A DEVASTAÇÃO florestal ainda é uma grande preocupação no país. Nessa luta, há mais de uma frente a combater. Por um lado, o corte ilegal de madeira, que muito lesa os cofres do Estado, e, por outro, danifica o ecossistema, em benefício dos bolsos de uma minoria criminosa. Outra face deste problema são as queimadas descontroladas, nalguns casos para fazer a agricultura, noutros para fazer a caça. Esta, por seu turno, muitas vezes é feitas por quem apenas está à procura do que comer. Mas, em ambos os casos, o Estado sai lesado. Entre outras questões, são essas carências que, às vezes, conduzem pessoas a investir tudo o que têm, que não é muito, a construir em locais proibidos. O peso, neste caso, quando se tem de destruir, acaba ficando com esta pessoa que já antes não tinha nada e via ali, mal e tenuemente, uma luz no fundo.   

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TEMOS assistido, com alguns burburinhos de esquina e dos corredores das conversas informais, ao nascimento e crescimento massivo de novas igrejas na cidade de Maputo. Ao dobrar de cada esquina, da zona nobre à periferia, ouve-se, a qualquer hora do dia, voz de um pastor amplificada poraparelho de som,emvolume extremamente alto, a conduzir um sermão ou uma oração.

Esta proliferação de igrejas vem a reboquee ésuportada por profetas, entre outros comissários que nos dão a entender que o Deus que eles apregoam, finalmente depois de vários anos de abandono, voltou as suas atenções para a nossa capital.

Com a promessa de livrar os crentes de todas as agruras que no percurso da existência vão aparecendo – conforme dizem -, por culpa do diabo, entram em aflições, pois - acrescentam - o ser supremo que os governa concebeu o mundo só e só para a felicidade.

Nesses discursos e narrativas, os proprietários, ou profetas,como se autodenominam, arrastam multidões, parte envolvida em frustrações resultantes de fracassos e falências familiares, sociais, empresariais e afins.

Num país laico como o nosso, de Estado de Direito, respeitador e zelador das liberdades individuais, a pluralização de credos não constitui em si um problema de contornos legais. O que suscita alaridos, a tal pulga atrás da orelha, como diz o ditado popular, é a idoneidade das pessoas que estão à frente dessas organizações doutrinárias.

Através de vídeos nas redes sociais, quem não participa nos cultos tem a possibilidade de assistir a alguns supostos milagres, que, com recurso à razão e à lógica, sem muito raciocínio, recordamo que na década oitenta se designou de candonga.

O risco desta proliferação, claro que sem nunca ignorar a possibilidade de o Deus que apregoam ter virado as suas atenções para Moçambique, o que tem fundamento quando constatamos que os nossos recursos naturais poderão salvar-nos da pobreza que nos atormenta – éque, caso sejam falsos, como parecem ser, pode-se estar abrir espaço para problemas maiores.

A história mostra que ao longo dos milénios, por razões religiosas, Estados entraram em guerras, pois, quando se fala deste assunto, está-se diante de um território que joga com questões virtuais, com crenças que orientam a forma de ver o mundo das pessoas e as define enquanto seres sociais.

A Europa (e outros do Ocidente) e o Oriente Médio há milénios digladiam-se (hoje com o Estado Islâmico e outras organizações ou mesmo Israel) por essas questões sagradas. Detalhe: cada um com o seu fundamento.

O crescimento dessas igrejas tem uma capacidade monstruosa, como vimos no Brasil, de a longo prazo interferir nas escolhas das pessoas, a ponto de influenciar processoseleitorais.    

Uma das faculdades que singulariza o Homem das outras espécies animais é  o pensamento, mas que se alienadoé capaz de apoiar as maiores atrocidades possíveis. Com isso, naturalmente, não pretendemos aqui fatalismos, que, sinceramente, gostaríamos de não experimentar. Apenas convidamosa olhar para esse crescimento de igrejas com alguma atenção. A finalizar, recordamos, não estamos cá a ignorar a possibilidade de o Deus que apregoam ter virado as suas atenções para Moçambique. 

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VEZES sem conta, ao circularmospela cidade de Maputo, tanto nos centros urbanos como nalguns bairros periféricos, o cheiroque sentimosé de urina, quando não se atingemestágios mais abaixo. Ecomo se deve ter consciência, tal não resulta de nenhum acto de feitiçaria ou algo parecido. É a acção dos cidadãos. Parar e aliviar-se na via pública é um gesto tão natural como cumprimentar uma pessoa que nos é íntima. Tambémé preciso reconhecer que as autoridades municipais têm a sua quota de culpa nisto, pois não há casas de banho públicas na cidade de Maputo. Assim como, igualmente, não há um sistema de saneamento que seja realmente funcional. Os que existemsão da era colonial, alguns a necessitar de manutenção há décadas, que nunca mais chega. Obviamente que estas anomalias voltam depois até nós, com estes cheiros que são atentado à saúde.

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