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Categoria: Nacional
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DUZENTAS casas ficaram destruídas total ou parcialmente em Nacala-Porto desde o início das chuvas, em Outubro, e as autoridades municipais e o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estão a mobilizar recursos para apoiar as vítimas.

Trata-se de um drama que se vive em resultado não só da fúria das águas das chuvas e vulnerabilidade da região a erosão como também da negligência dos munícipes e das autoridades camarárias.

Dados em poder do “Notícias” indicam que mais de 60 mil cidadãos estão em situação de vulnerabilidade por terem fixado as suas casas ao longo das ravinas e locais propensos a erosão.

Alberto Eusébio, de 42 anos de idade, reside no bairro de Mocone há mais de dez anos, e explica que a casa onde vive já caiu cinco vezes devido à erosão. Confirma ter recebido várias brigadas da edilidade que o aconselharam a abandonar o bairro e procurar fixar-se numa área segura.

“Não tenho condições para recomeçar num outro bairro. Eu sei que a minha família corre risco, mas faltam-me recursos para deixar esta região”, disse, confirmando, porém, que sempre que a casa cai consegue mobilizar dinheiro para reconstrui-la.

O mesmo sentimento é partilhado por Fátima Mucupela, de 33 anos de idade, que disse que não tem para onde ir com a filha com quem vive.

“Não tenho para onde ir. Se sair daqui quem me vai acolher uma vez que já passo mal para sobreviver?”, questionou.

Quizito Francisco, do bairro de Tielela, vive numa parcela adquirida ao preço de 40 mil meticais no ano de 2017. Trata-se de uma zona residencial que foi interdita para a construção de habitações e produção agrícola, uma medida tomada na sequência do elevado risco de erosão, por ser um declive.

Actualmente a região está abarrotada de casas construídas de forma desordenada, usando material precário, convencional e misto, a maioria das quais com a autorização da edilidade.

No entanto, o Município aponta já ter identificado uma região segura para onde pretende reassentar a população que vive nos bairros de Tielela, Triângulo, Matola, Mocone e Ribáuè.

O presidente do Conselho Autárquico de Nacala-Porto, Raul Novinte, alega a falta de recursos financeiros para compensar as famílias camponesas que praticam a agricultura neste local.

O “Notícias” apurou que há dois estudos que foram desenvolvidos no passado, os quais sugerem a implementação de um plano de ordenamento territorial que permitiria a abertura de ruas e a reserva de áreas para a construção de infra-estruturas públicas, incluindo valas de drenagem para direccionar a água das chuvas.

O autarca limita-se a defender a necessidade de se construir uma rede de esgotos para orientar as águas, perante um cenário em que a vulnerabilidade à erosão piora, afectando infra-estruturas públicas e privadas.

Uma das infra-estruturas afectadas é a Central Eléctrica de Nacala, que se encontra soterrada, apesar de continuar a fornecer energia.

O Conselho Operativo de Emergência, chefiado pelo secretário permanente da província de Nampula, Eduardo Macário, constatou num trabalho de monitoria realizado semana passada que o Conselho Autárquico de Nacala-Porto precisa de trabalhar seriamente no ordenamento territorial e treinar os munícipes no uso de material de construção que permita reduzir os níveis de vulnerabilidade.

Observou que o deslizamento de terras poderá comprometer o funcionamento do Porto de Nacala, correndo o risco de perder o estatuto de maior porto de águas profundas ao nível da África Oriental.

Vincou que são necessárias, a médio e longo prazos, obras de grande engenharia tendo em vista conter a situação.