matéria bibliográfica infantil, sublinhando, que é responsabilidade de todos cultivar na criança o hábito de leitura e escrita.

“A biblioteca está aqui e tem uma diversidade de livros, histórias bonitas e de outros conteúdos, que podem aproveitar, para melhorarem o vosso nível de conhecimento. Aproveitem com a orientação dos vossos professores e explorem no máximo este espaço, para que as próximas olimpíadas académicas sejam vencidas por estudantes deste distrito”, disse a chefe do executivo de Gaza.

A governadora apelou ainda aos estudantes a fazerem bom uso daquele património público, conservando-o, de forma a servir a cada vez mais estudantes.

“Se conservarem bem esta biblioteca, acredito, que as outras gerações virão buscar também conhecimento aqui”, deixou claro, Stella Pinto Zeca.

 

 

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O músico Stewart Sukuma e a banda Nkuvu actuam hoje, no espaço Solange Beach Club, na cidade da Beira. O concerto está integrado no evento denominado “Noite da Capulana” que, segundo os organizadores, pretende celebrar o melhor da diversidade cultural e artística do país. Leia mais

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O músico Stewart Sukuma e a sua banda Nkuvu actuam este sábado (21) no espaço Solange Beach Club, na cidade da Beira.

O concerto está integrado no evento denominado “Noite da Capulana” que, segundo os organizadores, pretende celebrar o melhor da diversidade cultural e artística do país.

Stewart Sukuma diz-se pronto para voltar à Beira numa altura muito particular, para esta cidade, que vai se reconstruindo, depois dos impactos do ciclone tropical Idai.

O artista acrescenta, que “Beira tem um significado particular, porque por lá tenho muitos amigos e familiares, e sempre que vou tocar nesta cidade, as recebo com um grande calor e uma grande amizade do público. Estou muito feliz por regressar à Beira”.

De acordo com Sukuma, a performance da banda, no “Solange Beach Club” vai servir para apresentar temas, sobejamente, conhecidos pelo público, mas com toques subtis. “Até porque cada actuação é única e banda Nkuvu já habituou o público a essa dinâmica. Portanto, o auditório pode esperar um show de muita fusão, mas com grande referência, para o ritmo marrabenta, que muito caracteriza as minhas músicas”, acrescentou.

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Decorre esta tarde, na vila-sede de Inhaminga, distrito de Cheringoma, uma mesa redonda sobre os massacres coloniais, em Moçambique, particularmente, os que tiveram lugar naquela parcela da província de Sofala.

Esta acção realiza-se no âmbito da passagem dos 45 anos dos massacres de Inhaminga, que tiveram lugar de Agosto de 1973 a Abril de 1974, vitimando mais de três mil moçambicanos.

A barbárie do regime colonial cometida ao longo de oito meses tinha como objectivo travar o avanço da Frente de Manica e Sofala, efectuada pela guerrilha da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), na “odisseia” do alcance da Independência Nacional.

Subordinada ao tema “Valorizando e divulgando a História da Luta de Libertação Nacional”, a mesa redonda terá quatro apresentações de pesquisas efectuadas por académicos moçambicanos do Instituto de Investigação Sócio-Cultural (ARPAC), entidade subordinada ao Ministério da Cultura e Turismo, que organiza o evento.

Luís Meno, delegado do ARPAC em Sofala, disse ao Notícias, que não obstante as sevícias, e matanças, a população continuou firme nos seus desígnios de luta contra o regime colonial português.

Com efeito, depois da intervenção do administrador de Cheringoma, José Domingos Tomás, Joaquim Sequeira Joaquim falará sobre “A população de Cheringoma no contexto da Luta de Libertação Nacional na província de Sofala”.

Por sua vez, Francisco Matias Américo foi convidado, para abordar a questão dos “Missionários católicos em Inhaminga e a denúncia dos massacres”.

O orador Alberto Zimata Mapime incidirá a sua apresentação na questão da "Identificação, valorização Cultural e patrimonial dos monumentos aos Massacres de Inhaminga, no contexto da unidade Nacional, paz e desenvolvimento”.

"A dimensão pedagógica dos factos da nossa história: um olhar em torno dos massacres de Inhaminga" é o tema, que será apresentado por Luís Meno, delgado do ARPAC em Sofala.

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