Director: Júlio Manjate

O grau de inundações e destruições em Cabo Delgado pode agravar-se a qualquer momento caso continue a chover nos próximos dias, uma vez que a província não tem mecanismos de controlo e amortecimento dos escoamentos dos rios.

Os rios Messalo, Montepuez e Rovuma, cuja subida inundou diversos distritos e destruiu infra-estruturas sociais, incluindo estradas, pontes e residências, correm naturalmente pela província sem barragens e/ou diques de defesa.

Face ao cenário, aliado ao facto de já estar a chover desde finais de Dezembro, o que levou à saturação dos solos, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alerta que estão criadas as condições para um desastre.

Agostinho Vilanculos, chefe doDepartamento de Gestão de Bacias Hidrográficas na DNGRH, disse que mais chuva de magnitude igual ou superior a que já cortou a Estrada Nacional 380 originaria uma situação de difícil controlo.

Falando ontem ao “Notícias”, Vilanculos disse que a situação do Norte, concretamente de Cabo Delgado, é preocupante,pois prevê-sechuva acima do normal até Março, lembrando que a precipitação começou ligeiramente antes do período habitual. Normalmente, regista-se a partir da segunda semana de Janeiro, mas desta vez arrancou na última de Dezembro e de forma intensa.

“Estamos praticamente no pico da época chuvosa. Temos ainda Fevereiro e Março e, segundo a Meteorologia, há previsão de pelo menos um ou dois ciclones no Canal de Moçambique, o que pode vir a fragilizar ainda mais a situação das comunidades que vivem nas bacias do Norte do país”, disse.

Desta forma, recomendou as comunidades a que estejam atentas aos avisos que vão sendo dados pelas autoridades e cumpram as recomendações.

Pelo menos 10.290 pessoas, incluindo crianças, estão afectadas pelas chuvas, que destruíram 1541 casas, 308 das quais completamente, de acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

As vítimas estão já a ser assistidas pelo INGC e parceiros em bens alimentares e produtos de uso diverso, mas a directora-geral do organismo apontou que o maior constrangimento neste momento é o acesso às zonas afectadas.

As equipas de assistência contam com sete barcos para a ligação das margens do rio Montepuez, cuja ponte foi cortada a 28 de Dezembro,e um helicóptero para a monitoria e resgate.

Sete mortos em uma semana na Zambézia

SETE pessoas perderam a vida e outras seis contraíram ferimentos, entre ligeiros e graves, nos últimos sete dias na província da Zambézia, em consequência daschuvas que estão a cair desde finais de Dezembro.

Dentre as vítimas, conta-se uma mulher grávida que morreu depois dodesabamento da parede da casa onde morava,no distrito de Guruè, norte da província.

A queda de chuvas e consequente subida dos níveis hidrométricos afectou 2444 famílias nos distritos de Maganja da Costa, Namacurra, Mocuba, Guruè, Morrumbala, Alto Molócuèe cidade de Quelimane. Na capital provincial da Zambézia, as chuvas provocaram inundaçõesnos bairros vulneráveis como Manhaua, Micajune, 17 de Setembro e 25 de Setembro.

A Reportagem do “Notícias” apurou ontem, durante a II Reunião do Conselho Técnico de Emergência realizada em Quelimane, que as chuvas vão continuar até esta quinta-feira.

O secretário permanente provincial da Zambézia, Júlio Mendes, orientou o INGC e os governos distritais a utilizarem rádios comunitárias a fim de mobilizar as pessoas para seretiraremdas zonas de risco e promover mensagens sobre a higiene individual e colectiva,para evitar doenças relacionadas com água.

Mendes orientou igualmente adistribuição urgentede víveres nos locais de difícil acesso enquanto ainda as estradas permitem a circulação de viaturas. Disse que o mesmo exemplo deve ser seguido pelo sector da Educação para a distribuição do livro escolar, uma vez que o ano está prestes a iniciar.

O INGC já está a distribuir lonas plásticas, lajes e outros bens. Ainda ontem, seguirampara os distritos de Maganja da Costa e Namacurra sete toneladas de arroz para, em caso de necessidade, seremdistribuídas aos infortunados.

A circulação neste momento faz-se com limitações nos troços Nauela/ Guruè, Gilé/Alto Ligonha, Cariua/Maganja da Costa, Derre/Alto Benfica, numa extensão de 100 quilómetros.

O sector da Saúde na Zambézia diz ter medicamentosjá posicionadosnos distritos de Chinde, Namarroi, Gilé, Derre, Morrumbala e Luabo para os próximos três meses. O médico-chefe da Zambézia, Óscar Hawad, referiu, na reunião do Conselho Técnico de Emergência, que os fármacos foram distribuídos em Dezembro. 

CONVERSAS AOS SÁBADOS

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

Administrator: Rogério Sitóe

Administrator: Cezerilo Matuce

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